O romantismo da camisola rosa no Giro vale milhares de euros
Além do romantismo da camisola rosa, das chegadas em alta montanha e do icónico Trofeo Senza Fine, o Giro é também um palco onde se definem carreiras e orçamentos de equipas através de prémios monetários. Na edição de 2026, a organização, a cargo da RCS Sport, distribuirá um total de 1,6 milhões de euros, um valor em linha com o do ano anterior.
Este montante, embora significativo, posiciona o Giro entre as outras duas Grandes Voltas. A Volta a França continua a ser a mais lucrativa, com um bolo total de 2,3 milhões de euros, enquanto a Volta a Espanha distribui cerca de 1,1 milhões de euros.
O prémio total do Giro é repartido por 21 etapas, diversas classificações e bónus especiais, com uma fatia considerável destinada à classificação geral final.
A evolução dos prémios desde 1909
A tradição de premiar monetariamente os ciclistas no Giro remonta à sua primeira edição, em 1909. A história por detrás do fundo de prémios inaugural é, no mínimo, curiosa. Sem capital suficiente para organizar a corrida, os promotores enviaram um contabilista, Primo Bongrani, por toda a Itália à procura de donativos. Um casino em San Remo acabou por fornecer a maior parte do dinheiro, e até o jornal rival da organizadora La Gazzetta dello Sport, o Corriere, contribuiu com 3.000 liras.
O primeiro vencedor, Luigi Ganna, arrecadou 5325 liras, enquanto o último classificado recebeu 300. Curiosamente, o diretor da corrida ganhava um salário mensal de 150 liras, metade do que recebeu o último ciclista a terminar a prova.
What's at stake at the 🇮🇹 Giro next to the Trofeo Senza Fine (the trophy without an end)?
— Domestique (@Domestique___) May 8, 2026
Full break down of the €1.642.890 prize money 👇
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📸 Cor Vos pic.twitter.com/JMGNAZZb1o
Desde então, o Giro cresceu exponencialmente, mas os seus prémios monetários permaneceram, historicamente, à sombra do Tour. No início da década de 2020, o valor total rondava os 1,3 milhões de euros, tendo subido para os 1,6 milhões em 2025, patamar no qual se mantém atualmente.
E há prémios para todos os gostos, com o português Afonso Eulálio (Barhain) a garantir já alguns deles, até porque andou vestido de cor de rosa durante nove dias nesta 109.ª edição do Giro.
Distribuição dos prémios: da geral às etapas
O prémio para o vencedor da classificação geral é composto por duas parcelas: um fundo fixo da RCS e um fundo de 'Prémios Especiais', dependente de patrocínios. Em 2025, Simon Yates, o vencedor, levou para casa um total de 265.668 euros. Além disso, vestir a camisola rosa rende 2 mil euros por dia, o que pode somar 42 mil euros ao prémio final.
No que toca às vitórias em etapa, o primeiro a cruzar a meta em cada um dos 21 dias de prova recebe 11.010 euros. O segundo classificado ganha 5.508 euros e o terceiro 2.753 euros, com prémios diários a serem distribuídos até ao 20.º lugar (276 euros). Ao todo, são mais de 578 mil euros distribuídos apenas pelos resultados das etapas.
Existem ainda prémios significativos para as outras classificações. O vencedor da classificação por pontos arrecada 10.000 euros, com valores decrescentes até ao quinto lugar. Diariamente, o líder desta classificação recebe 750 euros, e os três primeiros da tabela diária de pontos ganham 700, 400 e 200 euros, respetivamente.
Assim, os prémios monetários distribuídos no Giro d'Italia de 2026 dividem-se da seguinte forma:
Classificação Geral final: 289.170 €
Chegadas de etapa: 578.340 €
Prémios Especiais (inclui Camisola Rosa, classificações por pontos, montanha, juventude, sprints intermédios, combatividade, entre outros): 775.350 €
Embora o vencedor do Giro d'Italia receba um prémio substancial de 265 668 euros, a tradição no ciclismo dita que este valor é partilhado por toda a equipa, incluindo ciclistas, mecânicos e massagistas. Esta prática é especialmente vital para as equipas mais pequenas, como as ProTeams e as que participam com wildcards, para as quais os prémios monetários representam uma contribuição significativa para o seu orçamento anual.
Além da classificação geral, o Giro oferece uma variedade de prémios que recompensam diferentes desempenhos ao longo da corrida, tornando cada etapa e cada classificação uma oportunidade financeira.
Classificação da Montanha (Maglia Azzurra)
A camisola azul, ou maglia azzurra, premeia o melhor trepador da competição. O vencedor final desta classificação arrecada 5000 euros, com prémios a descer até 1000 euros para o quinto classificado. Diariamente, o ciclista que veste a camisola recebe 750 euros. Adicionalmente, cada subida categorizada oferece prémios de 700, 400 e 200 euros aos três primeiros a passar no topo. No total, esta classificação distribui 74 050 euros.
Classificação da Juventude (Maglia Bianca)
Destinada ao melhor ciclista jovem, a maglia bianca garante 10 000 euros ao vencedor final, com os cinco primeiros a serem premiados. Tal como noutras classificações, o portador da camisola no final de cada etapa recebe um bónus diário de 750 euros. O montante total de prémios para esta categoria ascende a 54 150 euros.
Classificação por Equipas
Esta classificação premeia o esforço coletivo, baseando-se no tempo acumulado dos três melhores ciclistas de cada equipa em cada etapa. A equipa vencedora no final do Giro recebe 5000 euros, com prémios até ao quinto lugar, num total de 15 000 euros para a classificação final. Diariamente, as três melhores equipas recebem 500, 300 e 100 euros, respetivamente, somando 18 900 euros ao longo da prova.
Prémios Especiais e de Combatividade
O Giro é conhecido pela sua generosidade em prémios secundários, que incentivam a competitividade em todas as frentes.
Prémio combatividade: o ciclista mais combativo de cada etapa recebe 1000 euros e usa um dorsal vermelho no dia seguinte. No final, o vencedor geral da combatividade ganha 5000 euros, com 4000 e 3000 euros para o segundo e terceiro classificados;
Prémio Fuga: recompensa o ciclista que passa mais quilómetros em fugas com dez ou menos elementos. O vencedor final leva para casa 3800 euros, além de um bónus de 200 euros por cada dia em que lidera esta estatística.
Red Bull KM: Introduzido em 2025 para substituir a antiga classificação Intergiro, este prémio consiste num sprint bonificado em cada etapa. O vencedor diário recebe 500 euros, com prémios até ao quinto lugar. O vencedor geral desta classificação arrecada 8000 euros, num total de 30 000 euros distribuídos na classificação final e 100 000 euros no total dos sprints.
Enquanto para as grandes equipas do WorldTour os prémios monetários podem ser vistos como um bónus, para formações com orçamentos mais modestos, cada euro conta. Um exemplo é a equipa italiana Polti VisitMalta, que em 2025 amealhou 58 183 euros apenas em prémios. Este valor representa uma parte crucial do seu financiamento para a temporada, sublinhando como a luta por classificações secundárias e prémios de etapa é uma componente essencial da estratégia e sobrevivência destas equipas no Giro.