O dossiê Mora, a euforia «problemática» e a grande baixa: o que disse Farioli
— O que se pode esperar deste Rio Ave com algumas baixas, nomeadamente, no meio-campo?
— Estivemos a analisá-los. É uma equipa que continua a trabalhar com o mesmo treinador. Na época passada terminaram de forma muito forte, numa boa posição a meio da tabela, garantiram a manutenção sem pânico e o treinador fez um trabalho muito bom. Este ano, vimos nos jogos amigáveis, e também no último jogo contra o Gil Vicente, algumas mudanças em relação ao passado, algumas adaptações. Em certos momentos estão um pouco mais agressivos, é uma equipa que consegue pressionar de formas diferentes: às vezes com apenas um avançado e um extremo, outras com o número 10, e outras um pouco como o Liverpool do Klopp fazia, com o 4-3-3. Noutros momentos, em situações de homem a homem. É uma equipa que adiciona variabilidade, tem continuidade de trabalho, jogadores com qualidade e, claro, nunca é fácil jogar lá. É um estádio difícil, onde na época passada tivemos um arranque muito forte, mas depois, especialmente na parte central do jogo, baixámos o nosso nível e concedemos algumas oportunidades. Por isso, muita atenção, muito compromisso e o desejo de continuar a nossa caminhada.
— O FC Porto tem muitos jogadores no boletim médico. Já sabe quais não podem ir a jogo?
— Do ponto de vista clínico, o Alan [Varela] não vai fazer parte do jogo. Continua a trabalhar com fisioterapia, a trabalhar arduamente para recuperar, mas ainda tem bastantes dores no pé, por isso vai ficar de fora. O André [Silva] esteve no relvado e as sensações foram positivas, por isso acredito que fará parte do jogo. O mesmo para o Alberto. Estas são as boas notícias. Em relação à semana passada, o Oskar [Pietuszewski], o Samu e o Cláudio [Ramos] continuam a trabalhar à parte e, claro, estamos à espera que regressem.
O Alan [Varela] não vai fazer parte do jogo. Continua a trabalhar com fisioterapia, a trabalhar arduamente para recuperar, mas ainda tem bastantes dores no pé, por isso vai ficar de fora. O André [Silva] esteve no relvado e as sensações foram positivas
— Deixou recentemente elogios a Deniz Gul, é uma questão de apurar a parte técnica para ser uma opção mais forte para o FC Porto?
— Sobre o Deniz Gul, sim, já gastei bastantes palavras a enfatizar a minha crença no jogador. Claro que, como número 9, muitas vezes o julgamento é feito apenas pelos números e pelas estatísticas. É um jogador que precisa de ganhar uma certa consistência e manter um certo nível de exibições, porque é disso que precisa para dar o próximo passo. Mas é um jogador de quem gostamos muito, eu gosto muito dele. Este verão recebi, honestamente, mil chamadas por ele, de clubes e de diretores que queriam saber qual era a nossa estratégia de transferência, porque é um jogador que, como disse, toda a gente entende que tem potencial. Gosto muito dele e tenho muita fé nele.
— Na última conferência, no Estádio do Dragão, prometeu para uma nova atualização sobre o mercado de transferências. Aparentemente, não houve uma grande evolução nos últimos dias, apesar de muitos altos e baixos e de muita especulação. Em concreto, do caso de Rodrigo Mora, o que nos pode dizer sobre este dossiê e de que forma é que isto condiciona o seu trabalho e o da equipa?
— Nesta parte, temos de ser pacientes. Esperámos uma semana para estar aqui e, como concordámos, se houvesse novidades iria comentar. Mas, na realidade, não há novidades. Não apenas sobre o Rodrigo [Mora], mas sobre todas as possíveis situações. O mercado é sempre assim no verão e, claro, à medida que nos aproximamos do fecho ou do dia 1 de janeiro — que por vezes é ainda pior, porque estamos no meio de diferentes competições e o mercado é ainda mais perturbador do que no verão —, é algo que as pessoas no futebol começam a saber gerir. Mesmo que muitos de nós não concordemos com o facto de o mercado estar aberto enquanto jogamos, por outro lado, é algo perfeitamente normal e exige muito profissionalismo de todas as partes envolvidas: os clubes que estão a negociar, os jogadores, que são os principais atores, e nós, treinadores, que temos de ser sensíveis a todos os tópicos. Depois, o que realmente conta são os contratos, certas condições, certas expectativas e nada mais do que isso. Tem sido uma semana em que, para mim e para todos vocês, houve um bombardeamento 24/7 de notícias, informações, detalhes, microdetalhes, etc. A realidade, de momento, é que há muito ruído e nada mais do que isso. Especificamente sobre o Rodrigo [Mora], é um jogador muito profissional, é jovem, mas já tem uma experiência muito forte e costas largas suficientes para gerir este ruído. É, como sabem, um grande adepto do FC Porto e, acima de tudo, um jogador do FC Porto. Nessa parte, não há dúvidas sobre como o vamos utilizar, se e quando, e sobre a contribuição que nos vai dar até ao momento em que for jogador do FC Porto.
O Rodrigo [Mora], é um jogador muito profissional, é jovem, mas já tem uma experiência muito forte e costas largas suficientes para gerir este ruído. É, como sabem, um grande adepto do FC Porto e, acima de tudo, um jogador do FC Porto. Nessa parte, não há dúvidas sobre como o vamos utilizar, se e quando, e sobre a contribuição que nos vai dar até ao momento em que for jogador do FC Porto
— Uma eventual venda do Rodrigo Mora pode ser um mal necessário para o FC Porto operar melhor no mercado e para você ter os reforços de que precisa?
— Percebo totalmente e concordo consigo sobre a necessidade de ter informações ou mais detalhes nesta parte. Talvez fosse bom organizar uma entrevista a meio da semana para falar sobre isso, porque, por outro lado, tento ser o mais aberto possível, mas temos um jogo para jogar. Há três pontos em disputa e, para os conseguir, será necessária muita ligação entre todos. O meu foco tem de estar na preparação do jogo. Tudo o que está à volta, como disse, faz parte do jogo, mas não é o prato principal, que é o jogo com o Rio Ave.
— Que tipo de papel projeta para o Inbeom Hwang? Mais como sombra de Froholdt ou de Gabri Veiga? A segunda questão é sobre André Miranda: podia ir mais a fundo na situação dele? Lesionou-se em março, quando poderá regressar?
— O Inbeom é um jogador que tem uma grande versatilidade nas suas características. É um jogador muito inteligente. É um pouco como o Pablo [Rosario], na forma como pode jogar em várias posições, mais no centro do terreno. Mas é um jogador que já fez, na carreira, a posição de 6, de 8, de ‘8 e meio’ e também de 10. Por isso, pode cobrir, tal como o Pablo, talvez mais duas ou três opções para jogar. Com ele, acho que podemos cobrir todas as posições no meio-campo. É por isso que o queríamos, porque, de acordo com o jogo, é um jogador que me permite tomar certas decisões, dependendo do que queremos dar à partida.
— No final do jogo com o Alverca, na 1.ª jornada, o FC Porto falou das duas grandes penalidades assinaladas a favor da equipa graças apenas à intervenção do VAR. É uma questão que o preocupa? Porque, no relvado, pareceu que houve lances que o árbitro poderia ter ajuizado sem a ajuda do VAR.
— Não. No final da época passada disse várias vezes que o VAR nasceu como uma ferramenta para ajudar o árbitro a tomar melhores decisões, porque, às vezes, ao vivo, é muito difícil ver as coisas. O jogo está a tornar-se cada dia mais rápido, os jogadores são mais velozes, por isso há dificuldades em ver em tempo real. E, mais uma vez, ter uma ajuda objetiva vinda de cima é algo muito bom.
No final da época passada disse várias vezes que o VAR nasceu como uma ferramenta para ajudar o árbitro a tomar melhores decisões, porque, às vezes, ao vivo, é muito difícil ver as coisas. O jogo está a tornar-se cada dia mais rápido, os jogadores são mais velozes, por isso há dificuldades em ver em tempo real
— Na época passada teve esse trabalho mental de aguentar uma liderança durante a maior parte do tempo. Este ano, na primeira jornada, as coisas correram melhor ao FC Porto do que aos três principais rivais, que empataram os seus jogos. Pergunto-lhe se, ao longo desta semana, também foi importante fazer esse trabalho de gestão da euforia ou se os jogadores facilitam nesse aspeto?
— Euforia é a palavra certa... Se, em meados de agosto, deixarmos que esse sentimento tome conta de nós, vamos ter um problema, porque estamos apenas no início da época. O último fim de semana provou que não há jogos fáceis nesta liga. Mesmo quando o jogo parece resolvido, nunca está resolvido. Há equipas muito bem organizadas que te podem surpreender ou encontrar uma forma de criar perigo através de transições, bolas paradas... Por isso, temos de manter constantemente o nosso nível e a nossa atenção muito, muito altos. Competir com todos os detalhes no sítio certo para tentar ganhar o máximo de jogos possível.
Euforia é a palavra certa... Se, em meados de agosto, deixarmos que esse sentimento tome conta de nós, vamos ter um problema, porque estamos apenas no início da época.
— Há pouco falou das opções para o meio-campo e também de Stephen Eustáquio. É um jogador com quem conta para integrar o plantel ou ainda se pode falar numa saída até ao fim da janela?
— É um jogador que esteve connosco e desempenhou um papel importante no início da época passada. Quando ganhámos o título, eu estava numa videochamada com ele no relvado, isso diz muito sobre o rapaz que ele é, o caráter de capitão que representa para este clube, além de ser jogador de futebol. Por isso, estamos numa situação em que, novamente, muitas coisas podem acontecer, mas, quando vejo os meus jogadores com a nossa camisola, todos estão absolutamente comprometidos. Se precisarmos que joguem um minuto, 90 minutos ou 90 mais compensação, aqui todos estão muito empenhados em dar o seu melhor. E, claro, o mercado está aberto, falámos várias vezes sobre o que pode ou não acontecer, mas, enquanto isso, a bola rola e isso é o mais importante para todos nós e para os nossos adeptos, que amanhã também desempenharão um papel fundamental neste jogo difícil em Vila do Conde.