Presidente da Liga, eleito para a liderança da Federação Portuguesa de Futebol, marcou presença nas cerimónias fúnebres do histórico presidente do FC Porto

Proença disse adeus à Liga e visou os desafios que se avizinham

Dirigente vai assumir direção da Federação Portuguesa de Futebol, numa altura em que os candidatos já se posicionam para o substituírem

Chegou ao fim a era de Pedro Proença à frente da Liga de clubes. Após pouco menos de 10 anos na presidência da organização, o antigo árbitro despediu-se da mesma esta sexta-feira, em Assembleia Geral (AG) e depois na XIV Cimeira de Presidente (na qual Rui Costa não esteve envolvido), para poder assumir a liderança da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) na próxima segunda-feira.

Foi na AG que o cessar de funções foi oficializado. Helena Pires, vista como o braço direito de Proença, irá presidir a Liga de forma interina enquanto não se realizarem as eleições para o cargo. No entanto, a ligação de Proença à Liga não terminou por completo, porque o dirigente foi aceite como Associado Honorário.

Helena Pires será também a primeira mulher de sempre a assumir esta pasta, uma transição que foi aprovada pela direção da Liga, composta por representantes de Benfica, FC Porto, Sporting, Casa Pia, Rio Ave, Paços de Ferreira, Chaves e Vizela.

Pedro Proença com Helena Pires (Foto: LUSA/JOSÉ COELHO)

As eleições para eleger um presidente definitivo até junho de 2027 serão marcadas «nos próximos dias», como revelou a Liga em comunicado no final da AG. Helena Pires é que não deverá ser uma candidata, porque seguirá para a FPF com Proença, como secretária-geral.

No entanto, A BOLA sabe que a data a apontar para estas eleições é a de 24 de abril. Os quatro putativos candidatos (ainda nenhuma candidatura é oficial), são: Reinaldo Teixeira (presidente da AF Algarve), Júlio Mendes (ex-presidente do Vitória de Guimarães), Alexandrina Cruz (presidente do Rio Ave) e João Fonseca (português que trabalha na área dos direitos televisivos da FIFA).

Ausência de Rui Costa 

O Benfica fez-representar nesta reunião por Lourenço Coelho, diretor-geral do futebol do clube, e não pelo presidente Rui Costa, sendo assim a exceção à regra dos seus maiores rivais. Frederico Varandas (Sporting), André Villas-Boas (FC Porto) e SC Braga (António Salvador), representaram os respetivos clubes.

Presidente do Vitória de Guimarães, António Miguel Cardoso, representantes do Benfica, Lourenço Coelho e Sílvio Cervan e o presidente do Sporting, Frederico Varandas, durante a XIV Cimeira de Presidentes (Foto: LUSA/JOSÉ COELHO)

A reunião magna, serviu também para a aprovação de várias contas do primeiro semestre desta época, como revelou a Liga: «O resultado operacional projetado para o final da temporada é de 1,1 milhões de euros e com rendimentos históricos acima dos 31 milhões de euros.»

Cimeira da despedida 

Após a AG, realizou-se então a XIV Cimeira dos Presidentes, que fora adiada desde a última segunda-feira devido ao funeral de Jorge Nuno Pinto da Costa, ex-presidente do FC Porto e que também presidiu a Liga de clubes em 1996. Foi nesta ocasião que Pedro Proença se despediu oficialmente do cargo que ocupava desde 30 de julho de 2015, num discurso onde salientou a união, afirmou o papel de liderança que a FPF terá no futebol português e abordou a centralização dos direitos televisivos da Liga.

«Neste último dia enquanto Presidente da Liga Portugal, não posso deixar de expressar o orgulho que sinto por estes dez anos de trabalho desenvolvido à frente das competições profissionais. Parto deixando uma instituição financeiramente sólida, tendo sido possível recuperar uma organização em pré-insolvência e transformando-a numa instituição preparada para o futuro.»

«Sem falsas modéstias», continuou Proença, «atrevo-me a dizer que deixámos, hoje, um novo futebol profissional, muito diferente daquele que encontrámos em 2015, e esse é, sem sombra de dúvida, o nosso maior orgulho.»

Depois do orgulho, o dirigente comentou o legado que a sua direção deixou: «É esta união que, hoje, se vive à volta do futebol profissional, esta capacidade de gerar consensos, nem sempre convergentes na totalidade, mas percebendo que a indústria do futebol tem de viver com a soma de todos.»

Por fim, um dos temas em destaque foi a centralização dos direitos televisivos da Liga: «Temos de completar a centralização dos direitos audiovisuais, a alteração dos quadros competitivos, a redução dos custos de contexto. Há uma panóplia de desafios que temos pela frente e o compromisso que hoje assumimos, a futura FPF e os clubes do Futebol Profissional, é que estaremos todos juntos e, de uma vez por todas, o Futebol português terá uma só voz de liderança e essa será assumida pela FPF.»