Francisco Campos (Tavira) vencedor da 1.ª etapa da Volta a Portugal 2026
Francisco Campos (Tavira) vencedor da 1.ª etapa da Volta a Portugal 2026

Volta a Portugal: Francisco Campos vence em Queluz e Rui Oliveira conquista amarela

Portugueses a dominarem a primeira etapa. O corredor da algarvia Tavira foi o mais rápido ao sprint num trio que se adiantou o pelotão e o compatriota da UAE Emirates assumiu a liderança da prova, sucedendo ao companheiro de equipa Julius Johansen

Às tantas, depois das inclinações de Sintra, da inclemente nortada da tarde e a intensidade com que foram corridos os últimos quilómetros até Queluz, deixando na frente menos de metade do pelotão que partiu da Lourinhã, três ciclistas depararam-se com imprevista vantagem à beira da meta.

Também eles foram improváveis na discussão da vitória na primeira etapa da Volta a Portugal, ainda que a seletividade da fase final do percurso apontasse a velocistas mais versáteis e não a sprinters. Dois da mesma equipa, Tavira, ambos portugueses, Francisco Campos e Carlos Miguel Salgueiro, e um espanhol, da igualmente espanhola BH Burgos, Daniel Cavia.

Com o pelotão desorganizado na peugada, Salgueiro lançou Campos para o risco de chegada e Cavia não conseguiu contrariar a desvantagem numérica. O penafidelense Francisco Campos alcançou a primeira vitória da carreira aos 28 anos, e logo na mais importante prova do calendário português, em que estreou na equipa angolana BAI-Sicasal-Petro de Luanda e lhe valeu a transferência imediata para o conjunto algarvio. O nortenho não falha a Volta há quatro temporadas consecutivas, mas o melhor resultado que conseguira tinha sido o terceiro lugar na 8.ª etapa em 2025, também com final exigente como o desta. Esta época, mais alto que Campos atingira, foi o terceiro lugar na Clássica de Viana do Castelo, em abril.

A algumas dezenas de metros do trio, à cabeça de um pelotão desbaratado de menos de meia centena de unidades, Rui Oliveira fez jus ao esforço da equipa UAE Emirates durante quase toda a etapa. Primeiro, pela responsabilidade que cabia à formação mais importante em prova de controlar o quinteto da fuga na defesa da liderança de Julius Johansen, vencedor do prólogo em Lisboa na véspera, e mas pela mais plausível possibilidade do corredor português vencer a etapa e/ou conquistar a camisola amarela ao colega dinamarquês, que a tinha presa por quatro segundos.

O campeão olímpico de pista só alcançou o segundo objetivo, voltando a adiar a ambicionada primeira vitória em profissionalismo - na prova inaugural esteve mais de uma hora na liderança provisória e viu Johansen superá-lo nos instantes finais do mini contrarrelógio na capital. Se os três outsiders não tivessem escapado à malha do pelotão, teria sido ontem que o gaiense, de 29 anos, concretizava a ansiada pretensão.

Assim, Oliveira terminou a etapa na quarta posição, com o mesmo tempo do vencedor, impondo-se num grupo sem vislumbre de sprinters à dianteira - todos atrasados pela subida de São Pedro Sintra, cerca de 20 quilómetros antes, onde também ficou prostrado o camisola amarela Julius Johansen - e ascendeu ao comando da classificação geral da Volta.      

Rui Oliveira terá a tarefa de defender o símbolo máximo na segunda etapa, entre Sines e Albufeira, um percurso sem dificuldades de relevo, com totais 180,4 km, mas traiçoeiro pela constante exposição ao vento costeiro do sudoeste alentejano e um aproximação agressiva à cidade mais turística do Algarve. Todavia, não se espera que os velocistas e respetivas equipas voltem a deixar-se surpreender.       

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