«Perdi a final em Dublin e fui campeão. Incrível, não é?»
«Há muita gente que me diz que isso a acontecer só podia ter sido a mim», foi desta forma que Ukra recordou, a A BOLA, uma conquista, no mínimo, peculiar.
Recuemos a 18 de maio de 2011. Em Dublin, na República da Irlanda, jogou-se final inédita na Liga Europa, entre duas equipas portuguesas: FC Porto e SC Braga. No relvado, Falcao marcou o único golo, que valeu o troféu aos dragões, num jogo mais tático do que vistoso a nível de espetacularidade. Na bancada esteve Ukra, então jogador do SC Braga, cedido no mercado de inverno pelo... FC Porto.
«Perdi final em Dublin e fui campeão. Não é incrível?», realçou, para de seguida complementar: «Todos perderam, menos eu. Mas digo que se o SC Braga tivesse vencido a Liga Europa também me sentiria um campeão, apesar de não ter feito nenhum jogo, treinei sempre com eles na preparação da equipa.»
O antigo atacante recebeu a medalha de vencedor por ter feito dois jogos pelos dragões: titular no triunfo em casa dos belgas do Genk (3-0), na 1.ª mão do play-off de acesso à fase de grupos, e suplente utilizado na reviravolta na visita aos austríacos do Rapid Viena (3-1), com Falcao a marcar hat trick.
«Fui um privilegiado e sortudo também, obviamente que foi pelo meu trabalho, dedicação e pelo que vinha a fazer desde novo, mas digo com orgulho que fiz parte do plantel do FC Porto em 2010/2011, quando ganharam tudo. Enquanto jovens da formação temos sempre a ilusão de chegar lá, e eu, após três anos emprestado, tive a oportunidade de poder pertencer a esse grande plantel. Sabia que era difícil jogar pela qualidade dos jogadores lá estavam, Falcao e Hulk no ataque. Mas, só o facto de ter podido treinar todos os dias com esses jogadores também me fez crescer, evoluir, senti o carinho e a amizade de todos, isso foi reconhecido não só por eles, mas também pelo André Villas-Boas. Quando em janeiro fui embora, e o Castro também, ele não queria, dizia que estava a ser um pouco egoísta, porque sabia que não íamos ter os minutos que queríamos, mas que éramos importantes para o grupo. Depois, nessa época, participei em todos os jogos do campeonato pelo SC Braga», recordou.
SC Braga tem competência
Volvidos 15 anos desde a única vez que o SC Braga esteve na final da Liga Europa, Ukra acredita que o feito pode ser repetido, destacando a competência dos bracarenses.
«É curioso que também poderia acontecer o FC Porto estar no outro lado a disputar uma meia-final e, quem sabe, pudessem chegar os dois clubes à final outra vez. Fico muito contente de ver o SC Braga nesta etapa, é mérito de muita gente, mas, principalmente do presidente António Salvador. O clube cresceu imenso nos últimos anos. Aliás, já na minha altura sentia o clube entre os três grandes. Atualmente o SC Braga tem condições de clube grande, se calhar melhor do que os clubes grandes», apontou.
Quanto às expectativas para o jogo em casa do Friburgo — com os bracarenses em vantagem após vitória na Pedreira (2-1) —, mesmo com Ricardo Horta em dúvida, Ukra é perentório: «Espero um SC Braga à sua imagem. Joga fora, não está na máxima força, mas acredito que tenha potencial e outras soluções que possam ajudar e levar a equipa à final.»