Miguel Gago, judoca da Académica de Coimbra    Fotografia IJF
Miguel Gago, judoca da Académica de Coimbra Fotografia IJF
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«O Mundial é aquilo para que nos preparamos um ano inteiro»

Miguel Gago (-66 kg) está pela segunda vez num campeonato do mundo, mas sente que agora é um judoca diferente daquele que se estreou no evento em Budapeste-2025

Após Catarina Costa (-48 kg) e o estreante Bernardo Tralhão (-60 kg) terem marcado a participação da Seleção no 39.º Mundial Baku-2026 com um 9.º lugar, esta segunda-feira Miguel Gago (-66 kg) será o único dos nove judocas que Portugal levou ao Azerbaijão a entrar em ação na National Gymnastics Arena.

Para o judoca da Académica de Coimbra (43.º do ranking), de 22 anos, trata-se da segunda participação num Campeonato do Mundo, e conta que surge agora mais experiente e confiante nas suas capacidades, depois de ter sido bronze no Grand Prix de Lima.

— Um ano depois da estreia em Budapeste-2024, este será o seu segundo Mundial. Está mais entusiasmado do que quando foi para o primeiro?

— Mais confiante e maduro, acho que são mais essas as palavras.

— No primeiro estava nervoso antes do combate, ou melhor, talvez naquelas horas antes de subir para o tapete? Sentiu o peso de ser o primeiro Mundial?

— Sim, senti o peso. Não foi tanto por se tratar do primeiro Mundial, foi mais por sentir que se tratava de uma experiência diferente. Senti uma atmosfera muito mais pesada comparada com outras provas em que havia estado.

Seleção Masculina

-60 kg Bernardo Tralhão 1.º Mundial ACM

-66 kg Miguel Gago 2.º Mundial Académica

-73 kg Otari Kvantidze 3.º Mundial Sporting

-100 kg Jorge Fonseca 10.º Mundial Sporting

— O Mundial é muito diferente de um Grand Slam?

— Acho que sim, é muito diferente.

— Por causa da pressão do título ou por causa de quem lá está a combater…?

— Não sei, acho que envolve tudo. Pelo muito trabalho que é feito, porque existe um título, também pelas pessoas que lá estão, como é óbvio… É diferente. Estamos todos atrás do mesmo: ser campeão. Grand Slams há muitos e são mais provas de circuito, em que uma corre bem, a outra corre mal… É o que é. Agora, o Campeonato do Mundo, foi para isto que nós nos preparámos um ano inteiro.

Seleção Feminina

-48 kg Catarina Costa 8.º Mundial Académica

-63 kg Joana Crisóstomo 2.º Mundial U. Lusófona

-70 kg Taís Pina 3.º Mundial Algés

-78 kg Patrícia Sampaio 6.º Mundial Gualdim Pais

+78 kg Rochele Nunes 5.º Mundial Benfica

— Preparou-se para este Mundial; o que é que procurou especificamente para este campeonato?

— Dou sempre o máximo, seja para o Mundial, seja para outras competições. Sempre que entro no treino dou tudo o que posso, por isso digamos que, neste sentido, acho que não houve nada de diferente.

— Não procurou técnicas novas durante o verão? Elevar os níveis de resistência, porque quem pretende chegar longe na prova tem de ter resistência?

— Lá está, cumpro o que me é dito para fazer, que é o que o meu treinador [João Neto] manda, e isso tento sempre cumprir ao máximo e dar o meu 100 por cento. Acredito no meu trabalho e no trabalho dele, pois sei que está aqui para o mesmo do que eu: para ganharmos em conjunto. Ele diz o que é necessário e a única coisa que posso fazer é dar o máximo naquilo que me está a indicar. Penso que, confiando neste trabalho, as coisas correm sempre bem.

— E o João, pediu-lhe para fazer coisas novas durante o verão?

— Fez o planeamento dele, diferente por se tratar do Mundial em relação às outras provas, Grand Slams e Grand Prix que tivemos este ano. Mas sim, foi diferente. Mais exigente, mais profissional e o que achava ser melhor para mim.

— Disse que desta vez vem mais confiante pois não é a primeira vez que está num Campeonato do Mundo, portanto já sabe o que aí vem em termos de ambiente. Mas no que se refere às suas capacidades física e técnica, o que é que isso lhe permite sonhar?

— Gosto sempre de me focar nas tarefas que tenho a certeza de que vou ter de fazer; neste caso, será o primeiro combate [contra o britânico Michael Fryer, 63.º do ranking]. É a única tarefa que é certa e é nisso que me vou concentrar. Estou confiante de que tenho capacidades para disputar este Mundial e é para isso que vim.

O que acontece na prova ninguém consegue prever: há muitas nuances, existe o sorteio, atletas que surpreendem e ganham a alguém que não estávamos à espera e afinal vamos lutar contra outro e não aquele com que contávamos… Existe uma mistura de vários acontecimentos no dia da competição que nos permite chegar longe, mas no que depende de mim sinto estar preparado para tudo.

— E é dos judocas que gosta de saber antecipadamente contra quem vai ter de combater dois dias depois ou daqueles que só gostam de saber mais tarde?

— Vejo o sorteio logo quando sai. Para mim é um bocado diferente, até para depois fazer o estudo da luta e do adversário com o meu treinador.

— Gosta de ter tempo para se preparar?

— Sim, tenho de ter. É como se fosse um treino a que não posso faltar.

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