O presidente da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira, e o homólogo da Federação Portuguesa de Futebol,  Pedro Proença — Foto: LIGA PORTUGAL
O presidente da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira, e o homólogo da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença — Foto: LIGA PORTUGAL

Pedro Proença: «Presidente da Liga disse que haveria cuidado grande na alteração dos regulamentos disciplinares»

Líder da FPF assumiu o endurecimento disciplinar para 2026/2027 como uma resposta estrutural ao momento do futebol português e espera que o futebol profissional abrace também a ideia. Partilhou a estratégia com a ministra do Desporto, Margarida Balseiro Lopes

Pedro Proença assumiu o endurecimento disciplinar para 2026/2027 como uma resposta estrutural ao momento do futebol português, sublinhando a necessidade de proteger árbitros, valorizar o espetáculo e travar episódios de violência. «Há três dimensões que temos claramente de atacar», explicou a A BOLA, enquadrando o pacote apresentado como «a resposta efetiva e formal» da Federação perante os ilícitos que marcam a atualidade.

Havia um compromisso da Federação neste agravamento e partilhei com a senhora Ministra as nossas vontades e áreas de intervenção

O presidente da FPF revelou ter partilhado essa estratégia com a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, num encontro onde o tema da violência esteve no centro das preocupações. «Havia um compromisso da Federação neste agravamento e partilhei com a senhora Ministra as nossas vontades e áreas de intervenção», afirmou, destacando também a abertura do Governo para discutir soluções. «Recebeu esta predisposição reconhecendo o momento que estamos a viver e a necessidade de uma atuação rápida», acrescentou.

No plano institucional, Proença sublinhou a necessidade de um alinhamento alargado, envolvendo Liga e associações distritais, lembrando que a Federação não legisla diretamente sobre esses regulamentos. «Há um processo de autorregulação, a Federação não legisla os regulamentos disciplinares nem da Liga, nem das associações distritais», referiu, ainda assim confiante num caminho convergente. «Foi transmitido pelo presidente da Liga que haveria um cuidado muito grande na alteração dos regulamentos disciplinares», destacou, revelando também que o tema foi aprovado por unanimidade em Direção.

Há um processo de autorregulação, a Federação não legisla os regulamentos disciplinares nem da Liga, nem das associações distritais

A expectativa da FPF é que a Liga acompanhe este movimento já a tempo da próxima época, estando em curso contactos e propostas nesse sentido. «A Federação fará um conjunto de propostas muito em linha da própria Liga no que diz respeito às matérias que têm ser alteradas», explicou Proença, remetendo a decisão final para os órgãos próprios da competição profissional. «Depois caberá à Liga, em Assembleia Geral, aceitar e aprovar essas alterações», acrescentou.

A Federação fará um conjunto de propostas muito em linha da própria Liga no que diz respeito às matérias que têm ser alteradas

Com Assembleia Geral da FPF marcada para 6 de junho — momento em que serão ratificados os regulamentos —, o objetivo é claro: garantir que o novo quadro disciplinar, idealmente em sintonia com a Liga, entre em vigor já em 2026/2027. «Esse é o objetivo», garantiu, apontando a uma resposta articulada como condição essencial para credibilizar o futebol português.

Para lá da revisão regulamentar, Proença aponta à articulação com o poder político, nomeadamente com o Ministério da Administração Interna, no âmbito da lei da violência. «Estamos a aguardar uma reunião para apresentar aquilo que, no nosso entendimento, são as medidas que devem existir», disse.

Estamos a aguardar uma reunião [com o MAI] para apresentar aquilo que, no nosso entendimento, são as medidas que devem existir

O líder federativo alargou ainda o foco ao futebol não profissional, onde identifica problemas estruturais. «As agressões às equipas de arbitragem e entre adeptos são muito visíveis nos campos distritais», alertou, apontando lacunas como a ausência de policiamento em jogos de formação. «A forma de resolver isto não é só com regulamentos mais gravosos», frisou.