Votação na Eurovisão leva à demissão do diretor da rádio e televisão pública da Moldávia
A votação no Festival Eurovisão da Canção do passado fim de semana gerou uma onda de protestos na Moldávia, culminando na demissão de Vlad Turcanu, diretor-geral da emissora pública de rádio e televisão do país.
A controvérsia explodiu nas redes sociais, onde centenas de fãs manifestaram a sua indignação pela decisão do júri moldavo de atribuir apenas três pontos à vizinha Roménia, país com o qual a Moldávia partilha a língua e fortes laços culturais. Recorde-se que a Moldávia, antes da sua independência em 1991, fez parte do império russo, da Grande Roménia e da União Soviética.
Numa conferência de imprensa convocada à pressa, Vlad Turcanu assumiu a responsabilidade pelo sucedido. «Distanciamo-nos da votação do júri, mas a responsabilidade continua a ser nossa, e em primeiro lugar, minha, como chefe desta instituição».
A demissão evidencia o poder das redes sociais num dos países mais pobres da Europa, cujo presidente tem condenado a invasão russa da Ucrânia e manifestado a intenção de aderir à União Europeia.
O júri moldavo, selecionado pela emissora pública, atribuiu a pontuação máxima de 12 pontos à Polónia, que terminou a competição em 12.º lugar. Israel, que ficou em segundo lugar num concurso marcado por boicotes de cinco países devido às ações israelitas em Gaza, recebeu 10 pontos do júri. A Bulgária foi a vencedora do festival.
Em contraste com a decisão do júri, os telespetadores moldavos, cujos votos também contam para a classificação final, deram 12 pontos à Roménia, representada por Alexandra Capitanescu. A ausência de pontos atribuídos pelo júri à canção da Ucrânia também foi motivo de grande indignação por parte do público.
O antigo ministro da Defesa, Anatol Salaru, comentou o caso no Facebook, afirmando: «A única coisa que importa são os votos das pessoas comuns. Este foi um voto entre irmãos. O resto é um pormenor sem importância».