Nigel Mansell competiu entre 1980 e 1995 na Fórmula 1     Fotografia Imago
Nigel Mansell competiu entre 1980 e 1995 na Fórmula 1 Fotografia Imago

Nigel Mansell desmente CEO da F1 e defende pilotos

Britânico antigo campeão mundial contradiz Stefano Domenicali sobre o que se fazia nos grandes prémios nos anos 80 e 90 e alerta que é «muito perigoso»

O antigo campeão do mundo de Fórmula 1, Nigel Mansell, contestou as recentes declarações de Stefano Domenicali, CEO da modalidade, posicionando-se ao lado dos pilotos atuais e alertando para os perigos decorrentes das novas regras.

A controvérsia surgiu na sequência das novas normativas da F1, que obrigam os pilotos a uma gestão de energia mais rigorosa, impedindo-os de competir no máximo das suas capacidades de forma constante. Vários pilotos já manifestaram o seu descontentamento, mas Domenicali defendeu a situação, afirmando que a prática de levantar o pé do acelerador já era comum na era dos motores turbo, nos anos 80.

Em entrevista ao Autosport, Nigel Mansell, campeão em 1992 pela Williams, refutou categoricamente esta comparação, considerando-a descontextualizada.

«Não, não o fazíamos. Se fazíamos lift and coast era mais para dosear o acelerador. Quando nos colocamos na esteira de alguém e decidimos não ultrapassar... isso é poupar combustível e dosear, e isso é ser inteligente», explicou o britânico, de 72 anos.

Mansell sublinhou a diferença fundamental entre as épocas, destacando a complexidade da gestão eletrónica atual. «Ter de ter um computador a assumir o controlo do carro e a gerir a bateria é algo totalmente diferente. Não reduzíamos a velocidade nas curvas mais rápidas. Por isso, é um pouco exagerado comparar isto, tenho de o dizer», acrescentou.

O Mansell expressou ainda a sua solidariedade para com os pilotos do presente, mostrando-se preocupado com a segurança em pista devido às grandes diferenças de velocidade que as novas regras criam.

«Simpatizo enormemente com os pilotos e creio que é muito perigoso neste momento. Já nos livrámos de uma com o terrível acidente no Japão [entre Bearman e Colapinto]. Isso foi sorte e podia ter corrido muito mal para o Oliver. Portanto, vamos retocar isto um pouco para que não seja tão mau como parece», concluiu.