Ferencváros venceu por 2-0 na primeira mão dos oitavos de final

Guerreiros à procura da identidade em Budapeste (crónica)

SC Braga nunca conseguiu ser dominador e autoritário na capital húngara. Muito competente a defender e pragmático a aproveitar os erros, Ferencváros conquistou vantagem importante para a visita ao Minho

Um mau passe de Pau Víctor, ainda no meio-campo defensivo, logo ao minuto 3, foi prenúncio para as dificuldades sentidas pelo SC Braga em Budapeste. Condicionada por um adversário que revelou boa organização defensiva, tanto no posicionamento como nos tempos de pressão, a equipa orientada por Carlos Vicens viu-se incapaz de dominar o jogo como tanto gosta, e que mesmo a nível nacional já conseguiu impor aos crónicos candidatos ao título, como ainda no passado sábado, frente ao Sporting.

Perante os primeiros sinais de perigo do Ferencváros, aéreos, a equipa portuguesa teve de responder em transição, mas Zalazar (26') e Dorgeles (27') não aproveitaram soberanas ocasiões para surpreender o heptacampeão húngaro.

Pouco depois, na sequência de mais uma recuperação no meio-campo ofensivo, o Ferencváros chegou mesmo à vantagem, por intermédio do israelita Gabi Kanichowsky (30'), a aproveitar a via que os jogadores bracarenses deixaram abrir no corredor central.

A reação do SC Braga foi tímida, sustentada sobretudo em lances de bola parada, e Hornicek ainda teve de evitar o segundo golo do Ferencvários, antes do descanso.

Na etapa complementar a formação orientada por Carlos Vicens já conseguiu ter posses de bola um pouco mais prolongadas, mas o mérito próprio andou a par de um consentimento estratégico do adversário. Consciente de que não teria energia para fazer a mesma pressão o jogo inteiro, o Ferencváros baixou ligeiramente as linhas e ficou à espera do espaço para sair em transição rápida.

Foi dessa forma que o francês Lenny Joseph, que já tinha feito a assistência para o primeiro golo da eliminatória, aumentou a vantagem do Ferencváros (69'), conquistando o estatuto de melhor em campo.

O treinador do SC Braga foi procurando mexer na equipa, mas o maior risco que assumiu, do ponto de vista tático, foi a troca de Pau Víctor por Fran Navarro. O receio de sofrer um terceiro golo terá pesado na gestão, mas a equipa portuguesa nunca conseguiu desmontar verdadeiramente o adversário, que manteve o onze inicial até ao minuto 84. Ainda que Gabri Martínez tenha agitado o jogo a partir da direita e Fran Navarro ainda tenha assustado na área contrária.

O SC Braga nunca conseguiu encontrar verdadeiramente a sua identidade, em Budapeste, no 190.º jogo europeu do presidente António Salvador, e com isso complicou seriamente o objetivo de passar aos quartos de final da Liga Europa.

A eliminatória não está, obviamente, fechada, mas para dar a volta ao competente Ferencváros, treinado pelo mítico Robbie Keane, os guerreiros do Minho terão de conseguir recuperar as suas armas para o duelo da segunda mão.

A época tem sido de altos e baixos, mas a melhor versão do SC Braga é capaz de dar a volta à situação e garantir o apuramento. Mas essa é a versão autoritária, dominante e atrativa que nunca apareceu por completo na visita à capital húngara.