Ronaldo no Mundial 2022 - Foto: IMAGO

O lendário avançado brasileiro, Ronaldo, concedeu uma entrevista exclusiva ao L'Équipe na qual abordou diversos temas, desde a seleção brasileira a Kylian Mbappé.

Acompanhando a seleção do Brasil nos Estados Unidos, onde assiste aos jogos ao lado de outras lendas como Cafu, Rivaldo e Ronaldinho, Ronaldo Nazário falou sobre a sua carreira e o futebol atual. Recentemente ultrapassado por Lionel Messi e Kylian Mbappé na lista de melhores marcadores da história do Campeonato do Mundo, o Fenómeno, que fará 50 anos em setembro, não parece incomodado, ciente do legado que deixou na competição que venceu por duas vezes.

«Para continuar a ser decisivo, tive de reinventar tudo»

Questionado sobre o jejum de 24 anos do Brasil em Mundiais, Ronaldo lembrou que vencer é sempre a exceção. «Para uma equipa ser campeã, todas as outras têm de perder!», afirmou, sorrindo. «O futebol é o desporto mais popular do mundo, com grandes jogadores e equipas por todo o lado. Além disso, a forma de jogar mudou: o campo, o relvado, a bola, o ritmo... O Brasil perdeu o estatuto de favorito incontestado, mas continua a ser uma das grandes potências.»

Sobre a pressão que recai sobre as novas gerações, o antigo avançado considera que as expectativas são sempre muito elevadas devido à história da seleção e à profunda cultura do futebol no país. «O facto de sermos a seleção com mais títulos na história também coloca uma pressão enorme sobre as novas gerações», explicou.

«Aproveito para pedir desculpa a todos os pais pelo penteado de 2002»

Sobre o Mundial de 2002, que foi indiscutivelmente o Mundial de R9, o brasileiro destacou a sua preparação implacável. «Enfrentava um diagnóstico considerado irreversível para o meu joelho, e só um novo protocolo, que combinava um trabalho físico e mental enorme e incansável, me poderia levar onde eu queria», revelou. «Além do futebol, o que passei durante essa preparação deixou um legado duradouro para a medicina desportiva.»

Ronaldo e o seu penteado icónico no Mundial de 2002 (IMAGO)

Sobre o seu famoso e «horrível» corte de cabelo nesse Mundial, que se tornou moda entre as crianças em todo o mundo, Ronaldo aproveitou para, em tom de brincadeira, pedir desculpa: «Sei que foi igual em todo o lado, por isso aproveito a entrevista para apresentar as minhas desculpas a todos os pais franceses por essa moda».

Favoritos ao Mundial e o legado dos recordes

Ao analisar a concorrência no Mundial, Ronaldo identificou os principais adversários do Brasil. «A França, a Espanha e a Argentina jogam um futebol muito bom, são muito competitivas, e a Alemanha é sempre perigosa. São os maiores rivais do Brasil pelo título», apontou.

Sobre o facto de Lionel Messi e Kylian Mbappé o terem ultrapassado na lista de melhores marcadores da história do Campeonato do Mundo, o brasileiro mostrou-se sereno. «Isso faz-me pensar que todos os recordes são feitos para serem batidos e que o futebol, de qualquer forma, vai além dos números. É preciso pensar também no legado que se deixa», refletiu. «Mas ambos são, sem dúvida, jogadores que transcendem os números e que merecem ser os melhores marcadores de todos os tempos da competição».

«Messi é um dos maiores jogadores de toda a história do futebol e, ainda hoje, continua a ser influente e decisivo. Já Mbappé, o seu estilo de jogo faz-me lembrar de mim no meu auge. Ele é um dos maiores do futebol atual e um herdeiro natural das lendas da modalidade», concluiu.

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