Treinador do Benfica defendeu ainda que «as avaliações têm de ser feitas no final da temporada»

A renovação de Prestianni, o passado com Paulo Fonseca e uma equipa longe do que pode fazer: tudo o que disse Marco Silva

Treinador do Benfica fez a antevisão do jogo com o Estrela da Amadora, da jornada 11 da Liga

— Como avalia a resposta da equipa neste ciclo de jogos complicado? E, tendo em conta o bom momento, o que espera deste jogo com o Estrela da Amadora?
— Relativamente à segunda parte da questão, é um jogo difícil num campo que tradicionalmente é difícil de jogar, contra uma equipa muito bem organizada, uma equipa aguerrida na sua forma de jogar, quer com bola, quer sem bola, e que faz da sua boa organização um dos pilares para depois conseguir ser competitivo. Começou muito bem a temporada em termos de resultados. Os últimos resultados não foram os mais positivos, mas percebe-se que, da mesma forma que começaram a ter bons resultados e a ganhar jogos no princípio, a base da organização está lá. A diferença entre ganhar ou não ganhar, por vezes o detalhe faz toda a diferença e em alguns momentos acaba por ser mesmo decisivo. Portanto, percebemos bem, não olhamos para o último momento, olhamos para aquilo que é a globalidade da época até agora do Estrela e a sua capacidade de organizar bem as suas equipas e de colocar as equipas a serem aguerridas, independentemente do que nós podemos obrigar ou não o adversário a fazer. É uma equipa aguerrida, quer disputar o jogo, joga em casa, naturalmente também terá o apoio dos seus adeptos e quererá dar uma excelente resposta. Por norma é um campo difícil de jogar, portanto, teremos que estar ao nosso melhor nível. Em relação à primeira parte da questão, da densidade e número de grandes jogos, é uma realidade, tem sido desde a última paragem até agora. Vamos fechar este ciclo agora com o último jogo e com uma particularidade um pouco diferente: independentemente dos três jogos por semana, acaba por ser de uma forma diferente de segunda a domingo, não propriamente de domingo a domingo. Este jogo, por exemplo, se não houvesse a paragem internacional, seria numa segunda-feira, quase de certeza, depois do nosso último jogo internacional. Mas é a realidade. Eu disse desde o princípio da semana, quando tivemos o jogo na última segunda-feira, que íamos ter uma semana um pouco diferente nesse aspeto. Em sete dias há três jogos e será o que teremos pela frente. Tentamos não sobrecarregar alguns jogadores dentro das posições em que conseguimos fazer isso mesmo e temos vindo a fazê-lo de uma forma que tem sido possível. Esperemos que a equipa esteja fresca o suficiente para amanhã dar a resposta que temos que dar, que é lutar pelos três pontos, vencer mais um jogo, sabendo nós que será muito difícil.

— O Benfica só manteve a baliza a zero em dois dos últimos sete jogos depois da paragem. O próximo passo da equipa é melhorar esse momento defensivo?
— Também, também, não só. Não quero com isto dizer que no momento ofensivo está tudo bem. As coisas estão todas muito interligadas: a forma como queres defender tem muito a ver com os momentos em que temos bola e onde a perdemos e se estamos preparados para a perder. Há momentos em que se podemos consentir alguma oportunidade ou algum golo que possamos ter sofrido, também tem a ver com a organização defensiva, há que o dizer também. Mas, estando tudo interligado, temos vindo a trabalhar ambos os momentos e aquilo que é importante para nós. Queremos sempre ser uma equipa que ganhe jogos, mas, se possível, também não consentir golos é muito importante para nós. Faz parte daquilo que nós temos vindo a colocar como objetivos também para o jogo seguinte e temos tido essas conversas. É óbvio que nem sempre é possível. Se olharmos para o número de jogos que já jogámos esta temporada na Liga e o número de jogos que estivemos sem sofrer golos, também acaba por ser um número de jogos positivo. Nós queremos sempre mais; se possível nunca sofrer, era o ideal, era o perfeito. Mas temos um bom número de jogos sem sofrer golos. Há aqui um impacto muito grande no número de golos sofridos em dois jogos em que sofremos, mas em termos da quantidade do número de jogos não é assim tão grande. Depois há jogos de Liga Europa em que temos sofrido da forma como em alguns jogos temos sofrido golos também. Nada melhor do que trabalhar, analisar com os jogadores, fazê-los perceber o que temos que fazer, e o objetivo é sempre o mesmo: é melhorar, melhorar como equipa, sermos cada vez mais fortes, tentarmos ser cada vez mais fortes, e todos os estágios, todos os momentos serão decisivos.

— Depois do PSG, agora fala-se no interesse do Bayern em Prestianni. É fundamental o Benfica fechar já esse dossiê da renovação do jogador? E, olhando para as declarações de Paulo Fonseca que dizia que sem defender bem é impossível lutar por títulos, a sensação vendo o Benfica é que sem atacar bem é impossível lutar por títulos. Qual é a sua prioridade: atacar bem ou defender bem?
— Não consigo dissociar uma da outra. Já vos disse aqui algumas vezes também que é impossível sermos uma equipa consistente e que ganhe títulos se não formos uma equipa sólida, se não formos uma equipa difícil de bater. Depois há várias formas de ganhar jogos e todos nós queremos é ganhar. Se podemos ganhar sem sofrer golos é ainda melhor, sinceramente, mas eu não consigo dissociar uma da outra. Tenho dito muitas vezes aqui que é importantíssimo para nós não sofrermos golos também, é importantíssimo para nós definirmos bem, em termos de organização, aquilo que queremos para o jogo em todos os momentos. Somos uma equipa de mentalidade ofensiva, não há que esconder e é claro na nossa ideia, mas nunca descuidamos — e esqueçam isso — o processo defensivo, aquilo que são os nossos momentos de transição, quer ofensivo, quer defensivo, e faz parte. Temos vindo a trabalhar bastante, infelizmente não com o tempo que eu gostaria que o fizéssemos para ainda estarmos melhor. Não vou conseguir escolher só um momento porque tenho a certeza absoluta de que é impossível durante uma época, para se conquistar algo de tão importante, e quando falamos de algo importante são títulos, se uma equipa não for consistente o suficiente e depois ofensivamente não for capaz também de quebrar a organização dos adversários. Portanto, temos que pôr as duas juntas e eu não lhe consigo dizer uma.

— Quanto à questão do interesse do PSG e agora do Bayern em Prestianni, não é importante fechar já esse dossiê, até para sossegar o universo benfiquista, o jogador, o clube e todos os adeptos?
— Sim, acho que em relação aos adeptos, eles têm e devem estar descansados. Nós estamos num processo de renovação com o jogador, como estamos com outros atletas também do nosso grupo. Entendo a questão porque o Prestianni tem tido um começo de temporada fantástico e nós acreditamos que ainda mais está para vir, porque ele tem mantido essa consistência dia a dia. Não só a nível de jogo: o jogo acaba por ser uma consequência daquilo que ele faz diariamente e que nós sentimos aqui todos os dias.O processo está a decorrer. Quando existirem novidades... Eu não quero estar a dar aqui esperanças, porque normalmente não gosto muito de falar sobre esses temas, porque naturalmente a direção está a tratar disso e bem. Esperamos que possam existir novidades, mas o jogador está satisfeito, nós estamos muito satisfeitos e, naturalmente, se tivermos que o fazer, iremos fazer. Mas é um jogador que também, como vocês sabem, tem aqui um contrato não tão curto como parece neste momento. Será um final normal para aquilo que tem sido o rendimento do jogador neste momento e iremos ver quando é que poderemos dar novidades. O jogador está tranquilo, nós estamos tranquilos, os adeptos também têm de estar e têm de, acima de tudo, continuar a desfrutar e a apoiar o jogador da forma como têm feito, de uma forma brilhante, e o jogador tem respondido também.

— Temos um novo treinador no Sporting que vem também de um campeonato das [ligas] big 5, como veio no início da temporada. Vir para Portugal depois de estar num campeonato das big 5 é meramente uma decisão de coração ou é o campeonato português que está a começar a ser mais aliciante para os treinadores? E que balanço faz da sua estada no Benfica até agora, está a correr melhor ou pior do que esperava?
— Em relação à avaliação, não vou fazer. Acho que as avaliações têm de ser feitas no final da temporada, quando olharmos para os resultados, para tudo aquilo por que lutámos, a forma como lutámos e o que conquistámos. Acho que aí é o momento de se fazer uma avaliação da temporada. É prematuro fazê-lo agora. Temos dado passos em frente, passos muito importantes naquilo que falei desde a primeira hora e repito muitas vezes convosco, que é a nossa identidade, a nossa forma de jogar, a aquisição por parte dos jogadores dos processos que nós queremos para a equipa. Tenho vindo a dizer que ainda estamos bem longe daquilo que nós poderemos fazer, sinceramente. É sempre isso que eu coloco como meta para os jogadores: se fizemos algo bem hoje, amanhã temos que tentar fazer melhor, e o que não temos feito tão bem, continuarmos a melhorar coletivamente e os jogadores individualmente, fazê-los melhores individualmente para depois coletivamente ser uma consequência disso mesmo.Em relação ao futebol português e ao regresso quer de jogadores, quer neste caso de treinadores, com a questão do Paulo chegar ao futebol português neste momento também, não tem a ver só com uma questão, tem a ver com várias. O futebol português sempre teve grandíssimos clubes a nível europeu — com o crescimento que o SC Braga tem tido, mas os três grandes clubes em Portugal —, que jogam para ganhar, que jogam competições europeias. Portanto, há muitas questões que fazem com que se tomem decisões de poder regressar ou não. Não há só o nome do clube — o nome do clube tem uma importância muito grande, isso é óbvio —, mas não há só uma razão, é difícil dizer-lhe o porquê. Eu já expliquei as minhas razões quando fui apresentado no Benfica. A Liga portuguesa, independentemente de algumas questões que claramente temos vindo a falar também, tem de melhorar, tem de dar passos diferentes, principalmente em termos de infraestruturas, de dar as condições aos atletas e a quem está no estádio para poderem desfrutar de um jogo a sério de Liga, em termos de adeptos dos clubes adversários também poderem estar no estádio e apoiar a equipa visitante, por exemplo, quando uma equipa grande vai fora de casa. Acho que isso seria fundamental para se dar passos em frente, e acima de tudo relvados e infraestruturas, acho que seria muito importante nesse aspeto. Mas depois há o outro lado, que é a competitividade — independentemente de podermos falar de diferenças de orçamento ou não —, treinadores com muito estudo, com ideias claras daquilo que pretendem, que muitas vezes com muito menos fazem as coisas muito bem também e criam dificuldades em todos os jogos, seja pelas condições, pela qualidade da organização ou pela qualidade dos adversários. Por isso é uma Liga que também nos traz desafios, e acho que todos nós, quando estamos num cargo destes, queremos é desafios e queremos sempre melhorar e fazer as nossas equipas serem melhores.

— No último jogo, disse que a maioria das ações com bola nos pés de Trubin foram acertadas. Face a esta evolução do jogador neste capítulo e sabendo aquilo que procura na posição, já não se justifica a titularidade ou maior regularidade da utilização de Trubin?
— Em relação à titularidade, acredito que esteja a perguntar pela titularidade no campeonato. Neste momento tem vindo a jogar o Samu. Da mesma forma que nós decidimos começar com o Samu, o Samu sabe, o Trubin sabe e o Diogo também sabe: é uma decisão minha, se tiver de tomar decisões diferentes, irei tomá-las. É para isso mesmo que há competitividade e por isso é que começou o Trubin, depois alterámos e começou a jogar o Samu. Se tivermos que alterar, iremos fazê-lo. Os três guarda-redes têm total confiança da nossa parte, naturalmente com o Trubin e o Samuel com mais experiência do que o Diogo [Ferreira]. O Diogo é um jovem guarda-redes que tem vindo a fazer a ponte entre a equipa B e diariamente faz parte do nosso plantel. Mas, em relação ao Trubin e ao Samu, há uma competitividade clara entre ambos e todas as decisões que tivermos de tomar serão sempre em prol daquilo que achamos que é o melhor para a equipa. Quando fiz a análise do jogo [contra o Lech Poznan], perguntaram-me do golo que sofremos e eu quis ser claro naquele momento, porque era importante. Nós no final do jogo temos uma análise daquilo que vamos sentindo durante o jogo e depois, quando analisamos com mais tempo, por vezes muda ou não. Neste caso não mudou absolutamente nada: o Trubin realmente teve mais um jogo positivo e um jogo em que praticamente todas as decisões com bola que tomou foram muito boas. Foi muito ao encontro daquilo que me estavam a perguntar em relação ao golo que sofremos, porque numa construção curta em que o Trubin está envolvido juntamente com o Enzo, a decisão que ele tomou naquele momento — e eu quis ser claro para não deixar dúvidas — foi a mais acertada.Mas, acima de tudo, tenho gostado muito daquilo que têm sido as últimas exibições dele. Se analisarem o que era o Trubin antes de chegar ao Benfica, por exemplo... Eu não posso estar a falar do Trubin em todos os últimos anos do Benfica, estaria a ser injusto porque não analisei nem vi todos os jogos, nem de perto nem de longe. O número de jogos que vi foi muito reduzido para estar aqui a dizer se foi perfeito no jogo com os pés ou se é essa evolução de que me está a falar. Mas as características do Trubin sempre foram de um jogador com capacidade no jogo curto e no jogo mais longo quando estava no Shakhtar. Depois os jogadores passam por momentos de mais confiança ou de menos confiança, que podem fazer parecer que em alguns momentos não se sentem tão confortáveis. Acho que a resposta que ele deu outra vez na última quinta-feira foi de um jogador que tem todas as capacidades para se sentir confortável também, porque é característica dele sentir-se confortável a jogar com os pés e a tomar as melhores decisões.

— Disse várias vezes que nenhum jogador tem lugar garantido no onze, mas vai sendo construída uma certa hierarquia em função das escolhas mais regulares. Circati tem jogado mais nos últimos jogos: em que ponto é que sente que ele está e se já está em pé de igualdade com Lenglet e Tomás Araújo na luta pela titularidade?
— É claro que ao longo de uma temporada, independentemente da competitividade, a hierarquia acaba por aparecer, porque em todas as equipas não há milagres: jogam os melhores, ou pelo menos os que o treinador acha que são os melhores. Por vezes o treinador também erra, mas aqueles que o treinador acha que são os melhores ao longo de uma temporada acabam por jogar mais minutos. A profundidade de um plantel quando se joga praticamente de três em três dias é fundamental para a competitividade, para a rotação e para ter a equipa minimamente fresca em posições fundamentais. Ao fim de três, quatro ou cinco meses, é visível aquilo que são as opções que vou tomando.Indo diretamente ao Circati, tem vindo a evoluir e está a adaptar-se melhor. Eu disse-vos que demora o seu tempo, porque estamos a falar de um jovem jogador, independentemente de já ter alguma experiência por ter jogado as últimas temporadas na Serie A e de ter já um bom número de jogos e um papel muito importante na sua seleção, o que lhe vai dando tarimba. Mas falei-vos quando ele chegou que teria de haver aqui um momento de adaptação à forma de jogar e de se impor com bola e sem bola.Sem bola, naturalmente, sente-se mais confortável neste momento. É um jogador agressivo, rápido, não é um central que tenha grandes dificuldades quando é colocado à prova em momentos de velocidade em que tem de defender o espaço ou fazer coberturas. Com bola, naturalmente, tudo o que fazemos é completamente diferente de tudo o que ele fez ao longo dos últimos três, quatro ou cinco anos. Esta é que é a realidade: é completamente diferente daquilo que faz na seleção e daquilo que fez na carreira ao nível de clubes. Nós jogamos a maioria do tempo em meio-campo ofensivo, jogamos a maioria do tempo com bola e ele tem de tomar decisões constantes a analisar vantagens. Isso para ele é tudo novidade e ele tem dado os passos certos. Acima de tudo tem jogado pelo seguro, o que demonstra maturidade e experiência, porque não se mete em caminhos apertados, em bom português.Acredito que esteja em pé de igualdade naquilo que é a disputa pelo lugar com os outros dois que têm jogado mais, neste caso o Lenglet e o Tomás. É uma decisão nossa de quem será a melhor opção e do que será  melhor para a nossa linha defensiva, mas estamos satisfeitos com ele.

— Lenglet está recuperado?
— Vai estar nos convocados para o jogo de amanhã.

— Coincidiu com Paulo Fonseca no Belenenses há de 30 anos. O que recorda desses tempos, como era trabalhar com Vítor Manuel, como eram Marco Silva e Paulo Fonseca como jogadores e hoje, contrataria-os, para o Benfica?
— Com certeza que não, com todo o respeito pelo Paulo. O Paulo fez uma carreira um pouco diferente da minha, mas não, e o Paulo vai perceber o que eu estou a dizer. Felizmente para nós, tornámo-nos os dois melhores como treinadores do que aquilo que fomos como jogadores, definitivamente. E, não querendo aqui falar nem de mim nem do Paulo nesse aspeto, percebe-se pelos caminhos que as carreiras seguiram enquanto treinadores em relação à nossa carreira profissional como jogadores.Quero dar as boas-vindas ao Paulo ao futebol português. Está num grande rival nosso, mas dou-lhe as boas-vindas. É um treinador com grande experiência e maturidade, que tem demonstrado ao longo da sua carreira o potencial que tem e o que tem feito pelos clubes por onde tem passado. Simplesmente isso. Como éramos como jogadores acho que não é importante neste momento. Partilhámos o balneário numa fase em que eu era bem mais jovem que ele, creio que há uma diferença de quatro ou cinco anos. Naquele momento são experiências que ficam para a vida. Ao longo da nossa carreira já nos cruzámos também enquanto treinadores em diferentes clubes, fomo-nos defrontando, e daqui por um mês e pouco será a oportunidade de o fazer novamente.

— O Estrela tem-se apresentado num sistema semelhante ao do Benfica e que favorece alguns encaixes individuais. Frente ao Lech Poznan, vimos o Manu baixar para a linha de três. É a partir deste movimento que o Benfica pode desfazer esses encaixes e dar mais liberdade aos laterais?
— Sem dúvida que, baixando um pouco mais o nosso eixo, deixamos de construir a três com o lateral-esquerdo e a mesma liberdade que temos no corredor direito acabamos depois por dar no corredor esquerdo também. As características do Souffian [El Karouani] como lateral-esquerdo também nos dão isso. Não é que o Dahl não consiga fazer, porque faz e gosta de o fazer também, mas o Souffian, por características muito próprias, acaba por nos dar essa profundidade e tem uma grande capacidade física e de chegar ao último terço. Depois pode apoiar o nosso triângulo não vindo tão atrás, mas muitas vezes colocado no espaço entre linhas, dando mais liberdade ao Claudio, ao Sudakov, ao Rafa, quem for o nosso médio interior esquerdo.Deu em alguns momentos até porque o Manu naquele momento estava a sentir o avançado muito próximo dele e, em vez de estar colocado por trás do avançado, colocou-se muitas vezes de frente para o avançado, o que deu naquele momento para abrirmos mais os centrais. Foi uma decisão devido ao posicionamento do adversário: nós decidimos ver o jogo um pouco mais de frente naquele momento e optámos por fazê-lo. Noutros momentos tínhamos o Sudakov um pouco mais baixo e o Manu numa linha mais avançada, também pela leitura que o Manu fez desses momentos no jogo.Em relação ao que falou do Estrela espelhar em alguns momentos, no momento defensivo faz algo diferente, porque acaba por encaixar o 6 algumas vezes no meio dos dois centrais quando está num bloco médio-baixo. Começa num 4x4x2 no momento de pressionar, mas depois quando entra em bloco médio-baixo acaba por encaixar com o número 6 no meio dos centrais e fazer uma linha de cinco. De uma forma ou de outra, nós estamos preparados para aquilo que o Estrela pode fazer. Se irá encaixar mais ou menos nos nossos dois interiores com os médios ou com uma linha de cinco, estamos preparados para esses dois momentos. Depois depende de nós a forma como vamos fazer dançar, entre aspas, a linha média e a linha defensiva do Estrela para podermos procurar e criar o espaço que queremos no jogo.

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