Entrada dura de Messi passou sem punição disciplinar
Entrada dura de Messi passou sem punição disciplinar

Porque não foi Messi expulso contra a Argélia? O que dizem as leis

Lance ofuscou um pouco da magia que o argentino trouxe para o Mundial 2026

Lionel Messi foi a maior figura da vitória da Argentina sobre a Argélia na 1.ª jornada do Grupo J do Mundial 2026 ao marcar todos os três golos da campeã do mundo. Mas o hat trick podia nem ter acontecido, caso Messi fosse expulso ao minuto 32, quando ainda só tinha marcado por uma vez.

Em relação a um lance que está a gerar muito debate entre os fãs de futebol, o que dizem as regras do IFAB (International Football Association Board, responsável pelas leis do futebol), sobre situações passíveis de resultarem num cartão vermelho? E porque é que o árbitro polaco Szymon Marciniak deixou os cartões no bolso?

Ações que merecem expulsão

A entrada de Messi entra no seguinte enquadramento do IFAB, que delineia que um jogador deve ver o cartão vermelho quando «comete uma falta grave ou perigosa» que «ponha em risco a segurança de um adversário» ou que «envolva força excessiva ou brutalidade».

Entrando em detalhe, o IFAB entende que os seguintes comportamentos devem ser considerados como uma falta grave: «Qualquer jogador que se lance contra um adversário na disputa pela bola, seja pela frente, pelo lado ou por trás, utilizando uma ou ambas as pernas, com força excessiva ou que ponha em risco a segurança de um adversário, é culpado de falta grave.»

Adicionalmente, Messi poderia ser expulso por «conduta violenta», que acontece quando «um jogador recorre ou tenta recorrer à força excessiva ou brutalidade contra um adversário quando não está a disputar a bola».

Imprudência e uso excessivo da força

De modo a avaliar se um jogador cometeu uma falta grave devido a um comportamento descuidado ou imprudente, o IFAB detalha que o primeiro ocorre «quando um jogador demonstra falta de atenção ou consideração ao efetuar uma entrada»; e o segundo «quando um jogador age sem ter em conta o perigo ou as consequências para um adversário».

Por fim, «considera-se uso excessivo de força quando um jogador excede o uso necessário de força» sobre um adversário.

Olhando para o lance e consequente decisão do árbitro, que apenas avisou o jogador, Szymon Marciniak terá julgado que Messi tentava jogar a bola, acertando em Mandi, que já tinha ganho a posição e a posse do esférico, sem querer e sem força excessiva. Motivos que não classificaram a ação do argentino como uma «falta grave ou perigosa».

A defesa de Thierry Henry

Entre as muitas críticas à decisão arbitral, Thierry Henry foi dos poucos comentadores que defendeu a não amostragem de um cartão vermelho. O antigo jogador, que foi colega de Messi no Barcelona, afirma que «a intenção é importante» e que «nem todas as colisões merecem um cartão vermelho».

«A intenção é muito importante quando se analisam estas situações de forma adequada. Quando se volta a ver a jogada, percebe-se claramente que Messi está concentrado na bola e a tentar realizar uma jogada de futebol, não está a tentar magoar ninguém. Sim, há contacto. Sim, parece estranho. Mas nem todas as colisões merecem cartão vermelho», explicou o antigo internacional francês à Fox Sports.

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