Johannes Mosmang conheceu médio no Bayern há dez anos e mantêm relação de amizade

«Renato Sanches está livre e é grande jogador, mas tudo terá de ser avaliado»

Médio internacional português é tema em aberto no Estrela da Amadora para janeiro. Johannes Mosmang conhece o jogador desde os tempos do Bayern, mas sublinha que qualquer decisão é tomada com Pepa e investidores. Estes avaliam jogadores

Negócio de €40 M por 90% da SAD do Estrela da Amadora, de acordo com os números tornados públicos. De que forma será possível rentabilizar o investimento?

— Nunca comentamos os números. Não confirmamos ou desmentimos os números envolvidos. Acho que não tem muita importância. O que tem importância é o potencial do clube, o único da Liga que tem o estádio dentro da SAD. É um clube que tem adeptos e com tradição, que já ganhou a Taça de Portugal e jogou competições europeias. E que é o segundo clube de muitas pessoas. Eu sei que todos os portugueses têm um clube grande e que em Guimarães são do Vitória de Guimarães, mas eu sei também que o Estrela está no coração de muitos como o segundo clube e queremos reativar esse amor com investimento na parte da infraestrutura e ao mesmo tempo uma visão clara para melhorar o desempenho desportivo. Fazer do Estrela um clube estável, nos primeiros dois ou três anos de Liga, depois ainda mais. Temos condições para reativar esse amor e ter um estádio cada ano mais cheio.

— E quais são os projetos?

— Obviamente, criar um centro de treinos, criar um novo estádio, melhorar a estrutura em todas as áreas, digitalização de toda as áreas, departamento médico, performance, scouting, elevar o clube e a empresa ao patamar a que estou habituado do Bayern.

— Quais são as ideias a curto prazo para o plantel?

— Queremos preparar o mercado de inverno em conjunto com a equipa técnica, com o departamento de scouting, com os nossos investidores também, que têm obviamente competência muito grande e entram também na parte da evolução dos jogadores.

— Não emprestam apenas o nome e a parte financeira?

— Muito mais, eles entram na avaliação dos jogadores. Yann Sommer nos guarda-redes, Lucas Hernández nos laterais, Mats Hummels nos centrais e jogadores de meio-campo defensivo e Thomas Muller em tudo o que é a parte ofensiva. E também ajudam a convencer os jogadores. Se és um central ou um médio e recebes uma videochamada de Mats Hummels... há um impacto diferente. E apresentamos um projeto claro. Temos ideia clara quando decidimos trazer um jogador, onde irá estar daqui a um ano e meio, e nós temos a capacidade de realizar esse projeto. Obviamente, depende do jogador, de fazer a parte dele, mas há sempre caminho dos dois lados. No mercado de inverno iremos evoluir. Estamos a dois meses da abertura da janela e já estamos a preparar tudo. Vamos ter os olhos abertos para melhorar as posições que devem ser melhoradas.

— Como investidores numa SAD de um clube da Liga a venda de jogadores é fundamental?

— A venda de jogadores é o reflexo de um bom desempenho desportivo. Os jogadores valorizam-se e têm mercado e se tens um jogador com um potencial muito grande então eu quero que ele vá para uma liga ainda maior. Isso seria França, Itália, Espanha, Alemanha, Inglaterra. É o nosso caminho. Vou apoiar os nossos jogadores que sigam esse caminho e quero ser a plataforma que os leva até ali, porque temos as condições. Mas a nossa meta não é vender por vender, é vender ao mercado, pelo valor que entendemos que o jogador merece e tem.

— O que pensa alguém que vem do Bayern do nível de jogo da Liga? Dos jogadores e infraestruturas?

— Não podemos comparar esta realidade com a de um país com 85 milhões de habitantes, com uma economia diferente. Não seria justo comparar. Mas o desempenho desportivo da Liga é impressionante. Intensidade muito alta, física e onde se joga em pressão, desde a fase de construção de jogo, à pressão do meio campo, e também tem muito boa transição. Todas as equipas têm pelo menos quatro ou cinco jogadores de um desempenho individual muito alto, que poderiam jogar facilmente em clubes europeus das cinco grandes ligas. Gosto muito da Liga portuguesa, os jogos são intensos nos 90 minutos. Qualquer equipa pode ganhar a qualquer um. O FC Porto ganhou tudo até agora, mas muitas vezes também por um golo de diferença e se o jogo é um pouco diferente pode dar empate. Isso demonstra a qualidade entre os 18 clubes e a sua disciplina táctica. O nível dos treinadores é muito alto, nada fica a dever às ligas alemã, espanhola, italiana, inglesa, francesa. Uma coisa que se pode e deve melhorar são as infraestruturas, os estádios, os centros de treino, é algo que começará a aparecer.

— Melhores infraestruturas poderão ter papel relevante no processo de centralização dos direitos televisivos?

— Melhorar a infraestrutura é um parâmetro que acrescenta valor a um clube. Valor a longo prazo e que não depende da performance desportiva. É valor que se cria e que fica. É muito importante para a estabilidade de uma empresa, de um clube de futebol. É a base, para criar realmente valor que não oscila. E o que vai ajudar a criar esse valor é a centralização dos direitos de televisão. Isso é fundamental.

Arbitragem e PER não preocupam

O Tribunal da Relação de Lisboa rejeitou o recurso em relação ao Plano Especial de Revitalização (PER) para a SAD e pode haver lugar ao pagamento de verba na ordem dos €18 M. «É um processo anterior à nossa entrada. Nada tivemos a ver com o início desse processo, mas estávamos preparados para tudo. O processo pertencia à anterior administração. Aprovado ou não [recurso], estamos preparados. Outra questão delicada para o Estrela tem a ver com processo recente que envolve suspeitas na arbitragem e que motivou a abertura de um inquérito por parte do Ministério Público. Qual é a posição dos novos investidores em relação a questão herdada do tempo de administração de Paulo Lopo? «Nada sabemos sobre isso, é particular, é dele, sinceramente nem sei o que envolve.»

— É tema urgente?

— A 100 por cento. É a chave para que a parte estrutural dos clubes possa chegar ao patamar que a Liga merece, de top seis europeu. Eu venho de uma realidade onde isso já foi feito há muitos anos. A Alemanha concretizou a centralização há muitos anos e isso ajudou muito. E funcionou perfeitamente. Ajuda muito os clubes, da terceira divisão até à Bundesliga. Têm centros de treino, estádios modernos. Criaram um produto atrativo e que se conseguiu comercializar muito bem. É o futuro de Portugal. Criar um produto juntos, todos os clubes de primeira e segunda ligas. Criar e exportar esse produto para onde for possível, a fim de criar mais lucro. É fundamental para a Liga ter um produto atrativo que possa vender para o exterior, há um momento em que o mercado nacional está saturado.

— Procurar novos mercados?

— Sim. E Portugal é um país que tem tanta influência global… Brasil, Moçambique, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, são mercados com muitos milhões de habitantes que devem ser explorados. Uma fonte de potencial lucro muito alto. É parâmetro chave para o crescimento do futebol português.

— Algo que distingue claramente o futebol português de futebol alemão ou inglês é a pressão em torno da arbitragem, as críticas constantes. É um fator de desgaste para quem vem de outro futebol?

— Sinceramente, não, porque eu não tenho qualquer tipo de envolvimento em relação à arbitragem e acredito que todos tentam fazer o melhor trabalho possível. Eu tenho muito respeito por isso e para mim nunca vai ser um árbitro a decidir se o Estrela da Amadora ganha ou não ganha. Essa decisão vai ser sempre nossa e o foco estará sempre no desempenho da equipa. Será sempre o parâmetro que decide se ganhamos, empatamos ou perdemos. Não tem importância e não está sequer dentro do meu alcance ou da minha influência. Os árbitros fazem o melhor trabalho possível e nós focamo-nos no que podemos fazer. No trabalho diário com a equipa, com o corpo técnico, com o staff. Tudo o resto não tem importância, nem vai ter.

— O Estrela ocupa o 12.º lugar na Liga. Está dentro do plano ou quer chegar já às provas europeias?

— Nos primeiros dois anos queremos criar uma identidade estável na Liga, mas nada temos contra. Nos últimos três, quatro jogos merecíamos ter feito mais pontos, se olharmos para as estatísticas tivemos mais ocasiões de golo e posse de bola do que os adversários. Os resultados poderiam ter sido diferentes. Mas, para mim, muito mais importante do que o resultado é o caminho em que nos encontramos e estamos a jogar bem. Temos uma equipa muito nova e sabemos que os jogadores novos oscilam e não vão estar toda a época ao mesmo nível. Eles têm toda a liberdade, porque vão acabar por crescer com a experiência e a chegar aos resultados que merecem.

— Há alguma hipótese de o Estrela, em janeiro, contratar jogadores como Thomas Muller, Hummels, Sommer ou Lucas Hernández?

– [risos] Thomas tem contrato [Vancouver Whitecaps], Yann Sommer tem mais dois anos e meio de contrato com o Club Brugge e Lucas Hernandez tem mais um ano de contrato com o PSG. São objetivos difíceis de concretizar neste inverno [risos]. Mas podemos aproveitar a experiência e as competências deles. E já estamos, aliás, muito adiantados no planeamento do mercado de inverno. Venho de uma realidade em que quero ter as coisas muito bem preparadas. Tudo o queremos está já planeado a 95 por cento e, na maioria dos casos, já efetuado. Claro que há sempre questões como as lesões ou ofertas a que não podemos dizer que não, mas estamos preparados para melhorar o plantel.

— Conhece Renato Sanches desde o Bayern, há um plano para Renato no Estrela da Amadora?

— Eu tenho muito boa relação com o Renato.

— Quer recordar-nos essa relação, que vem de 2016?

— Exatamente. Em primeiro lugar, uma pessoa top. Um miúdo com um coração muito grande e muito inteligente. Embora seja um grande jogador, neste momento estamos muito felizes com o plantel que temos. Tudo o que tenha a ver com o futuro será ainda avaliado. Obviamente, é um jogador livre e temos uma relação próxima, mas temos de avaliar em conjunto com o corpo técnico, com o mister e também com os investidores.

— Ele esteve perto de assinar pelo Estrela logo a seguir à vossa entrada? O que aconteceu?

— Houve um intercâmbio muito positivo, mas nunca chegou a ser uma questão concreta. Somos amigos, mas nunca foi uma coisa concreta. Essa parte não avançou.

— O que entende faltar ao Estrela da Amadora e poder ser resolvido a curto prazo?

– A curto prazo? Nós já mudámos muita coisa, trouxemos um novo diretor clínico, um novo diretor de performance, nutricionista, estamos a colaborar com plataformas digitais de performance e scouting. Merchandising, loja online, vamos ter também camisolas à venda no aeroporto. Estamos a mandar camisolas para lojas globais em Paris, Nova Iorque, Roma, Berlim. Sou suspeito para falar, mas temos uma das camisolas mais bonitas da Liga.

— Os investidores estão felizes com o projecto? E irão assistir no estádio ao encontro entre Estrela da Amadora e Benfica?

— Sim, os investidores estão muito felizes e temos um intercâmbio quase diário. Virão muitas pessoas para este jogo, no domingo a Amadora vai ser mais ou menos a sede do futebol mundial. Estarão Mats Hummels, Hamit Altintop, Hasan Salihamidzic, Claudio Pizarro, muitas outras pessoas do futebol internacional estarão cá.

— Conhece bem Vicent Kompany, treinador do Bayern, que teve problema grave de saúde recentemente, sofrendo um colapso que o levou ao hospital. Quer explicar-nos o que aconteceu?

— Felizmente, já está muito melhor. Já saiu do hospital. Na cabeça dele ainda é novo, 40 anos, estava doente, quis continuar a trabalhar e quando estamos em baixo há stress, o corpo deu o sinal de que já não era possível. Foi o caso dele. Felizmente não era grave, já conseguiu sair do hospital e está perfeito. É uma pessoa incrível e um dos melhores treinadores que já conheci na minha vida.

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