Não há surpresas: José Mourinho foi sempre assim
VI o documentário sobre José Mourinho que está disponível numa plataforma de streaming (no link abaixo pode ler a entrevista ao produtor) e a principal conclusão que retirei é que o próprio tem pouco a dizer sobre si.
Penso que não estarei a ser demasiado redutora se resumir as palavras de Mourinho a «ganhei muitos títulos», «faço tudo para ganhar» e várias formas de culpar outros, sejam eles árbitros, jornalistas, jogadores, donos de clubes, ou até a antiga médica do Chelsea. O estilo é sempre o mesmo: direto, convencido, arrogante até. E a verdade é que há toda uma carreira a provar que isto resultou, como podemos ver não só nas imagens de arquivo, como também nos atletas de renome entrevistados ao longo do documentário, que não poupam elogios à forma como o português os convenceu que iam ganhar, contra tudo e contra todos.
É uma boa oportunidade também para recordarmos como isto resultou rapidamente em clubes que tanto tinham a provar em determinado momento, mas depois deu lugar a saídas, despedimentos e confusões quando o tempo passou e o desgaste era evidente para todos. Mourinho chegou, venceu e depois teve de partir.
As raízes, a família e a personalidade fora dos bancos não foram muito exploradas - e a entrevista de A BOLA ao produtor explica-o: o técnico não quis falar disso. Há também pouco do Tottenham, da Roma, do Fenerbahce e do Benfica, mas ficamos a perceber melhor essas escolhas (a determinada altura, fica claro que Mourinho precisava apenas que gostassem dele).
Agora está de volta ao Real Madrid e, do streaming para a realidade, já vemos o português a defender Vinícius Júnior. Pode ser confuso quando diz praticamente o contrário do que afirmou quando treinava Prestianni, mas não é surpreendente que mude consoante precisa de defender os seus jogadores. Nos últimos dias também advogou a Bola de Ouro para Mbappé, ou não tivesse o francês marcado um hat trick importante para a equipa (e para o treinador). É assim José Mourinho: faz tudo para ganhar. E ganhou de facto muito.
Veremos quem será o vilão da sua segunda estadia em Madrid, pois agora não tem Pep Guardiola ou Casillas, e porque sim, tem sempre de haver um vilão na história de Mourinho. É, aliás, a falar desses vilões que o português mostra mais emoções ao longo do documentário. Provoca, ri, conta um ou outro pormenor novo. Se a intenção do Real foi ir buscar um treinador que derrube o Barcelona, então escolheram o que quer mais isso mesmo.