Maria Martins, treinadora do Benfica, não esconde ambição. Foto: FPF

«Queremos recuperar a hegemonia do Benfica»

Maria Martins e Ana Catarina projetam uma época de ambição nos encarnados, depois de uma Supertaça conquistada logo no arranque. Foco está na conquista de todos os títulos

Maria Martins iniciou a primeira época no Benfica da melhor forma, com a conquista da Supertaça, mas sabe que o desafio passa por recuperar a hegemonia das encarnadas.

«O balanço inicial é extremamente positivo. Estamos numa fase de aquisição. Fizemos um jogo consistente na Supertaça, o que nos permitiu conquistar esse título que, na minha perspetiva, era o mais difícil, pelo pouco tempo que tínhamos de trabalho. Com o tempo e com o conhecimento que as jogadoras vão tendo daquilo que pretendemos, vai-se tornando mais fácil», disse, em declarações a A BOLA, no Media Day da Liga Placard feminina.

A treinadora encontrou um balneário exigente, mas preparado para continuar a crescer. «As jogadoras receberam-nos muito bem. É um balneário muito exigente, o que é bom, porque obriga-nos a ser melhores.» O objetivo é claro: «Recuperar a hegemonia que o Benfica tinha há uns anos, quando conquistava todos os títulos.»

Assume, ainda, ter chegado «ao topo do desporto feminino» e deixa ainda aberta a porta ao futsal masculino: «Sou treinadora de futsal, não de um género. Considero-me uma treinadora competente, independentemente do género. Gostava, sim», admite sobre a possibilidade de treinar uma equipa masculina.

A evolução do futsal feminino é outro dos temas destacados pela técnica, que defende novos passos para a modalidade. «É preciso mais mulheres no desporto, mais aposta e mais visibilidade.»

«Entramos sempre como favoritas»

Aos 33 anos, Ana Catarina, guarda-redes do Benfica e da Seleção Nacional, mantém intacta a ambição de conquistar títulos, apesar de uma carreira recheada de troféus e distinções individuais. «Sou viciada em competir e em ganhar», assume, em declarações a A BOLA, a internacional portuguesa, que encontra nessa fome e na procura constante pela perfeição a motivação para continuar. «Procuro a perfeição, mesmo sabendo que ela não existe. Isso faz-me estar sempre em alerta para dar mais e melhorar. Depois, também é o facto de o futsal ser a minha paixão. Sou uma privilegiada por o poder fazer, ainda para mais no Benfica, o clube que eu tanto amo e que é a minha casa.»

Ana Catarina é uma das figuras do futsal feminino português. Foto: FPF

Com a Supertaça já conquistada, o Benfica aponta agora a todas as restantes competições. «Os objetivo é ganhar todas as competições. Eventualmente, dependendo de ser organizado ou não, o tão falado torneio europeu também é um objetivo que temos.» A guardiã rejeita ainda que o estatuto de campeãs nacionais garanta alguma coisa dentro do campo: «O Benfica, em qualquer competição, entra sempre como favorito. Mas isto não entra em campo. Temos de provar a nossa qualidade.»

A guarda-redes, considerada a melhor do mundo, olha também com orgulho para a evolução do futsal feminino em Portugal. «É com muito agrado que vejo toda a evolução», destaca, recordando que, quando começou, «nem havia escalões de formação» e que hoje existem seleções jovens e até um Mundial. «Agora, o meu grande objetivo pessoal é que tenhamos uma a Liga dos Campeões no futsal feminino.» A internacional reconhece as dificuldades financeiras que a competição poderia trazer para muitos clubes, mas considera que seria «um passo extremamente importante para a evolução» da modalidade.

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