Proença: «Diogo Jota é um inspirador para a Seleção e para todos nós»
Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), marcou presença na apresentação da biografia oficial de Diogo Jota, intitulada «Diogo Jota - Nunca mais é muito tempo», da autoria de José Manuel Delgado, antigo Diretor-Adjunto de A BOLA e colaborador do jornal, que foi lançada oficialmente nesta sexta-feira. O livro conta com prefácio da autoria do dirigente.
«Diogo Jota acaba por ser uma referência daquilo que representou para a nossa Seleção. Também o André, noutro patamar. Num momento muitíssimo especial, em que dentro da própria Seleção, acaba por ser evocado como a nossa Seleção e mais um. É um bocadinho isto que transportamos connosco numa altura em que vamos para o Campeonato do Mundo com muita esperança e uma grande vontade de ganhar. O Diogo Jota é um inspirador para a Seleção e para todos nós. Foi o tributo que podemos prestar ao Diogo Jota, à família e àquilo que representou para nós e irá representar para o futuro», comentou, em declarações aos jornalistas, numa cerimónia que teve lugar nas instalações da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) no Porto.
Pedro Proença confessou ainda que Diogo Jota dará mais força a Portugal para conquistar o Campeonato do Mundo: «O Diogo Jota foi muitíssimo inspirador por aquilo que representava. É trazer com ele a esperança e grande vontade que tinha, fará sempre parte deste grupo. É com essa esperança que vamos para o Mundial, com a vontade de ganhar.»
«Diogo Jota era uma pessoa simples, caseiro»
José Manuel Delgado, autor da biografia de Diogo Jota, que conta com 90 testemunhos de familiares, amigos e colegas, falou aos jornalistas sobre o processo «complexo» da escrita da obra.
«Foi um processo complexo, que só foi possível devido à coragem da família do Diogo Jota e do André, dos amigos também. A coragem deles permitiu que o livro fosse feito. Sem vontade deles de perpetuarem o nome e a memória do Diogo e do André, não haveria nada para dizer e fazer. Tendo optado por manter o silêncio perante a generalidade dos meios de comunicação, entenderam que uma biografia, feita também em parceria com a FPF, seria um lugar onde se sentiriam seguros e confortáveis para contar o período mais negro da vida deles», apontou, em declarações aos jornalistas, destacando o antivedetismo de Diogo Jota.
«Muitas pessoas ficaram com alguma surpresa quando perceberam que o Diogo tinha alugado um Ferrari para vir para Portugal e um Lamborghini para regressar a Inglaterra. O Diogo não ligava a relógios, joias, carros. A Rute tinha um carro, que era bom mas não topo de gama. O Diogo também. Depois tinham uma carrinha, porque tinham três filhos e três cães. Não era um fã de carros. Essa dúvida foi-me dissipada pelo Rúben Neves, que teve uma conversa com ele. O Diogo disse: 'Vou casar, tenho de fazer alguma coisa diferente. Então quero aparecer no casamento com um Ferrari'. Depois, como o André era para ter feito a viagem com ele para Portugal e não fez, quis que o irmão fizesse a viagem com ele para Inglaterra e tivesse a experiência de ir num carro diferente. No fundo, é algo que normalmente não faria. Era uma pessoa simples, caseiro. Gostava de jogar PlayStation e receber os amigos em casa e jogarem jogos de tabuleiro. Não bebia, não fumava, não ia para discotecas. Depois há outro aspeto que o livro mostra: o amor que havia por ele em Liverpool. É muito importante e interessante. Só depois de ter estado em Liverpool durante uma semana e ter falado com muita gente é que consegui perceber a onda de amor que se gerou em torno do Diogo. Era um jogador adorado pelos adeptos», completou.