Falta um líder ao Sporting
Dois empates consentidos nos últimos minutos em seis jogos no campeonato tiraram o pleno ao Sporting, tiraram-lhe a possibilidade de chegar a fim de semana de clássico na liderança e por isso na expectativa de tirar outro proveito do embate entre FC Porto e Benfica, que seguem à sua frente na classificação. Em ano de mudança estrutural no plantel e com as dificuldades inerentes a essa revolução, chegar à paragem para as seleções a liderar daria um conforto que assim se transforma em incómodo…
Aqui neste espaço já falei das vantagens que o Sporting desperdiça. Duas só nesta temporada (2-0 com o Estrela da Amadora que terminou em 2-2 e 1-0 ao Famalicão que acabou em 1-1 com empate na compensação, na Reboleira foi depois dos 80’), nove na época passada e cinco em 2024/2025, contando apenas desde a chegada de Rui Borges a 26 de dezembro de 2024. Total de 16! São 14 empates e duas derrotas.
Três vezes essas desvantagens foram desperdiçadas em casa, 12 fora e uma em campo neutro. E houve sete baldes de água bem gelada, porque derramados sobre a cabeça do leão para lá do minuto 90, mais quatro depois dos 80’. Só no campeonato, 13 empates, 13 vezes que em vez de três pontos o Sporting arrecadou apenas um, perdeu então 26 nestas circunstâncias. Só esta época quatro… Em 2024/2025, cinco empates todos na Liga, cinco pontos amealhados em vez de 15, embora sem comprometer um bicampeonato ganho com dois pontos de vantagem para o Benfica (82 contra 80). Na temporada passada, seis empates assim consentidos, seis pontos conquistados e 12 perdidos, num campeonato em que os leões ficaram em 2.º lugar com 82 pontos, menos seis do que o campeão FC Porto…
É um padrão que preocupa mas preocupa também ao Sporting faltar-lhe um líder. Aqui não me refiro ao treinador, antes a um líder dentro de campo capaz de ser voz de comando nas alturas em que os adversários ameaçam como o Famalicão começou a ameaçar nos últimos minutos mesmo a jogar com dez. Porque a revolução no plantel levou o capitão Morten Hjulmand de Alvalade deixando um vazio que o dinamarquês tinha preenchido quando Sebastián Coates saiu do Sporting.
Neste verão saíram também Trincão, Pedro Gonçalves e Daniel Bragança e do lote de capitães ficou Gonçalo Inácio. E o central, entre qualidades e defeitos, não tem perfil de capitão. E não há mal nenhum nisso, os jogadores não são todos iguais, as personalidades são todas diferentes e não é preciso ter jeito para usar a braçadeira para se ser um grande jogador. Mas ser capitão não é apenas ter braço esquerdo para a usar…
No final do jogo com o Famalicão, o desânimo leonino era grande mas também algum descontentamento com a arbitragem. E quem apareceu nas imagens a vestir as dores que um capitão tinha de sentir foi Luis Suárez ou Fresneda, Altimira também, quem deu a voz e a cara foi Maxi Araújo, que falou na zona de entrevistas rápidas.
O plantel tem candidatos a líderes e será importante que esses sejam voz dentro de campo na hora do aperto e fora dele quando é preciso dar a cara. Gonçalo Inácio tem outras qualidades… mas não essas.