Paulo Fonseca, o novo treinador do Sporting - foto: LUSA
Paulo Fonseca, o novo treinador do Sporting - foto: LUSA

Paulo Fonseca dá que falar em França: «É quase falta de respeito»

Antigo defesa brasileiro, figura histórica do Lyon, aponta o dedo ao treinador, que ontem foi apresentado no Sporting

A saída de Paulo Fonseca do comando técnico do Lyon continua a provocar reações. Cris, figura histórica do clube francês, manifestou a sua desilusão com o desfecho e criticou a atitude do treinador português, que ontem, quarta-feira, foi oficializado no Sporting, ao deixar a equipa a meio da época.

O antigo defesa brasileiro, de 49 anos, que vestiu a camisola do Lyon em 310 ocasiões entre 2004 e 2012, conquistando quatro campeonatos franceses e duas Taças de França, apontou o dedo ao treinador, em declarações ao L´Équipe: «Visto de fora, é realmente difícil de compreender. Quando o Paulo apanhou nove meses de suspensão o clube esteve sempre com ele, o clube protegeu-o e fez tudo o que devia ter feito. Ele estava inserido num projeto para terminar a temporada, com jogadores contratados especialmente para isso... Além disso, os resultados eram bons, tudo corria bem no campeonato até ao momento, pelo que ver uma decisão destas da parte dele é muito surpreendente.»

Cris, antigo defesa brasileiro, não poupou Paulo Fonseca - Foto: D. R.

Apesar de compreender a ligação afetiva do treinador ao Sporting, o antigo jogador reprovou a metodologia utilizada no processo de saída: «Não sei se é uma falta de respeito, mas é quase isso. Vi a imprensa, vi as imagens da sua chegada a Lisboa, a sua emoção... Sei que é o clube do coração dele, que sonhava treinar o Sporting, tudo bem, compreendo, mas a maneira como fez isto? Não é muito respeitoso para com o Lyon, com certeza», vincou.

Cris alertou ainda para os potenciais danos causados pelo momento abrupto da decisão: «Claro que fiquei surpreendido! Não estávamos nada à espera disto. Se tivesse sido na paragem de inverno, em dezembro, no limite... Mesmo aí teria sido complicado, mas teria sido menos brutal, um pouco diferente. Penso nos dirigentes, nos jogadores, na equipa técnica, nos adeptos... Este tipo de acontecimento pode desestabilizar.»

Em contrapartida, elogiou a atitude firme assumida pela Direção do emblema francês na gestão da crise e na cobrança de valores devidos: «Disseram que não queriam segurar um treinador que já não tem a cabeça no Lyon e acho isso perfeitamente normal. É como com um jogador: quando decide que quer sair, não vale a pena tentar mantê-lo. Além disso, o clube fez bem em exigir dinheiro, porque isso tem um preço. Penso que os dirigentes tomaram boas decisões.»

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