Receita para o SC Braga: «Um golo na primeira parte pode virar a eliminatória»
É pela voz de um dos treinadores mais capacitados para o fazer que chega a receita para o SC Braga: Nuno Campos, português que orienta os húngaros do ZTE e que venceu (2-1 e 3-1) os dois jogos que fez contra o Ferencváros na presente edição do referido campeonato.
A BOLA esteve à conversa com o técnico luso, que não ficou surpreendido com a exibição do emblema magiar na primeira mão dos oitavos de final da UEFA Europa League, duelo a que assistiu ao vivo.
«Não diria que foi muito acima do que costuma fazer, foi igual a si mesmo. É uma equipa forte fisicamente, agressiva nas bolas paradas e muito perigosa quando recupera e sai rápido para atacar», começou por dizer.
«O que senti foi que o SC Braga não conseguiu impor tanto o seu jogo como normalmente consegue. O SC Braga é uma equipa que gosta de ter bola e de controlar o ritmo, mas nesse jogo não conseguiu fazê-lo tantas vezes», explicou ainda. A derrota sofrida pelos arsenalistas foi dura, mas, na ótica de Nuno Campos, o resultado ainda pode ser invertido: «Um 0-2 é sempre uma desvantagem importante, mas o SC Braga tem qualidade mais do que suficiente para discutir a eliminatória, ainda por cima com a decisão no seu estádio. No futebol europeu já vimos muitas reviravoltas.»
E qual será, afinal, o segredo para que a equipa minhota possa dar a volta ao texto? «Se o SC Braga marcar na primeira parte, a eliminatória muda completamente de cenário. Será fundamental manter equilíbrio emocional, não conceder espaços nas transições e ir construindo o jogo com paciência. O SC Braga tem jogadores muito experientes, habituados a este tipo de jogos, o controlo das emoções não será um problema», projeta o português.
O coletivo é, claro está, o mais importante para que o sucesso possa ser alcançado, mas há dois elementos em destaque nos guerreiros que podem fazer a diferença. «O SC Braga precisa de atacar e explorar as costas do adversário, esta é, para mim, a grande chave que pode ajudar a uma reviravolta na eliminatória. Se o conseguir fazer, com jogadores da qualidade do Zalazar e do Ricardo Horta, a qualificação fica completamente em aberto», finalizou Nuno Campos.
Temporada corre de feição e há sonhos...
Nuno Campos chegou ao Zalaegerszeg (ZTE) no início da temporada e já conseguiu confirmar todos os seus créditos ao leme do conjunto magiar. Contra todas as expectativas — o objetivo do clube era apenas garantir a permanência —, o antigo adjunto de Paulo Fonseca (FC Porto, SC Braga, Shakhtar Donetsk e Roma, entre outros) e de Renato Paiva (Toluca) está a deixar a sua marca bem vincada e, por esta altura, tem o seu ZTE no 4.º lugar do campeonato da Hungria.
A formação orientada pelo técnico luso acalenta esperanças de apurar-se para a Conference League, estando ainda apurada para as meias-finais da Taça da Hungria, às portas, portanto, de poder lutar por tão prestigiado título. Atualmente, o ZTE está numa série de oito jogos sem perder, sendo que nos últimos 16 sofreu apenas um desaire. Tudo isto num clube com o orçamento mais baixo do campeonato e cujo plantel é o mais novo da Europa (média a rondar 22 anos).
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