Aryna Sabalenka assumiu o protesto e já chegou a ameaçar com boicote aos Grand Slams. IMAGO
Aryna Sabalenka assumiu o protesto e já chegou a ameaçar com boicote aos Grand Slams. IMAGO

Sabalenka dá a cara por protesto em Roland Garros: «É minha obrigação»

A n.º 1 do 'ranking mundial' diz que a decisão de limitar o tempo disponível no 'media day' defende jogadores com ranking mais baixo e que não é fácil viver com o que recebem

A tenista bielorrussa Aryna Sabalenka afirmou que sente a responsabilidade, enquanto número um mundial, de defender os jogadores com rankings mais baixos e lutar por uma distribuição mais justa das receitas no circuito profissional.

Numa declaração em que abordou as recentes tensões entre jogadores e organizações do ténis, Sabalenka garantiu que a discussão vai muito além dos atletas de topo.

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«Sinto que o ponto principal aqui não sou eu. É sobre os jogadores que estão mais abaixo no ranking, que estão a sofrer. Não é fácil viver neste mundo do ténis com a percentagem que estamos a receber», explicou a bielorrussa, candidata aos 2,8 milhões de euros que estão destinados ao vencedor em Roland Garros.

A líder do ranking WTA explicou que considera ser sua obrigação dar voz a quem enfrenta maiores dificuldades financeiras no circuito.

«Como número um mundial, sinto que tenho de me levantar e lutar por esses jogadores. Pelos jogadores de níveis mais baixos, pelos que estão a regressar de lesões, pela próxima geração», argumentou.

Milhões na ordem do dia

A tensão entre a elite do ténis mundial e os Grand Slams está a atingir um ponto crítico. A aliança informal dos vinte melhores jogadores, conhecida como Project RedEye, manifestou o seu descontentamento após o anúncio do prémio monetário de Roland-Garros para 2026, considerando o aumento insuficiente e sentindo-se desrespeitada pela falta de consulta prévia. Os jogadores sentem que a percentagem de 13 a 15% das receitas que os Grand Slams lhes destinam é quase um insulto, especialmente quando comparada com os 22% já praticados pelos principais torneios ATP e WTA.

No caso do segundo Grand Slam da temporada, tenista que entre no quadro principal, mas que perca na primeira ronda do torneio francês recebe 87 mil euros e se conseguir chegar aos quartos de final soma 470 mil. O finalista derrotado ganha 1, 400 milhão de euros.

«Sinto que a nossa posição é bastante clara e bastante justa para toda a gente. É disso que se trata», insistiu.

Questionada sobre um eventual boicote, a tenista reiterou a posição já assumida anteriormente, sublinhando que os jogadores pretendem agir de forma respeitosa, especialmente em relação aos media.

«Mantenho as minhas palavras. No início, só queríamos fazê-lo de uma forma respeitosa».

A bielorrussa fez ainda questão de separar os jornalistas das decisões que estão a ser contestadas pelos jogadores.

«Vocês sabem o quanto vos respeitamos e apreciamos. Não é uma decisão vossa e isto não é sobre vocês. Estamos apenas a tentar lutar por uma percentagem justa», repetiu.

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