Mourinho atira-se à LaLiga: «Que brinquem com outro!»
O Real Madrid voltou a somar três pontos na LaLiga ao vencer de forma folgada o Valência, por 3-0. O resultado mantém a equipa comandada por José Mourinho com os mesmos pontos do Barcelona, que defronta o Atlético Madrid no Metropolitano, este domingo. No final da partida, o treinador português compareceu na sala de imprensa e deixou fortes alertas quanto ao desgaste físico do plantel antes da paragem para os compromissos internacionais.
«Com a LaLiga de Tebas tenho de ser humilde, porque eles têm o poder. Não quero dizer sobre-humano, porque é possível fazê-lo, mas é muito difícil. Se querem fazer essa brincadeira, que a façam a outro. Foi demasiado esta maratona de jogos», começou por apontar o técnico luso, lamentando a saída imediata dos atletas para as respetivas seleções: «Se ficassem, teríamos uma atenção muito especial para recuperar as pessoas, mas vão para a seleção e imagino que os selecionadores queiram trabalhar. Esta gente não pode trabalhar, o que precisa é de descansar e jogar mais à frente para poder recuperar.»
Mourinho insistiu no esgotamento do grupo de trabalho: «Os jogadores estão em fadiga extrema. À segunda, terça e quarta-feira continuam a limpar a fadiga física. Mental não, porque quem ganha não a tem, mas temos de ter respeito pelos treinadores das seleções.» Sobre a perspetiva de vir a assumir um cargo semelhante no futuro, comentou: «Não sei se um dia serei selecionador, mas, se o for, serei muito chato com os clubes e pensarei em mim, por isso não tenho lata para telefonar a ninguém. Eles não têm prazer em que um jogador se lesione por acumulação. Espero que tenhamos sorte.»
Apesar do cansaço, o técnico não poupou elogios ao compromisso demonstrado em campo: «O aplauso vai para os jogadores. Não creio que haja uma chave para o que estão a fazer. Estão a responder individualmente e como equipa e existe uma grande evolução. Tivemos muita posse e pouco trabalho defensivo, mas quando perdemos a bola houve uma grande reação. Houve uma imagem na segunda parte com um sprint de Mbappé a cobrir a posição de Guler. Estão muito solidários. Pela minha experiência, esta equipa cheira bem...»
«Vejo um balneário feliz, com música alta e horrível»
O ambiente vivido nas bancadas e o trabalho da equipa de arbitragem foram igualmente abordados: «Mestalla é paixão. O Valência, ao longo da história, foi sempre um estádio difícil. Exigente com a sua equipa e os seus jogadores, e jogar contra o Real Madrid, que é muito superior individual e coletivamente, aumenta a frustração e empurra os jogadores. Tivemos tranquilidade para não responder. O vermelho parece-me muito claro [de Gaya] e no amarelo de Mbappé pareceu-me que podia ter deixado seguir. Acho que o árbitro fez um grandíssimo trabalho.»
Questionado sobre os números de recorde que tem alcançado - treinador com mais % de vitórias na história da LaLiga - o treinador rejeitou euforias desmedidas: «Diz-me que temos de ganhar o próximo jogo. Nesta vida, os números bonitos esquecem-se e não nos alimentamos de números do passado. Alimentamo-nos do presente, não fazia ideia e é um orgulho. A LaLiga teve treinadores de topo e estar com esses números é um orgulho.»
«Ganhar jogos numa equipa como o Real Madrid não pode ser uma loucura de alegria, tem de ser a normalidade. Vejo um balneário feliz, com música alta e horrível, mas com normalidade por vencer partidas. Se perdemos, entramos no vosso caos, que se pode propagar ao caos dos adeptos, mas cá dentro estamos tranquilos», reforçou.
Mourinho confidenciou ainda a conversa que manteve logo após o apito final com o homólogo adversário: «Saí imediatamente com o meu amigo Aguirre. Disse-lhe para não ficar triste porque os meus jogadores são muito melhores do que os dele. O problema não é o Aguirre. Com jogadores como os meus, está-se mais perto de ganhar.»
A fechar, o treinador português revelou que não se encontrava nas melhores condições físicas: «Estou morto. Estou cansado e tenho febre. Se recuperar, vou à NFL.» A 8 de novembro, este domingo, há duelo entre os Cincinnati Bengals e os Atlanta Falcons na capital espanhola.