Presenças europeias e vitórias caseiras no dérbi do Minho começam a ser comuns - Foto: Hugo Delgado/LUSA
Presenças europeias e vitórias caseiras no dérbi do Minho começam a ser comuns - Foto: Hugo Delgado/LUSA

O novo normal do SC Braga

Ecos da Pedreira é um espaço de opinião quinzenal de Diogo Costa, médico interno de Psiquiatria e associado do SC Braga

Em semana de nova qualificação europeia do SC Braga, desta vez em estreia na fase de liga da UEFA Conference League, proponho uma breve reflexão sobre a normalidade com que este facto é abordado. Isto porque falamos de um clube que, até ao ano de 2004, apenas contava com seis curtas aparições europeias, mas que tem sido presença constante nas fases de grupo/liga das várias competições UEFA desde o ano de 2015, com uma só falha na época 2018/2019. Esta regularidade é assinalável e não pode, nem deve, ser menosprezada, sendo ela tanto uma causa, como uma consequência da estabilidade e do percurso crescente do clube. Estas presenças europeias aumentam a capacidade de atração de novos jogadores, permitem uma maior valorização dos plantéis, associam-se a um retorno financeiro importante e cimentam a posição do clube a nível nacional e internacional. Todos esses aspetos positivos são acompanhados de uma exigência a partir da qual a ausência do Braga nestas fases importantes se torna estranha. É o novo normal do Braga Europeu.

Desta feita, a qualificação foi completada com um saldo de oito golos marcados e zero golos sofridos em seis partidas. Realça-se o registo defensivo, que é, sobretudo, fruto de um modelo e ideia de jogo que primam pelo controlo da bola, algo que garante estabilidade e que vinha faltando ao Braga em anos recentes. Por sua vez, os números ofensivos podem parecer insuficientes, mas foram os necessários numa equipa que se tem visto, ainda, limitada de opções ofensivas (Wind em recuperação, Horta lesionado, Milosevic com chegada recente). Em virtude do sucesso da campanha europeia da época transacta, crescem as expectativas para a presente temporada. Efetivamente, o Braga é dono do segundo maior coeficiente da competição, mas a UEFA Conference League 2026/2027 conta com equipas competitivas como Friburgo, Ajax, Mónaco, Brighton e Atalanta, pelo que o percurso nunca será fácil, ao contrário do que se possa pensar e presumir. Além disso, esse estatuto de pouco vale quando a bola rola. O sorteio da fase que se segue foi globalmente simpático para o Braga e valida o objetivo da qualificação direta.

Cumprido o primeiro objetivo da época e fechando, para já, o capítulo europeu, voltamos para o dérbi do Minho, desta feita em território nacional. Também este dérbi aconteceu num plano de normalidade, mas que não é novo. O histórico deste confronto na Pedreira é altamente favorável ao Braga (até ontem, eram 14 vitórias caseiras em 21 jogos) e não houve espaço para exceções. O jogo foi altamente disputado, mas nem sempre bem jogado, com um ascendente da equipa de Vicens, coroado com o golo do vimaranense Diego Rodrigues. A vitória é curta, sofrida (conforme é habitual em dérbis) e saborosa. Um jogo pontualmente importante, sobretudo por surgir na ressaca europeia e pelo défice de jogos que o Braga tem no campeonato, que permite ao plantel somar confiança num processo que se pretende de melhoria contínua, sem espaço para deslizes e facilitismos. Neste Braga do novo normal, sonha-se com ainda outra normalidade. Pode parecer distante, mas a regularidade europeia também o parecia. Acredita, Sporting Clube de Braga.

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