Revolução no Nápoles: Conte de saída e velho conhecido apontado ao regresso
O ciclo de Antonio Conte no comando técnico do Nápoles chegou ao fim, garante esta terça-feira a Imprensa italiana. A decisão do treinador é irreversível, apesar de o presidente Aurelio De Laurentiis lhe ter concedido uma semana extra para reconsiderar, com o prazo a terminar no final do jogo de domingo contra a Udinese, no Estádio Diego Armando Maradona, relativo à última ronda da Serie A.
O técnico de 56 anos, que conduziu a equipa ao seu quarto título italiano, na época passada, abandona o clube após duas temporadas de sucesso, prescindindo dos sete milhões de euros que receberia até ao final do seu contrato, em 2027. O jogo de domingo servirá apenas como despedida perante os 50 mil adeptos, antecedendo o anúncio oficial do divórcio por parte do presidente.
Apesar da separação, a relação entre Conte e De Laurentiis termina sem ressentimentos, assegura La Repubblica. Durante dois anos, a dupla, que se considera amiga para além do vínculo profissional, alcançou um sucesso notável, conquistando um campeonato e uma Supertaça, além de um segundo lugar e duas qualificações para a UEFA Champions League. A publicação destaca que a parceria funcionou devido às semelhanças entre ambos: ambiciosos, temperamentais e dedicados ao trabalho, conseguiram encontrar um equilíbrio em prol do clube.
No entanto, a convivência entre duas personalidades tão fortes foi sempre delicada. A necessidade de ambos se afirmarem gerou tensões recorrentes, tornando a separação um desfecho previsível. A primeira grande crise surgiu há um ano, mas a celebração do título em 2025 deu novo fôlego ao projeto, que já se encontrava abalado pela venda de Kvaratskhelia ao PSG. Desta vez, a divergência entre a preocupação do presidente com as finanças e a prioridade do treinador em vencer a qualquer custo tornou-se insuperável.
O orgulho ferido de Conte também terá pesado na decisão, já que o técnico sentiu que o seu trabalho não foi devidamente valorizado, tendo sido alvo de críticas internas e externas. Os seus métodos de preparação foram associados ao elevado número de lesões, e a qualidade de jogo da equipa foi questionada, especialmente após a eliminação da liga milionária, logo na primeira fase.
O silêncio de De Laurentiis perante estas críticas foi interpretado por Conte como uma falta de apoio. Sentindo-se desvalorizado, o treinador chegou a manifestar a sua disponibilidade de forma indireta, afirmando que «no lugar da FIGC, pensaria em Conte», numa altura de crise na seleção nacional. O que pretendia ser uma reivindicação do seu valor foi visto como uma autocandidatura.
O presidente De Laurentiis, ciente do descontentamento do treinador há cerca de um mês, não conseguiu encontrar uma solução. Com o fim de um ciclo à vista, já se prepara para o futuro e pondera oferecer aos adeptos o regresso de Maurizio Sarri, num momento em que o clube se aproxima das celebrações do seu centenário.