Três golos ao Ipswich (IMAGO)
Três golos ao Ipswich (IMAGO)

Bruno Fernandes, o homem que saiu cedo e chegou tarde

Bruno Fernandes teve dois pequeninos azares: saiu do Sporting em janeiro de 2020 e chegou ao Man. United em janeiro de 2020. Espero que ainda vá a tempo de ser campeão...

Bruno Fernandes completa 32 anos daqui a pouco mais de uma semana. Entre os 30 jogadores mais internacionais por Portugal, apenas três nunca se sagraram campeões nacionais por nenhum dos clubes onde alinharam: Rui Patrício, Bruno Fernandes e William Carvalho. Os três somaram passagens longas pelo Sporting, clube ao qual chegaram demasiado cedo relativamente ao período de regresso aos títulos de campeão.

Os três vestiam de leão ao peito em maio de 2018, quando se registou o episódio mais infame da história do Sporting: o ataque à Academia de Alcochete. Rui Patrício rescindiu e saiu de Alvalade logo a seguir, passando, desde 2018, por Wolverhampton, Roma, Atalanta e Al Ain. Ainda foi a tempo de conquistar, ao serviço do emblema romano, a Liga Conferência. Mas nada mais. William Carvalho saiu na mesma altura e representou, desde 2018, Betis e Pachuca, rumando agora ao Palm City, contando no seu palmarés com a conquista de uma Taça do Rei. Mas nada mais.

Diferente é a história de Bruno Fernandes. Em dois anos e meio no Sporting esteve em 137 jogos e marcou 63 golos. Saiu do Sporting em janeiro de 2020 com uma Taça de Portugal e duas Taças da Liga na bagagem. Saiu, na perspetiva leonina, demasiado cedo: apenas 35 dias depois de ter assinado pelo Manchester United (29 de janeiro), Rúben Amorim assumia o comando técnico do Sporting (4 de março). E a partir daí foi o que se viu em Alvalade: três campeonatos.

Bruno Fernandes está há seis anos e meio no Manchester United. Leva 110 golos em 329 jogos pelos red devils. Se saiu do Sporting demasiado cedo, chegou a Manchester demasiado tarde. Ganhou uma Taça de Inglaterra e uma Taça da Liga. Se tem chegado três anos antes, tinha uma Liga Europa no bolso. Se tem chegado em 2013, era campeão.Nunca chegará ao patamar lendário de Charlton, Best ou Law (anos 60), nem ao de Giggs, Rooney, Cantona, Scholes, Keane, Schmeichel, Robson ou Beckham (fim do século XX e início do XXI). Mas nos últimos seis anos e meio, digam o nome de um jogador mais importante na história do Man. United. Maguire? Não. Pogba? Não. Cavani? Não. Mata? Não. Rashford? Não. Ronaldo? Não. Casemiro? Não. McTominay? Não. Lisandro Martínez? Não. Matheus Cunha? Não. Resumidamente: não, não, não, não, não, não, não, não, não, não.

Não acredito que seja esta época que Bruno Fernandes deixará de integrar o trio Patrício-William-Bruno. Aliás, aos quase 32 anos, dificilmente vencerá a Premier League no Manchester United, a não ser que os red devils aproveitem as falhas de reconstrução de Manchester City e Liverpool, a eventual falha de confirmação do campeão Arsenal e mais falhas na construção de Chelsea e Tottenham. O excecional futebolista que é Bruno Fernandes teve dois pequeninos azares: saiu cedo do Sporting e chegou tarde ao Man. United. Espero que ainda vá a tempo.

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