Dmytro Riznyk bem tenta mas não consegue agarrar a bola: golo do Sporting! Golo de Doumbia! - Foto: IMAGO
Dmytro Riznyk bem tenta mas não consegue agarrar a bola: golo do Sporting! Golo de Doumbia! - Foto: IMAGO

Entre o que foi e o que vai ser Sporting mereceu a felicidade… (crónica)

Num jogo particularmente ingrato, pelo contexto de mudança verde e branca que se vive, o Sporting manteve-se sempre organizado, e nunca tirou os olhos da baliza adversária. Depois de marcar, foi recuando no terreno e não se livrou de alguns sustos. Mas a permanência na Champions ficou bem encaminhada…

Primeira verdade: foi dos jogos mais atípicos da história europeia do Sporting, em primeiro lugar porque defrontou o Shakhtar Donetsk na casa do Chelsea, depois porque teve Tiago Fernandes num banco onde Rui Borges já não se senta e Paulo Fonseca ainda não se senta. 

Podia pensar-se que os leões, neste contexto, podiam vacilar na organização e, sobretudo, na concentração. Não aconteceu nem uma coisa, nem a outra. O ‘filho do Manel’ montou a equipa de forma inteligente, em 3x5x2 quando tinha bola e em 4x4x2 (que depois ‘virou’ 5x4x1) quando a posse era dos ucranianos. Com este formato, o Sporting teve condições para dar boa luta, através de Suarez e Ioannidis, que montavam a primeira barreira, à saída de bola do Shakhtar, para depois Altimira, Doumbia e sobretudo Anderson, na noite londrina verdadeiramente em modo-Hjulmand, taparem o resto, enquanto nas alas se assistia a dois duelos épicos, à direita entre Geny Catamo e Pedro Henrique e à esquerda entre Maxi e Allison Santana. O trio de centrais, foi chegando para quase todas as encomendas de jogo aéreo, embora por duas vezes os ucranianos estivessem perto do golo ao segundo poste, do lado direito.

Arda Turan, que viveu o jogo ao estilo de Diego Simeone (de quem foi jogador, 127 jogos em quatro épocas como ‘colchonero’) apresentou a sua equipa em 4x1x1, que se transformava (como no Sporting) em 4x4x2 quando não tinha bola.O primeiro tempo, cheio de cuidados e encaixes, sem que nenhuma equipa quisesse ‘despentear-se’, foi equilibrado, com os ucranianos com um pouco mais de posse de bola, 54%, e com mais passes - 238 para 214.

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O Sporting ameaçou pela primeira vez a baliza de Rizny aos nove minutos, após grande jogada de Catamo a que Maxi não deu o melhor seguimento, e os donos da casa emprestada, que através de Kauã e Gomes lançaram o pânico nas hostes leoninas, sempre que receberam a bola entrelinhas, estiveram muito perto de abrir o ativo aos 42 minutos. Mas, sem dúvida que a igualdade traduzia o que se tinha passado em campo.

Doumbia decisivo

O segundo tempo iniciou-se em modo frenético: aos 47 minutos, após grande jogada de Suárez na esquerda, Doubia esteve a centímetros de gritar golo e dois minutos volvidos, na sequência de um passe suicida de Maxi, foi o Shakhtar a assustar os leões, para aos 54 minutos Felicíssimo defender a bola rematada por Kauã que levava selo de golo.

Neste jogo de quase-marca, o Sporting tirou o quase da equação aos 59 minutos e colocou-se na frente, por Doumbia, que beneficiou, após uma boa iniciativa de Ioannidis e Andersen, de um ressalto em Pedro Henrique.

Em desvantagem, Arda Turan assumiu o 4x4x2, com Isaque ao lado de Kauã na frente (67), respondendo Tiago Fernandes (70) trocando Zalazar por Ioannidis. Assim, embora mantivesse o já 5x3x2, porque o uruguaio se juntava a Suárez nas saídas de bola dos ucranianos, ao mesmo tempo tinha em Zalazar um apoio essencial ao meio-campo, quando as coisas apertavam e era preciso recorrer ao 5x4x1.

Daqui para a frente, o Shakhtar correu atrás do prejuízo, teve oportunidades aos 70 (Kauã por cima, à boca da baliza) e aos 82 (Alisson à face exterior do poste), tendo o Sporting respondido com uma finalização muito por cima de Suárez. A iniciativa era do ucranianos, e os leões refrescaram as alas (Blopa e Fresneda por Catamo e Maxi) e o meio-campo (João Simões foi sinónimo de mais pulmão), mas não se livraram de um susto gigantesco quando aos 90+1 Newerton, muito perto da baliza, cabeceou para as mãos de Rui Silva. Foi o canto do cisne do Shakhtar, numa noite em que o Sporting teve de trabalhar muito para sair de Londres com três pontos que até já podem chegar para o acesso ao play-off da Champions. 

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