Benito entrou para marcar para o Estrela e empatar o jogo
Benito entrou para marcar para o Estrela e empatar o jogo

Quando o Sporting se partiu só faltou ‘estrela’ ao Estrela (crónica)

Pepa foi muito mais feliz nas decisões que tomou do que Rui Borges. À medida que cada um dos técnicos ia mexendo na sua equipa, os donos da casa ganhavam em agilidade e frescura, enquanto que os leões cometeram o pecado capital de deixar que os setores ficassem demasiado longe uns dos outros. Foi um Sporting em sofrimento que viu Abraham falhar o 3-2…

O primeiro jogo de campeonato é sempre uma caixinha de surpresas, de nada valendo o que cada equipa fez na pré-época. Esta deslocação dos leões à Reboleira não fugiu a essa regra e a turma de Rui Borges, que chegou a ser física e autoritária, sem nunca deslumbrar, deixou fugir uma vantagem de dois golos que parecia indicar o caminho dos três pontos, e revelou duas faces, a segunda mais preocupante, porque o sentido coletivo desvaneceu-se, passou a haver 50 metros entre ataque e defesa quando devia haver 25, e o Estrela da Amadora, que cresceu em frescura com as mudanças operadas por Pepa, viu-se livre das amarras que lhe impediram um rendimento melhor durante a primeira hora de jogo, e arrancou para um final empolgante que deixou o Sporting, ao mesmo tempo, num estado contraditório quando ouviu o apito final de João Gonçalves: por um lado suspirou de alívio por ter de acabado o estado de desconforto em que se encontrava; por outro, percebeu que deixou dois pontos na Reboleira, e que o estrago ainda podia ter sido maior.

A decisão de fundo, que terá sido tomada por todo o estado-maior leonino, de promover uma revolução no plantel, não podia deixar de ter custos imediatos, porque Roma e Pavia não se fizeram num dia e os automatismos existentes entre Hjulmand, Morita, Bragança, Trincão ou Pote não se recuperam, com outros protagonistas, por decreto. Rui Borges precisará de tempo, para encaixar as peças, para procurar chegar ao rendimento ótimo através de tentativa e erro, e isso tem custos, em forma de pontos. Antes de passarmos ao Estrela da Amadora, que nunca se desuniu e acreditou sempre que podia ficar com algo mais do que uma derrota honrosa, dever-se-á dar nota de que o Sporting inicial, apesar de tudo, foi melhor do que o ‘outro’.

Embora Altimira parecer demasiado posicional e pouco dinâmico, e Doumbia apresentar momentos de grande fulgor, e outros de apagamento completo,  aquilo que as alas foram fazendo (os dois miúdos na esquerda estiveram francamente bem), e sobretudo a excelência de Zalazar, chegaram para manter o Estrela em respeito, com pouco espaço para manobrar, e  obrigado a atenção permanente pela presença física de Ioannidis e pela ‘chegada’ do antigo arsenalista, um jogador verdadeiramente diferenciado.Rui Borges manteve o 4x2x3x1 da época passada, mas com dinâmicas completamente diferentes. Esta equipa está mais perra e previsível, deve definir-se quanto ao ponta-de-lança (Suárez entrou aos 60 minutos, e mostrou sempre estar à beira de um ataque de nervos), e não pode desunir-se como sucedeu na reta final. Nos últimos anos o Sporting habituou-nos a ser uma equipa que ganhava pontos nos últimos minutos e não um conjunto que desperdiçava vantagens.

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A procissão ainda está a sair da igreja, mas - embora seja retomada uma relação como passado logo que Fresneda e Maxi regressarem às suas posições -, a defesa pareceu fisicamente frágil sem Diomande (e Quaresma, apesar de ter culpas na jogada do 1-2, antes  tinha safado três lances de muito perigo) e, sobretudo, a inconstância emocional de Suárez, a entrada pouco convicta de Silas Anderson, a necessidade de adaptação de Derry e a falta de confiança de Luís Guilherme, podem explicar como uma jogo que estava controlado se ‘partiu’, e, de repente, os papéis entre Estrela  e Sporting se inverteram.

Estrela competente

Pepa, para a estreia frente aos leões, não precisou de inventar a pólvora para apresentar uma equipa sólida e coerente, que tinha o 4x3x3 por base, passando-o, com facilidade a 4x5x1 ou mesmo, menos vezes, a 4x4x2. O Estrela, que nunca quis inventar forçando saídas de bola demasiado trabalhadas, teve dificuldade em libertar-se ofensivamente na primeira parte, mas, sem recurso a qualquer autocarro, foi travando, a meio-campo, as tentativas dos leões.

Os forasteiros começaram por ameaçar aos 11 minutos por Flávio Gonçalves (boa defesa de Linck), podiam ter marcado, na sequência de um canto, sete minutos volvidos e tiveram a melhor ocasião aos 37 minutos, quando o guarda-redes do Estrela deteve um desvio à queima-roupa de Ioannidis, após grande trabalho de Zalazar. Mas não se pense que os donos da casa só viram jogar, já que obrigaram Eduardo Quaresma a aplicar-se em três situações, mostrando a utilidade da profundidade que é capaz de dar à defesa.

Zalazar não chegou

O segundo tempo começou com o golo de Zalazar, após assistência (?) de Catamo. Um bom golo, que parecia prenunciar uma vitória tranquila, tanto mais que os leões retiraram espaços (muito bem, diga-se) à imediata tentativa de reação do Estrela. Quando, aos 59 minutos, Ioannidis, após jogada brilhante do antigo jogador do SC Braga fez o 0-2, não terá havido quem não tenha pensado que só muito dificilmente a vitória fugiria ao Sporting.Foi então que, aos 61 minutos, Rui Borges trocou Ioannidis por Suárez e Flávio Gonçalves por Andersen, sem qualquer lucro para a sua equipa, o primeiro porque surgiu quezilento, o segundo porque nunca conseguiu entrar no ritmo do jogo.

Pouco depois (64), Robinho (saiu Santiago Serra) espevitou o meio-campo estrelista. A equipa da casa, após o 1-2, por Antonetti (72), irrequieto, bom de bola e difícil de marcar, meteu a carne toda no assador, com as entradas de Benito (brinca-na-areia com sentido de baliza) e Encada (muito poder físico) e esteve muito perto de empatar por Zvonarek (75). Rui Borges sentiu o perigo, lançou Fresneda e Luís Guilherme, mas o mal estava feito, a equipa partia-se cada vez mais e, pela primeira vez, teve-se a sensação de o Estrela estar mais fresco e ter mais espaço para desenhar as jogadas. A troca de Doumbia por Derry (82) pouco adiantou, e Benito fez o 2-2 dois  minutos depois (mal Rui Silva) numa espécie de crónica de um golo anunciado. Ficaram saciados os pupilos de Pepa? Não. Dois minutos volvidos valeu uma excelente mancha de Rui Silva a evitar o que parecia mais certo, o 3-2 por Abraham.

Até ao apito final, esteve mais confortável a turma da casa, com os leões a jogar sobre brasas, e o empate a ser, provavelmente, o resultado mais justo num jogo em que o Sporting parecia ter ganho, mas que esteve à beira da reviravolta total.

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