Rali da Arábia Saudita foi cancelado e Sébastien Loeb é que paga
O Rali da Arábia Saudita foi retirado do calendário do Mundial de Ralis (WRC) de 2026, uma decisão motivada pela guerra no Médio Oriente e pelas consequentes dificuldades logísticas. O anúncio foi feito esta quinta-feira em comunicado conjunto pela Federação Internacional do Automóvel (FIA) e pelo promotor do campeonato.
Com esta alteração, a temporada de 2026 terminará mais cedo, com o Rali de Itália, na Sardenha, a tornar-se a 13.ª e última prova do ano, agendada para 1 a 4 de outubro. A mudança, contudo, ainda necessita da aprovação final do Conselho Mundial do Desporto Automóvel.
A prova saudita, que estava prevista para 12 a 15 de novembro, não foi totalmente cancelada. Manter-se-á nas mesmas datas, mas apenas como uma ronda pontuável para o Campeonato do Médio Oriente de Ralis.
No comunicado, a FIA e o WRC Promoter explicaram que, apesar dos esforços conjuntos com a federação saudita e a organização local nos últimos meses, a «persistência da incerteza na região e os seus efeitos na logística» levaram à decisão de remover a corrida do calendário mundial.
Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, lamentou a decisão, descrevendo-a como algo que «nunca são decisões fáceis, sobretudo depois do trabalho significativo realizado por todos os envolvidos». No entanto, o dirigente saudita assegurou que a confiança nos organizadores se mantém, apontando já para um regresso em 2027. «Continuaremos a trabalhar em conjunto com os nossos parceiros na Arábia Saudita e com o WRC Promoter para trazer de volta o Campeonato do Mundo de Ralis da FIA em 2027», garantiu.
Éric Boullier, administrador executivo do WRC Promoter, justificou a medida com a necessidade de garantir estabilidade às equipas. «A evolução da situação regional e os desafios logísticos daí resultantes significam que precisamos de proporcionar certeza e clareza para o que resta da temporada de 2026», afirmou o francês, sublinhando que a decisão não reflete qualquer falha na preparação por parte dos organizadores sauditas.
Esta visão foi corroborada pelo príncipe Khalid bin Sultan Al-Abdullah Al-Faisal, presidente da Federação Saudita de Automobilismo e Motociclismo, que declarou que «a Arábia Saudita estava pronta para receber o evento» e que os preparativos se encontravam numa fase avançada.
O cancelamento da prova saudita tem implicações diretas na luta pelo título. O britânico Elfyn Evans (Toyota Yaris) lidera o campeonato com 230 pontos, seguido pelo finlandês Sami Pajari (Toyota Yaris), com 213, e pelo sueco Oliver Solberg (Toyota Yaris), com 209. Com apenas 35 pontos em disputa na Sardenha, o campeão em título, Sébastien Ogier (Toyota Yaris), fica matematicamente afastado da revalidação, encontrando-se a 59 pontos do líder.
Nos construtores, a Toyota já assegurou o título de forma antecipada, alcançando o 10.º troféu do historial da marca e igualando o recorde que pertencia em exclusivo à Lancia.