Presente e futuro de Echeverri: o plano do Benfica
Claudio Echeverri estreou-se a titular no Benfica no jogo de quinta-feira frente ao Omonia (4-1), no Chipre, na 3.ª jornada da fase de liga da Liga Europa, e o médio ofensivo argentino de 20 anos destacou-se como a principal figura do desafio, tendo sido considerado por A BOLA o melhor jogador em campo. No final, o jogador deixou claro que está feliz no clube encarnado e que deseja continuar além do empréstimo do Manchester City às águias, até ao final da temporada.
«Saíram grandes jogadores argentinos do Benfica e espero que eu e Prestianni consigamos continuar a tradição dos que tiveram sucesso», disse Claudio Echeverri depois do jogo com o Omonia, admitindo que «seria lindo» manter a titularidade e, a seguir, abrindo a porta a uma continuidade nas águias depois de 2026/2027: «Espero continuar, mas estou tranquilo, passo a passo e mais tarde se verá.»
O Benfica salvaguardou o futuro no negócio e no acordo de empréstimo com os ingleses assegurou uma cláusula de opção de compra no valor de €21 milhões. Apesar do entusiasmo que Echeverri mostrou no Chipre, o jovem argentino está ainda a começar a mostrar-se e a SAD, sabe A BOLA, não pretende precipitar-se, até pelo investimento elevado que implicará avançar para a contratação em definitivo do criativo sul-americano, e só perto do final da época tomará uma decisão. Tem, porém, um contrato preparado para apresentar a Echeverri.
Para Claudio Echeverri, tem sido muito importante encontrar Gianluca Prestianni e Enzo Barrenechea no balneário, compatriotas e amigos que o têm ajudado na adaptação à nova realidade. Esta sexta-feira, depois de publicação de Echeverri nas redes sociais a propósito da vitória frente ao Omonia, mais um sinal da sintonia e amizade dos três. «Que festejas?! O golo não foi teu!», comentou Prestianni. «Fazemos de conta que foi dele e agora que pague alguma coisa», juntou Enzo.
Independentemente do futuro próximo, Claudio Echeverri deu um passo importante para convencer o Benfica a apostar nele e no imediato reforçou candidatura a continuar no onze inicial de Marco Silva. O argentino, além de vários lances interessantes, frente ao Omonia ficou diretamente ligado ao primeiro golo das águias — um autogolo, depois de remate de cabeça de Echeverri — e também ao segundo — marcado por Vangelis Pavlidis na sequência de um cruzamento de Echeverri, mas depois de Alexander Bah permitir ao guarda-redes a primeira defesa.
Echeverri concorre diretamente com o ucraniano Sudakov pela posição 10, atrás do ponta de lança, e foi muito elogiado pelo treinador nos momentos em que jogou.
«Agradou-me bastante. Num momento decisivo do jogo, um momento em que ele tem de entrar e que joga numa posição em que tem de ser decisivo, tem de assumir. Agradou-me a forma como ele assumiu, a forma como não teve medo de procurar a bola, a forma como, em muitas tabelas e momentos curtos, conseguiu, à entrada da área. [...] É um jogador muito criativo, é um jogador que, entre linhas, nos vai dar coisas muito boas», disse Marco Silva, sobre Echeverri, depois da vitória frente ao Gil Vicente, a 13 de setembro, quando o argentino fez os primeiros (18') minutos, e contribuiu com uma assistência para a vitória por 3-1 na 6.ª jornada 6 da Liga.
Echeverri tem duas assistências em quatro jogos com a camisola do Benfica, apenas um na condição de titular — o último, no Chipre. Falta ao jovem argentino voltar a festejar um golo. Echeverri não marca desde 14 de março deste ano, altura em que assinou um golo e uma assistência na vitória por 3-0 do Girona frente ao Athletic Bilbao, na 28.ª jornada da Liga espanhola. E, antes desse golo, é preciso recuar a 23 de junho de 2025, quando marcou num particular do City frente aos árabes do Al Ain (6-0).
Quinta-feira, frente ao Omonia, segundo dados do site sofascore, Echeverri fez cinco remates, um enquadrado e dois bloqueados, percorreu 134,4 metros com a bola controlada, recuperou quatro vezes a bola e terminou com 85 por cento de acerto no passe (40 de 47); de 88 por cento se observarmos apenas os passes realizados pelo jogador no meio-campo adversário (37/42).
Os números sustentam que Echeverri é um jogador diferenciado com a bola nos pés, tendo ainda de crescer no equilíbrio defensivo e na forma como pressiona a saída de bola dos adversários.
Apesar de o treinador contar principalmente com a capacidade do jovem argentino para assumir o jogo, aparecer em zonas de finalização ou de último passe, o aspeto defensivo foi também trabalhado por Marco Silva durante as três semanas em setembro/outubro no Seixal, quando as competições pararam para os jogos das seleções e Echeverri se manteve a trabalhar no campus do clube.
Nesta altura, Echeverri jogou 18 minutos com o Gil Vicente (3-1), 31' com o V. Guimarães (2-0), 26' contra o Celtic (4-1) e 69' no duelo com o Omonia (4-1) — fez duas assistências e deixou boas indicações a Marco Silva, lançando maior dúvida sobre a equipa titular e desafiando, também, o Benfica a avaliar o investimento num jovem que já foi considerado uma das maiores promessas do futebol argentino.
Convidado pela BTV, em conjunto com Saviola, outro craque argentino que brilhou no Benfica, Pablo Aimar, falou de Echeverri e disse acreditar que o presidente dos encarnados teve influência grande na contratação de Echeverri. «Claudio é um número 10 e Rui Costa sabe ver bem os números 10. Não é tão organizador, mas tem visão de jogo e é também um finalizador. [...] Gosta de assumir o protagonismo de jogo, gosta que lhe deem responsabilidades. O Benfica escolheu.» Se Pablo Aimar valida...
Depois de empréstimos que não forem bem sucedidos ao Leverkusen (11 jogos) e ao Girona (um golo e uma assistência em 16 jogos), ambos na época passada, Echeverri parece reencontrar no Benfica o caminho certo para afirmar o seu talento.