A decisão está nas mãos de Cristiano, se Deus quiser
Portugal terminou o ciclo de quatro jogos da Liga das Nações com quatro vitórias e sinais de crescimento exibicional que empolgaram os adeptos como poucas ou nenhumas vezes nos últimos anos. O momento positivo da Seleção Nacional ficou marcado, no entanto, pelo abandono de Cristiano Ronaldo, cuja versão dos factos está ainda por contar.
Nos últimos dias, começaram a surgir os sinais de mediação da FPF com o objetivo de evitar este final abrupto da maior figura da Seleção. Jorge Jesus não só aprovou a reconciliação como está mesmo interessado em convocar CR7 para os próximos jogos, já em novembro, conforme A BOLA avançou ainda durante o jogo com a Noruega. Afinal, o estatuto ainda vale tudo. Proença falou ontem finalmente, mas só à RTP e apenas para prestar uma «vénia» a Ronaldo. Regulamento? Não se aplica, suponho. Só faltou mesmo pedir desculpa.
Do capitão (sendo assim, não se pode dizer antigo capitão, certo?) ainda nada se sabe sobre a intenção de ouvir (ou não) a outra parte. Os cenários, nesta altura, parecem ser estes: ou CR7 não responde, ou dá uma nega à FPF e a Jesus e este foi mesmo um triste adeus; ou Cristiano acalma os gostos nas redes sociais e a narrativa à sua volta de traição e acede a um regresso, seja ele total ou por via de uma homenagem.
Aguardamos, portanto, a decisão de Ronaldo. Vinte e três anos depois, é ele quem vai escolher como acabar ou prolongar mais um bocadinho esta ligação tão benéfica para todos, muitas vezes mais desportivamente, outras financeiramente. Verdade seja dita: o próprio sempre disse que seria ele a decidir. E como a FPF claramente não está preparada para o fim, será assim tão surpreendente que tenhamos chegado até aqui? É como se o adeus de CR7 à Seleção fosse um permanente aquecer para não entrar.
No meio disto tudo, há uma equipa para gerir e em campo não parece haver grandes motivos de preocupação. Para alguns fãs (ou bots) os jogadores também serão traidores, mas se houver um português desinteressado em ver a qualidade que Portugal apresentou nos últimos jogos então confesso que também me apetece desistir.
A Seleção Nacional está apurada para os quartos de final da Liga das Nações, venceu adversários difíceis e apresentou a elevada nota artística que JJ tanto prometeu - e várias vezes cumpriu. Há motivos para entusiasmo e celebração, mas também há que esperar que quem ficou chateado por não jogar e partiu decida se quer voltar. É uma espécie de ato de fé: o treinador é Jesus, mas o futuro é se Deus quiser.