«Abel já é o maior nome da história do Palmeiras»
Quando, há seis anos, o Palmeiras anunciou a contratação de Abel Ferreira, então ao serviço dos gregos do PAOK, as reações dividiram-se entre a perplexidade e a desconfiança. O técnico português aterrava no futebol sul-americano completamente fora do radar mediático e sem qualquer título conquistado no escalão sénior. Hoje, com onze troféus no palmarés e o estatuto incontestado de figura cimeira do ciclo mais vitorioso da história alviverde, a decisão ganha contornos de visão premonitória. Maurício Galiotte, o presidente que avançou, com risco, para a contratação, explica em detalhe como nasceu uma união que levou o Palmeiras aos píncaros.
«O Palmeiras tinha passado por uma modernização profunda ao longo de uma década, ao nível de infraestruturas, departamento científico, medicina desportiva, nutrição e centro de estágios. Procurávamos um perfil que respondesse a essa modernidade: alguém que soubesse cruzar dados científicos com tecnologia, que tivesse um repertório tático sofisticado, que comunicasse com todas as áreas e com passagem relevante pelos escalões de formação», sublinha o antigo líder do emblema paulista.
Após três entrevistas e uma análise cirúrgica, a decisão tornou-se óbvia: «Houve um alinhamento perfeito de expectativas. Aquilo de que o Abel precisava, o Palmeiras tinha; aquilo que o clube procurava para rentabilizar a sua estrutura, a equipa técnica oferecia.»
O impacto desportivo foi imediato, superando até as perspetivas mais ambiciosas: «Impossível imaginar onze títulos em seis anos. Tínhamos a convicção do perfil adequado para aquele momento, mas ninguém podia prever tamanha dimensão.» Três meses após a chegada, Abel vencia a Taça Libertadores de 2020, revalidada logo em 2021, a que juntou a Taça do Brasil e os campeonatos brasileiros de 2022 e 2023. O feito colocou-o no topo da hierarquia histórica: «Para mim, já é o maior nome da história do Palmeiras. Lidera o projeto mais ganhador que o clube alguma vez viveu.»
Galiotte destaca ainda o trabalho invisível, mas financeiramente decisivo, na transição de talentos da formação para a equipa principal, gerando receitas recorde: «O clube tem uma formação fantástica, mas era indispensável um treinador com coragem para lançar os jovens. Foi o que ele fez.» Sobre as pressões cíclicas e os momentos de contestação, lembra a importância da blindagem institucional: «Quando picharam os muros, estivemos juntos. O mesmo fez a presidente Leila Pereira. Uma liderança firme nos dias cinzentos é metade do caminho para o êxito.»
Seis anos volvidos, a relação profissional deu lugar a uma sólida amizade: «Conversamos com frequência, partilhamos um copo de vinho e falamos da vida. A mensagem hoje só pode ser de profunda gratidão: por tudo o que conquistou, pelo trabalho incansável e pela seriedade exemplar com que honra a camisola do Palmeiras.»
«SEMPRE O APOIEI NOS MOMENTOS DIFÍCEIS»
Há seis anos, quando Maurício Galiotte contratou Abel Ferreira ao PAOK, o técnico português estava longe do radar sul-americano e sem títulos seniores no currículo. Hoje, com onze troféus conquistados — incluindo duas Libertadores, uma Taça do Brasil e dois Brasileirões —, Abel é o treinador mais titulado da história do Palmeiras.
O antigo presidente do «Verdão» recorda a aposta: «Buscávamos modernidade, sensibilidade científica, riqueza tática e abertura à formação. Houve um alinhamento perfeito de expectativas.» Galiotte destaca igualmente o trabalho basilar com os jovens da academia — traduzido em vendas históricas —, a estabilidade dada pelas direções nos períodos de contestação e a cultura de rigor do clube: «A bola é honesta. A bola é a mais honesta no mundo do futebol. Apoiei-o nos dias difíceis e a presidente Leila faz o mesmo. A mensagem para o Abel é de imensa gratidão por honrar a nossa camisola.»
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