Paulo Pereira crítico antes da estreia de Portugal na Euro Cup: «Depois querem medalha»
A Seleção Nacional de andebol prepara-se para iniciar, esta quarta-feira, a participação na Euro Cup, frente à Suíça, no Porto. Na antevisão ao encontro, Paulo Pereira deixou um aviso quanto às dificuldades que espera encontrar diante da formação helvética, sublinhando também a importância de Portugal manter o patamar competitivo alcançado nos últimos anos.
«Nós atingimos um nível competitivo elevado. Queremos manter esse nível, que é o mais difícil agora é manter. Toda a gente olha para nós de outra maneira. A Suíça não vai ser um adversário fácil, já estou a avisar», afirmou o selecionador nacional.
A preparação para o encontro ficou, contudo, condicionada pelas consequências do clássico entre FC Porto e Sporting, disputado no passado domingo, que contou com 11 jogadores convocados para a Seleção Nacional. Diogo Rêma, guarda-redes dos dragões, e Martim Costa, lateral dos leões, contraíram lesões nesse encontro e estão indisponíveis para a partida com os suíços.
Uma situação que voltou a colocar em cima da mesa as críticas de Paulo Pereira à organização do calendário do campeonato nacional. O selecionador considera que a competição deveria estar estruturada de forma a salvaguardar os interesses da equipa das quinas, evitando jornadas imediatamente antes dos compromissos internacionais.
«Creio que devíamos ter configurado o nosso campeonato no sentido de também proteger um pouco a Seleção. E não permitir haver uma jornada no fim de semana anterior. Isso era uma batalha que já estava a ganhar, mas parece que tenho de voltar outra vez ao combate», lamentou, acrescentando que há aspetos da organização competitiva que «não entende muito bem».
As críticas estenderam-se também às condições logísticas da preparação no Porto. Paulo Pereira revelou que a equipa teve dificuldades em encontrar um pavilhão alternativo para treinar e perdeu cerca de uma hora na deslocação para o local de trabalho.
«Hoje também percebemos que, afinal, não podemos treinar noutro pavilhão. E demorámos uma hora para chegar aqui para treinar, porque tivemos que entrar na VCI e andámos nisto… Condições espetaculares. Enfim, é o que é. Depois queremos ter uma medalha, ser campeões e tal», ironizou.
Apesar dos constrangimentos, o treinador procurou transmitir uma mensagem positiva ao grupo, destacando o ambiente proporcionado pela cidade e a expectativa em torno da presença da Seleção Nacional. «Estamos numa cidade fantástica, em que as pessoas acho que anseiam que nós também estivéssemos aqui a jogar. Estamos num pavilhão lindíssimo. Oxalá que amanhã corra tudo bem», afirmou.
Dinamarca é o principal teste
Quanto à qualidade dos adversários na competição, Paulo Pereira destacou a Dinamarca, que considera representar «provavelmente a maior competência mundial do andebol». Espanha e Suíça são igualmente adversários que merecem atenção, numa prova em que Portugal não esconde a ambição, embora mantenha os pés assentes na realidade.
«Aquilo que eu vou tratar de fazer é de sermos competitivos. Se podemos ganhar esta competição, ou não, agora não sabemos. Difícil, é, mas possível… Também possível ganhar», referiu.
Ainda assim, a Euro Cup assume particular importância na preparação dos próximos desafios, sobretudo tendo em conta a aproximação do Campeonato do Mundo. O selecionador pretende aproveitar os jogos para voltar a avaliar os jogadores em contexto competitivo de Seleção, depois de um período prolongado sem reunir o grupo habitual.
O Mundial ganha especial relevância por poder garantir o acesso aos torneios pré-olímpicos. Nesse sentido, Paulo Pereira apontou como primeiro objetivo a obtenção de uma classificação entre os sete ou oito primeiros lugares, que poderá permitir a Portugal disputar essa fase de qualificação.
«E depois, o segundo objetivo, o mais difícil ainda, é melhorarmos o nosso melhor resultado em Mundiais. Estes são os objetivos», explicou.
O treinador recordou ainda que Portugal conseguiu, pela primeira vez na sua história, garantir a presença num Campeonato do Mundo através da qualificação direta, sem necessidade de disputar o habitual play-off. Uma conquista que permitiu à equipa técnica gerir os trabalhos e dar oportunidades a jogadores que habitualmente não integram as convocatórias para as grandes competições.
Euro 2028 não pode ser fonte de pressão
Questionado sobre a possibilidade de Portugal protagonizar uma surpresa no Campeonato da Europa de 2028, que vai organizar em casa, Paulo Pereira afastou a ideia de que a Seleção deva começar já a viver em função desse objetivo.
«Nós vamos continuar na nossa linha dos últimos anos. É um erro nós pensarmos que o andebol vai começar em 2028. Porque coloca-nos mais pressão, que não devia existir», defendeu.
Para o selecionador, jogar em casa deverá representar uma motivação adicional e não uma fonte de pressão negativa. Paulo Pereira recordou, a este propósito, a evolução do apoio dos adeptos portugueses nas grandes competições internacionais, comparando a presença reduzida em Trondheim, em 2020, com o número crescente de apoiantes que acompanham atualmente a Seleção nas fases preliminares e principais dos torneios.
«Foi uma batalha que foi ganha, com muito sacrifício, mas foi ganha. Portanto, a partir daqui, não sei o que é que vai acontecer, mas sei lá, continuamos a fazer coisas boas», afirmou.
Sobre a composição do grupo que poderá chegar ao Mundial e, posteriormente, ao Europeu de 2028, Paulo Pereira reconheceu que não é possível antecipar quais os jogadores que estarão disponíveis. A equipa técnica tem uma ideia do grupo que pretende construir, mas admite que o percurso estará sujeito a imprevistos.
«Navegamos um pouco à vela, com um plano, mas navegamos à vela porque nunca sabemos. Há sempre imprevistos», explicou.
Quanto à idade dos jogadores, o selecionador deixou uma posição clara: «A idade para mim não é um problema, desde que o atleta continue a ter rendimento».
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