A homenagem de Room - Foto: IMAGO
A homenagem de Room - Foto: IMAGO

Pioneiro marcado por tragédia: o herói de Curaçau no Mundial 2026

Eloy Room fez história com uma exibição inacreditável diante do Equador. Do percurso no Vitesse ao êxito na MLS. Chamada de lenda dos Países Baixos mudou-lhe a vida

O nome de Eloy Room ficou eternizado na história dos Mundiais após uma exibição estratosférica do guardião de Curaçau contra o Equador. O guarda-redes de 37 anos efetuou 15 defesas na segunda jornada do Grupo E, resgatou o primeiro ponto da história para a pequena nação com pouco mais de 150 mil habitantes... e quebrou um recorde que tinha mais de 40 anos.

Room superou as 13 defesas efetuadas pelo peruano Ramón Quiroga em nulo contra os Países Baixos em 1978 e fixou novo máximo de defesas em 90 minutos na história dos Mundiais (15). O guardião admitiu, ainda assim, que ficou «um pouco chateado» por ter ficado a uma parada de Tim Howard, dos EUA, que defendeu por 16 ocasiões ao longo de 120 minutos contra a Bélgica, no Mundial 2014.

«Acho que agora preciso de uma estátua em Curaçau», brincou no final da partida o guarda-redes veterano, que foi um dos primeiros jogadores profissionais a aceitar o convite para representar Curaçau.

Eloy Room, tal como a larga maioria dos companheiros de equipa, nasceu nos Países Baixos, mais concretamente em Nimegen. O guarda-redes escalou os escalões de formação do Vitesse e chegou à equipa principal em 2009. Seguiram-se oito temporadas no clube (e uma emprestado ao Go Ahead Eagles, em 2013/14).

Room no Vitsse, em 2009 - Foto: IMAGO

Room, filho de pai natural de Curaçau, vivia uma das melhores temporadas ao serviço do Vitesse quando recebeu um convite de uma lenda. «Quando Patrick Kluivert me contactou para jogar pela seleção nacional, senti-me extremamente lisonjeado, porque ele é uma grande lenda. Fiquei surpreendido e muito orgulhoso», contou no final da partida contra o Equador.

O convite de Kluivert, então selecionador de Curaçau, precipitou a primeira de 74 internacionalizações a estreou-se a 6 de junho de 2015, contra Trindade e Tobago. Room foi um reforço de peso para uma seleção que tinha realizado o primeiro jogo apenas quatro anos antes.

O guardião rapidamente se tornou uma das figuras de Curaçau, que fez história em 2017 ao vencer a Taça das Caraíbas e, consequentemente, qualificar-se para a Gold Cup no mesmo ano. A pequena nação já disputou mais três edições da prova desde aí.

Room e Dumfries no PSV - Foto: IMAGO

Em paralelo, Room deu o salto para o PSV em 2017 após ter conquistado a Taça dos Países Baixos ao serviço do Vitesse. Cinco jogos pela equipa principal e uma Eredivisie conquistada depois, o guardião rumou ao Columbus Crew, da MLS, no mesmo ano em que a seleção de Curaçau viveu uma tragédia.

Jairzinho Peter, habitual guarda-redes suplente na seleção, morreu a 9 de setembro de 2019, vítima de ataque cardíaco, durante um estágio de Curaçau. Room e a restante equipa homenagearam o colega com uma oração, posteriormente publicada nas redes sociais.

Sete anos depois, o novo herói de Curaçau não esqueceu o amigo num dos pontos altos da carreira. Room levantou para as câmaras uma camisola adornada com o rosto de Jairzinho Peter e uma frase sentida: «Isto é para ti. Com amor, Curaçau.»

Estados Unidos no percurso

Eloy Room relançou a carreira nos Estados Unidos em 2019, ao serviço do Columbus Crew. O guardião de 37 anos disputou 102 jogos e conquistou duas ligas em cinco temporadas, antes de regressar ao Vitesse em 2023/24.

O novo herói de Curaçau não evitou a descida de divisão da Eredivisie e rumou ao Cercle Brugge. Room disputou apenas dois jogos na Bélgica, mas, em paralelo dava vida ao sonho da respetiva seleção. A poucos passos dos 40 anos, o guarda-redes sofreu apenas cinco golos e efetuou 30 defesas em 10 jogos de qualificação.

O empate na Jamaica, a 19 de novembro de 2025, selou o bilhete inédito de Curaçau para o sonho de uma vida. Eloy Room, ainda assim, precisava de minutos para manter a forma e não teve problemas em voltar a abandonar a Europa. O Miami FC, da segunda divisão norte-americana, abriu-lhe as portas e o guardião aceitou o convite.

Room nunca efetuou mais de cinco defesas numa partida pelo clube, mas, contra o Equador realizou uma exibição de culto que serviu para relembrar como se constrói um sonho no futebol.

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