Marco Silva - Foto: IMAGO
Marco Silva - Foto: IMAGO

Alverca trouxe Benfica à terra

Nas últimas épocas, Roger Schmidt, Bruno Lage e José Mourinho sofreram do mesmo, mas com Marco Silva a resistência da equipa é diferente. Ontem, com sorte à mistura

Olhar para 90 minutos frente ao Alverca e sentir um nó no estômago é perfeitamente legítimo para qualquer adepto. O Benfica escapou a uma bala. Depois da reviravolta nos Açores contra o Santa Clara, ver o Benfica a «pedir» o apito final num jogo em que a teoria dizia ser acessível, parece, à primeira vista, um sinal de alarme. O adepto comum, pelo menos o mais cético, atrever-se-ia a dizer: «Se se sofre assim, o descalabro está ao virar da esquina».

Mas convém ter memória. Nas últimas épocas, as de Roger Schmidt, Bruno Lage, José Mourinho, jogos como este tinham um desfecho frustrante: o Benfica dominava, chegava ao golo, depois hesitava, tremia ao primeiro contragolpe e acabava por consentir o empate, fosse mais ou menos a meio do segundo tempo, ou pior, aos noventa e muitos minutos, num misto de ingenuidade e apatia defensiva.

Quantos pontos cruciais não ficaram pelo caminho em tardes/noites cinzentas em que a equipa simplesmente não sabia cerrar os dentes, em que Schjelderup não correu para trás, Otamendi falhou uma interceção ou algo do género sucedeu? Uma equipa concentrada e solidária faz a sua sorte. E a história começa a ser diferente. Não se iluda, ninguém há sempre essa parte à mistura. O azar e a sorte, disfarçados de competência técnica: uma oportunidade tanto pode entar por um gesto superior ou defeituoso, mas não deixa de ser uma oportunidade...

Ainda assim, há algo que no futebol ao mais alto nível se chama maturidade competitiva. Ganhar com nota artística todos os fins de semana é uma ilusão. Quando as pernas pesam e, como ontem, a inspiração escasseia, essa é a verdadeira imagem de quem quer ser campeão. O Alverca trouxe o Benfica à terra no campo exibicional, mas não o fez no resultado. E isso, ironicamente, é a melhor mensagem que Marco Silva podia ter: ninguém pode relaxar. Porque o perigo espreita a cada esquina, seja no meio do Atlântico ou no conforto de casa.

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