Pilotos aplaudem correção das novas regras: «Primeiro passo na direção certa»
Os pilotos de Fórmula 1 partilharam perspetivas sobre as alterações regulamentares que serão estreadas no Grande Prémio de Miami, este fim-de-semana. As revisões, que receberam apoio unânime da FIA, da F1 e das equipas, visam principalmente melhorar a segurança e o espetáculo para adeptos e pilotos.
As principais mudanças nos regulamentos de 2026 focam-se no aumento do super clipping de 250kW para um máximo de 350kW. Em contrapartida, o limite de recuperação de energia em qualificação foi reduzido de 8MJ para 7MJ, o que diminuirá a necessidade de táticas como lift-and-coast e o próprio super clipping.
Foram também feitos ajustes aos arranques de corrida. Se um piloto tiver um início lento, o MGU-K será ativado para garantir um nível mínimo de aceleração, evitando assim acidentes entre carros com velocidades muito díspares na grelha.
A reação inicial dos pilotos tem sido maioritariamente positiva, com muitos a destacarem o bom nível de comunicação com o órgão regulador, que considerou as opiniões dos principais protagonistas. Pierre Gasly, da Alpine, considera que as mudanças vão «na direção certa para o que foi pedido pelos pilotos». Embora não acredite que seja uma alteração revolucionária, vê-a como um passo positivo. «É bom experimentar e ver o que traz e se há necessidade de mais passos. Mas acho que deve ser bom», afirmou o francês.
Gasly elogiou ainda o diálogo estabelecido: «É a melhor comunicação que tivemos em algum tempo. Tem sido muito construtivo. Nós, como pilotos, apreciámos o facto de termos sido envolvidos porque somos nós que estamos ao volante». O piloto francês acrescentou que, apesar dos interesses dos construtores, «a segurança tem de vir em primeiro lugar» e que «todos estão bastante satisfeitos com a mudança».
Valtteri Bottas, da Cadillac, concorda com Gasly, afirmando que «todos os novos ajustes às regras fazem sentido». O piloto finlandês acredita que as alterações são «um passo na direção certa» para reduzir as diferenças de velocidade e o clipping agressivo no final das retas. No entanto, reconhece que é um passo pequeno. «Poderia fazer-se uma mudança maior, mas ao mesmo tempo, o que é complicado é que não se quer penalizar as equipas que fizeram um bom trabalho», explicou, considerando que fazer grandes alterações a meio da época é «bastante complicado».
Bottas revelou ainda que a comunicação entre os pilotos foi facilitada por um grupo de WhatsApp. «Todos os pilotos estavam neste grupo de conversação no WhatsApp. Comunicámos bastante por lá. Especialmente depois do Japão, fizemos algumas votações e coisas do género», disse, garantindo que «todos concordam que é um passo na direção certa».
Por sua vez, Oliver Bearman, da Haas, destacou as alterações na qualificação como um ponto muito positivo. O piloto explicou que a utilização da energia elétrica passa a ser automática com a pressão do acelerador, em vez de manual. «Nas últimas corridas, tínhamos de gerir o acelerador manualmente. Era cerca de 50%, por isso tínhamos de olhar para o painel para ver exatamente quanto acelerador estávamos a usar ao iniciar uma volta, o que é um pouco perigoso. Agora é automatizado, o que simplifica as coisas para nós», detalhou.
Bearman concluiu que o objetivo é permitir que os pilotos possam «conduzir por instinto, em vez de pensar em todas estas coisas». Sobre outras mudanças, testadas em simulador, prefere aguardar para ver o seu efeito em pista. «O mais importante é que eles têm sido muito recetivos ao nosso feedback, e espero que continue assim», rematou.
Franco Colapinto, da Alpine, prefere aguardar para ver os resultados em pista antes de formar uma opinião definitiva. «Não sei. Penso que temos de esperar para ver. A F1 tem trabalhado arduamente para tentar resolver alguns dos problemas», referiu. «Precisamos de esperar para ver em pista como é. Também muda muito de pista para pista, dependendo do quanto travamos, de quantas curvas de alta velocidade temos.»
No que toca às alterações nas regras sobre os componentes das unidades motrizes, a maioria dos pilotos expressou o desejo de clareza e consistência. O aumento do número de componentes permitidos antes da aplicação de penalizações foi, de um modo geral, bem recebido, mas foi acompanhado por um apelo a uma maior estabilidade regulamentar a longo prazo.