É impossível guardar segredos conhecidos por mais de três pessoas
Mal começou a época e já está tudo mais ou menos como sempre. Uns começam bem, outros mais ou menos, outros pior. A culpa nunca é dos próprios, é dos árbitros (alvo 1), dos jornalistas (alvo 2) ou das oposições internas (alvo 3, mais seletivo, fica normalmente para mais tarde). Pelo sim pelo não, mesmo os que começam bem optam por ir atacando os alvos principais, que isto nunca se sabe quando é que o prego vira o bico e pelo menos assim «já tínhamos avisado».
Tenho como quase certeza, por exemplo, que quando se resolverem as novelas de Trubin no Benfica e Luis Suárez no Sporting — e elas só existem porque as deixam existir — a culpa há de ser da Comunicação Social e da sua especulação. Claro que nunca aconteceu nada, claro que destronar um guarda-redes titular sem explicação pública e deixando vazar uma explicação técnico-tática de um saber jogar melhor com os pés ou com as mãos explica tudo; claro que haver um desaguisado num treino transformado em equívoco sobre o final do mesmo é normalíssimo, mesmo que depois nada do que se vê publicamente em campo tenha o mínimo a ver com a normalidade que conhecíamos até então.
É perfeitamente legítimo que clubes, treinadores ou jogadores (estes, enfim, cumprem ordens) tentem deixar no há muito inexistente «sagrado balneário» os alegados segredos do dia a dia. Não podem é depois queixar-se de haver especulações, sobretudo quando todos sabemos que elas não nascem das árvores, mas de alguém que conta alguma coisa a alguém que por sua vez fala com outrém. Quando há mais de três pessoas a saber de algo, esqueçam por favor a ilusão de manter segredos. É a natureza humana. E é esta parte que alguns protagonistas do futebol e não só (muitos deles importantes e em lugares de decisão) fingem ainda não ter percebido. Fica-lhes bem bradar contra «fugas de informação» e acreditarem que o público ainda come essa papa como se fosse um gelado enfiado pela testa.
Depois vêm as redes sociais, os desabafos camuflados, as críticas transformadas em passagens bíblicas ou áudios de conversas alegadamente privadas a contrariar os que ainda acham que há segredos.
Ainda assim, eles teimam em atacar os mensageiros (ainda não perceberam que é o meio e não a mensagem a determinar tudo) e persistem em silêncios e desvios temáticos que já ninguém entende.