João Gião foi oficializado como treinador do Nacional. -Foto: CD NACIONAL
João Gião foi oficializado como treinador do Nacional. -Foto: CD NACIONAL

João Gião oficializado no Nacional: «Desejado, tradição e alma»

Ex-treinador da equipa B do Sporting assinou por uma temporada. Procura manutenção e equipa com caráter e alma. Três fatores decisivos pesaram na escolha

João Gião foi apresentado como treinador do Nacional para 2026/27, deixando o Sporting B para se estrear na Liga. «Quero agradecer ao presidente a confiança em apostar num treinador que vem de um escalão inferior, jovem e sem experiência na Liga, em dar-me esta oportunidade. Estou muito feliz e muito motivado por estar aqui e para começar esta nova aventura», afirmou, na apresentação oficial.

O técnico de 39 anos indicou os motivos para aceitar o convite de Rui Alves: «Foram vários fatores. Fui tendo alguns interessados em função do facto de nas últimas duas épocas e na minha estreia como treinador principal, termos atingido objetivos importantes no clube onde estava. Mas houve aqui um fator determinante: a determinação do presidente, que fez tudo muito rápido e fez-me sentir desejado, confiante e confortável. E a tradição do Nacional em apostar em treinadores com o meu perfil, relativamente jovens e com pouca ou nenhuma experiência de Liga, dando-lhes condições para terem sucesso, também pesou na minha escolha. E o clube em si, com alma. Lembro-me daquele momento vivido em Tondela, debaixo de uma chuvada com a presença de muitos nacionalistas, e que me marcou. Senti que há alma e raça neste clube, e eu gosto de clubes assim.»

Depois de três épocas com Tiago Margarido ao leme, o novo treinador indicou o que poderá trazer de diferente ao Nacional. «O presidente não vai ter uma cópia do passado, embora eu respeite muito o passado recente do Nacional e o que foi atingido com muito mérito pelo mister Tiago (Margarido). Serei eu próprio, com as minhas virtudes e os meus defeitos, mas com as minhas ideias. Tenho uma ideia de jogo muito particular e, cada vez que mudamos de contexto e de clube, temos de a adaptar à nova realidade e ao novo campeonato. Agora, não deixarei de ser eu. Do que viram da minha anterior equipa, poderão esperar muita coisa parecida. Em traços de personalidade, liderança e comunicação, serei eu próprio e isso só por si será uma mudança», afirmou.

João Gião assevera «carácter, alma e dedicação» e que os adeptos alvinegros se revejam na equipa. «Tentar cumprir os objetivos que nos propomos, a manutenção acima de tudo. E uma equipa com que os adeptos se identifiquem, com carácter, alma e dedicação, isso para mim também é fundamental. Os adeptos sentirem que têm alguém lá dentro que os represente bem, independentemente dos períodos de dificuldade, que de certeza vamos passar. Mas em todos os momentos, positivos ou negativos, as pessoas se revejam no espírito e na forma de estar que não podemos abdicar. Esse é o meu maior compromisso: garantir que os 11 que entrarem lá para dentro e os outros que entrarem a seguir, nunca vão deixar as suas gentes defraudadas», prometeu.

A equipa técnica já está definida, e com Gião vêm quatro elementos. Contudo, ainda não pode ser divulgada, porque um deles «ainda está preso por questões contratuais». No total, serão cinco elementos que me acompanharão, vindos de fora. Quatro estão completamente fechados e o outro está 99% fechado. Mas como no futebol esse 1% é importante, não me quero antecipar. Mas nas próximas horas estará resolvido» garantiu.

Rui Alves compara à escolha de uma mulher para casar

Rui Alves, presidente do Nacional, compara a aposta em João Gião à escolha de uma mulher. «É a mesma pergunta que lhe faria sobre o que viu na sua mulher para casar», disse, sobre os motivos da escolha. «Nós, que estamos dentro do fenómeno, procuramos naturalmente monitorizar o que acontece nas diferentes lideranças e também aquilo que é o perfil do clube nesta matéria. É verdade que o mister referiu e agradeceu a escolha, mas espero que, no fim, o mister possa dizer 'eu escolhi bem'. Isso tem feito parte da história mais recente do Nacional: os treinadores, quando terminam o ciclo, têm a sensação de que escolheram bem ao assinar contrato. Mas, como tudo, como escolhemos a nossa mulher é um risco, e é um pouco semelhante. É um risco para ele e é um risco para nós e é no risco que se constroem estruturas sólidas e de sucesso», explicou.

O dirigente espera que em 2026/27 o Nacional consiga fazer um pouco melhor que na época que agora findou e sonhar além da manutenção, não é proibido. «Sonhar é inerente à condição humana, enquanto a inteligência artificial não vier perturbar. Naturalmente, sempre sonhamos que a época seguinte seja um pouco melhor. Até achei que na época que findamos estaríamos num processo de consolidação da nossa presença na Liga um pouco mais acima, o que não aconteceu, e naturalmente que isso faz parte dos objetivos. Se o mister conseguir que o Nacional 2026/27 seja um pouco melhor que o de 2025/26, naturalmente que não vai enjeitar essa oportunidade, até porque faz parte do processo», afirmou.

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