Era preciso chegar aqui, Sporting?
Não vale a pena alinhar em teorias da desinformação por parte da imprensa ou da conspiração por parte dos rivais ou de quaisquer outras forças mais ou menos ocultas: foi o Sporting quem se desagregou e desorientou a si próprio, desde logo quando tomou a decisão de manter Rui Borges para a nova época depois do escândalo (não tenhamos medo das palavras) da derrota na final da Taça de Portugal.
O acesso direto à UEFA Champions League por uma unha negra não foi suficiente para restabelecer a confiança entre boa parte dos adeptos e o treinador. E isso estava na cara desde o verão passado. Sobram exemplos de casos semelhantes. Só de cabeça, neste século: Fernando Santos no Sporting e no Benfica; José Peseiro em Alvalade; Roger Schmidt e Bruno Lage no Benfica. E até o FC Porto, por norma mais estável, teve o seu recente Martín Anselmi. Uma época que se inicia com treinador sem estado de graça tem tudo para correr menos bem. E a consequência (obviamente legítima, isso não se discute) é sempre a mesma. O que se questiona são as razões para se chegar aqui.
Que ganhou o Sporting em revolucionar dois terços do plantel, aparentemente em consonância com Rui Borges, para depois passar-lhe uma carta de pré-despedimento através dos jornais e fechar um novo treinador ainda mais cedo que o expectável? Intranquilidade gera intranquilidade e isso tem sido manifesto nos últimos jogos dos leões, nomeadamente com o Casa Pia, ganho à maneira do futsal porque o adversário sentiu tanto que podia empatar que fez 11x10, sem guarda-redes na baliza, a dois minutos (!) do final.
Virá Paulo Fonseca a tempo de inverter as coisas e dar ao Sporting uma boa época? Ainda é cedo, isso seguramente. Há muito por jogar, cair, levantar e sobretudo decidir. Mas não se vê, sequer, os adversários a facilitarem, e já se sabe que quando são dois à frente tudo fica mais difícil para eventuais recuperações épicas.