Que decisão tomaram os sócios do Vitória?
1 Tal como aqui havia antecipado, a última Assembleia Geral do Vitória revelou-se de enorme importância para o futuro meu clube. De facto, a decisão era bastante simples e linear, isto é, era apenas pedido aos sócios que votassem pela manutenção dos 46% do capital da SAD no nome da empresa VSPORTS, pela qual já haviam decidido há três anos, em 3 de março de 2023.
E ainda mais simples era esta decisão pela circunstância de não se estar a decidir pela entrega da gestão da SAD a esta empresa uma vez que, como se vê, se mantém na posição minoritária.
De facto, só o aftermath de uma disputa eleitoral na qual o vencedor o foi por apenas dois votos justifica o debate que houve em torno de uma matéria tão linear, pressão não assente em convicção, mas antes, em puro oportunismo tático (basta para isso verificar que boa parte dos ora oponentes tomaram posição inversa há três anos, em alguns casos subscrevendo posições fundamentadas).
E isto não pode deixar de ser fortemente verberado. Porque implica não privilegiar os interesses do clube, que deveria ser o dever de qualquer sócio, antes os sujeitando a interesses e ambições individuais.
2 Os sócios pronunciaram-se, pela segunda vez, pela atribuição de 46% do capital da sua SAD à VSPORTS.
Votaram 1.195 sócios, 60% a favor (717 votos) e 40% contra (468 votos). Decisão menos expressiva da de há três anos (na altura num idêntico universo de 1.102 votantes a decisão favorável foi tomada por 87,66%) mas, ainda assim, implica não apenas uma nova confirmação de uma decisão já tomada, como sobretudo, perante o dramatismo e o medo que foi transmitido aos sócios na campanha das últimas semanas, é um resultado bem revelador que os sócios do Vitória sabem pensar pela sua cabeça e não se deixam influenciar no que toca à melhor decisão para o futuro do seu clube.
Posto isto, dado o enorme debate e envolvimento da comunidade vitoriana, proponho-me refletir sobre que decisão teremos tomado, na passada sexta-feira. Bem sei que a decisão foi, objetivamente, a de entregar 46% da SAD à VSPORTS. Mas terá sido apenas isso?
3 Não pretendo fazer interpretação autêntica da deliberação coletiva, até porque represento apenas 1/1195 avos dessa decisão. Mas estou perfeitamente ciente do que se debateu, dos medos que foram erigidos e do que presidiu ao voto favorável de muitos dos que constituíram os 60%.
Ora, quanto a mim, com esta decisão os sócios do Vitória quiseram notoriamente dar à VSPORTS uma oportunidade de demonstrar a utilidade que pode ter para o futuro do Vitória. De que importa ter um parceiro com 46% se nada fizer com esses 46%? Se a VSPORTS tiver a participação e a influência que teve desde 2023, então ter 46% é exatamente o mesmo que ter 1%, não tem qualquer peso ou relevância estratégica.
Já se — como pretendo, e por isso votei a favor — a VSPORTS entrar agora num novo período de relacionamento com a Direção do clube, de maior envolvimento, de maior participação, de forma que os vitorianos consigam perceber o que o seu clube pode ter a ganhar com a gestão desportiva e financeira entregue a quem, além de credibilidade, tem provas dadas no futebol e no desporto mundial então, aí, terá valido a pena.
É evidente que não posso garantir que foi isto que quis a grande maioria dos sócios que foi favor deste passo, mas posso assegurar que todos pretendem dar a esta parceria uma oportunidade para se demonstrar capaz de catapultar o Vitória para o futuro que todos ansiamos.
4 Relativamente ao jogo de ontem, pouco a dizer. Um jogo mastigado de parte a parte, um jogo entre duas boas equipas que pecou por nenhuma delas ter querido perder. Um resultado melhor para o Vitória, porque empata no terreno de uma equipa com mais 6 pontos, mas no qual se percebeu que tivéssemos tido mais querer e maior arrojo ofensivo, podia ter sido outro o resultado.
Assim, quedemo-nos pelo essencial: 4 pontos em dois jogos, uma equipa em recuperação de processos e de motivação. Essencial para o (longo) campeonato que ainda temos pela frente.