Mãe de Jesús de Miguel não cala a revolta: «Quero respostas e justiça!»
A mãe de Jesús de Miguel, avançado de 30 anos do Tenerife que morreu na sequência de um choque violento com o guarda-redes Jeús Owono, em jogo da La Liga2, em Espanha, garantiu, em declarações aos media espanhóis, que não irá descansar enquanto não se fizer «justiça» para com o seu filho.
«Recuso-me a aceitar que a morte do meu filho seja apenas mais uma tragédia no futebol que as pessoas acabarão por esquecer. Ele tinha uma família, uma mulher e uma filha de um ano que precisavam dele. Era o sustento deles e agora as suas vidas ficaram viradas do avesso. Quero saber toda a verdade sobre o que aconteceu naquele relvado», disse.
«A nossa família está a procurar aconselhamento jurídico e vai analisar todas as vias legais disponíveis. Não vou descansar enquanto não obtiver respostas e não compreendermos exatamente como aconteceu esta tragédia», insistiu. «Nada me trará o meu filho de volta, mas a sua morte não pode ser tratada com ligeireza. A nossa família merece respostas e continuaremos à procura de justiça», afirmou.
Por toda a Europa foram cumpridos minutos de silêncio esta semana em memória de Jesús de Miguel Alameda. O seu clube, o Tenerife, comprometeu-se a apoiar a filha de apenas um ano, de nome Carla, até que complete 18 anos.
Irmão do guarda-redes acusado de «assassino»
As autoridades espanholas instauraram um inquérito logo após a confirmação da morte do avançado de 30 anos. O atleta sofreu uma paragem cardiorrespiratória na sequência da colisão com o guarda-redes do Andorra, Jesus Owono, no último fim de semana, acabando por falecer no dia seguinte, às 08h00.
O fatídico lance ocorreu na segunda-feira, em partida a contar para a 12.ª jornada do segundo escalão profissional de futebol em Espanha. De Miguel foi lançado em profundidade numa fase em que o Andorra procurava o golo, e o guardião Jesús Onowo saiu quase até ao círculo central para travar a jogada. O guarda-redes do Andorra atingiu-o com o joelho na zona do peito, perto do coração, deixando-o inanimado no relvado. A caminho do hospital, o jogador teve de ser reanimado devido a uma paragem cardíaca, mas o coração acabou por ceder em definitivo.
Segundo noticiou na semana passada o diário catalão Mundo Deportivo, Owono fechou-se em casa, «vítima de uma depressão e de um profundo sentimento de culpa», e pondera colocar um ponto final na carreira.
O irmão mais novo também tem sofrido as consequências da situação. O jovem joga numa equipa do País Basco e, sempre que entra em campo, é apupado, insultado e chamado de «assassino» por causa da tragédia.