Folarin Balogun
Folarin Balogun - Foto: IMAGO

O polémico perdão a Balogun tem um precedente: Garrincha em 1962

Lenda brasileira foi expulsa nas meias-finais do Mundial, mas jogou a final e venceu-a devido ao desaparecimento do árbitro. Até há uma curiosa comparação a Trump e Infantino

A decisão da FIFA de suspender o castigo de Folarin Balogun, permitindo-lhe jogar nos oitavos de final do Mundial 2026, está a gerar controvérsia, mas não é um caso inédito. Há 64 anos, no Mundial 1962, o brasileiro Garrincha também foi alvo de um perdão semelhante após ter sido expulso nas meias-finais.

O avançado dos Estados Unidos deveria falhar o jogo contra a Bélgica devido a um cartão vermelho visto diante da Bósnia, mas viu a sua sanção ser «suspensa» pela FIFA. A decisão do organismo que rege o futebol mundial surgiu após um apelo de Donald Trump, o que desencadeou a fúria da imprensa internacional, que aponta para uma clara ingerência do presidente norte-americano.

Contudo, este episódio tem um paralelo histórico. Em 1962, a lenda brasileira Garrincha foi expulsa na meia-final contra o Chile, mas acabou por poder disputar e vencer a final do torneio. Num artigo de julho de 2025, o The Athletic recordou o sucedido. Garrincha foi a grande figura desse Mundial, e na meia-final contra a seleção anfitriã, marcou dois golos e fez uma assistência para Vavá na vitória por 4-2.

No entanto, perto do final do encontro, e perante uma equipa chilena descrita como «particularmente brutal», o extremo brasileiro reagiu a mais uma entrada de Eladio Rojas, dando-lhe «um golpe traiçoeiro» por trás, o que lhe valeu a expulsão. Naquela altura, segundo o mesmo meio de comunicação, «a suspensão de um jogo após um cartão vermelho não era obrigatória», mas é de salientar que «os outros cinco jogadores expulsos durante o torneio receberam todos essa sanção».

Brasil venceu o Mundial 1962 com Garrincha e com Pelé lesionado no início da competição
Brasil venceu o Mundial 1962 com Garrincha e com Pelé lesionado no início da competição

O perdão a Garrincha foi possível, em parte, devido ao misterioso «desaparecimento» do árbitro assistente do jogo, Esteban Marino. Foi ele quem alertou o árbitro principal para a falta do brasileiro. Contudo, Marino, que era esperado na comissão de disciplina para testemunhar, «não compareceu» e parecia até «ter saído do país», relata o The Athletic. Sem o seu testemunho, não houve castigo.

O artigo menciona ainda um «forte lobbying» da delegação brasileira no Chile, que incluía o primeiro-ministro Tancredo Neves, e uma possível intervenção do então presidente da FIFA, Stanley Rous. Por sua vez, o site oficial da FIFA refere uma petição apoiada por Jorge Alessandri, presidente do Chile até 1964, para que Garrincha, já campeão do mundo em 1958, pudesse jogar a final.

Com Garrincha em campo, e na ausência de Pelé, que se lesionara no início da competição, o Brasil venceu a Checoslováquia por 3-1 e sagrou-se campeão do mundo.

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