Prestianni abraça Echeverri, respetivamente extremo e médio ofensivo do Benfica (foto: Imago)
Prestianni abraça Echeverri, respetivamente extremo e médio ofensivo do Benfica (foto: Imago)

Benfica: comprar 'El diablito' Echeverri

Echeverri foi comprado pelo Manchester City, porque os grandes clubes já não esperam que talentos destes passem por clubes como os portugueses

A operação montada pelo Benfica para a contratação de Claudio Echeverri aparenta ser, sob a ótica financeira, um bom exercício. Houve uma boa gestão de oportunidade.

No futebol de hoje, os grandes clubes europeus apontam já aos principais e emergentes talentos da América do Sul e vão lá buscá-los diretamente sem passarem, como acontecia até há uns anos, por clubes como os portugueses. Há exceções, sendo a maior de todas Enzo Fernández, contratado pelo Benfica quando já era uma certeza tão grande como Julián Alvarez, o colega de ataque que hoje joga no Atlético de Madrid e que o Manchester City recrutou primeiro.

Claudio Echeverri despontou no River Plate, tal como aqueles dois compatriotas. Mas enquanto Julián e Enzo tiveram tempo de crescimento - o médio chegou a estar emprestado ao Defensa Y Justicia - ‘El diablito’ teve período mais breve na primeira equipa. O ManCity tinha contratado Alvarez, mas escapou-se-lhes Enzo na altura e não quis cometer o mesmo pecado: pagou por Echeverri e manteve-o em Buenos Aires por um ano.

É preciso entender Echeverri nesse contexto, tal como a Mastantuono, outro rapaz que subiu à primeira equipa e que o Real Madrid, aplicando a lógica do ManCity, se apressou em contratar.

O Benfica, lá está, teve de ir mais fundo. Sem a capacidade financeira de City e Real, foi ao Vélez Sarsfield garantir um miúdo que era seguido desde os 16 anos, mas que só quando completou 18 pôde assinar. Os encarnados, mesmo assim, pagaram 9M€ à cabeça por Gianluca Prestianni.

Na Argentina, por aquelas alturas, Echeverri era um jogador «maior» que Prestianni e com 20 anos ainda tem de ser considerado um dos grandes talentos emergentes daquele país.

Mas é a parte de negócio que interessa primeiro. Os 21M€ da opção de compra são um valor dentro dos padrões encarnados para jogadores de potencial similar, faltando saber detalhes contratuais com Echeverri. Ao aceitar uma cláusula de recompra pelo Manchester City nos 50M€, a direção encarnada garantiu algum safe floor, ou seja, um «piso de proteção», que lhe poderia dar um lucro de 29M€. Caso o ManCity não avance, a abertura para negociar acima uma futura transferência é uma boa perspetiva.

Contudo, um bom contrato não substitui o rendimento no relvado. E é precisamente aqui que a prudência política deve sobrepôr-se. Seria precipitado avançar já para o exercício da opção de compra. O rendimento desportivo de Echeverri ainda se encontra numa fase embrionária e o Benfica já «desperdiçou» demasiados 20 milhões em mercados mais e menos recentes.

É preciso ter alguma garantia de que o argentino pode ser um titular indiscutível e decisivo, e não apenas um tremendo ativo de rotação. Se assim for, a decisão de compra tomar-se-á por si mesma.

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