O gesto de Mourinho que marcou Bove após o ataque cardíaco
Edoardo Bove conseguiu recuperar de um ataque cardíaco que sofreu enquanto atuava pela Fiorentina, frente ao Inter, em dezembro de 2024, para agora voltar a jogar no Watford. O jovem de 23 anos está grato por isso mesmo, ao mesmo tempo que recorda a forma como tudo pareceu cair por terra.
«A última coisa de que me lembro é de ter caído no chão. Acordei no hospital sem saber o que tinha acontecido. Pensei que tivesse sofrido um acidente de carro. Disseram-me que não voltaria a jogar futebol. Às vezes pensava: 'O que vou fazer?'. Houve dias muito difíceis em que tudo parecia correr tão mal. Foi difícil, mas tudo fez parte desta jornada. Aprendi mais no último ano do que em qualquer outra experiência anterior» conta em entrevista ao Daily Mail.
Bove esteve 12 dias no hospital e mais de um ano longe do futebol, até se juntar ao Watford do Championship em janeiro último. Tem de viver com um desfibrilador implantável no peito, semelhante ao que o também jogador Tom Lockyer tem.
O jogador formado na Roma foi treinado por José Mourinho na equipa italiana ao longo de três épocas. A saída do treinador da Roma coincidiu com o empréstimo de Bove à Fiorentina e quando o acidente, Mourinho foi uma das primeiras pessoas a contactar a família do jogador.
«Ele preocupa-se com todos os jogadores que treinou. Com alguns mais do que com outros! Ele escreveu-me primeiro, mas eu não podia responder a ninguém, por isso ele arranjou o número dos meus pais. Tenho uma relação incrível com ele. Mourinho é uma pessoa muito importante para mim e para a minha família», recorda.
«Quando penso no passado, fico emocionado»
O regresso oficial aos relvados, desde a noite quase trágica de 1 de dezembro de 2024, foi no último Dia de São Valentim, 440 dias depois do acidente. «Foi como o encerrar de um grande ciclo», explica Bove, que diz «estar feliz» ao poder viver e jogar na equipa de Londres.
«Às vezes, quando penso no passado, fico emocionado. Mas, ao mesmo tempo, sinto-me orgulhoso. Foi um longo período, mas consegui transformar um momento difícil numa oportunidade. Tenho uma perspetiva diferente. Se não tivermos a mente aberta, perdemos algo da vida», concluiu.