O Athletic está diferente, mas continua basco
BILBAU — Poucos clubes no Mundo têm uma identidade tão vincada como o Athletic. O clube mais representativo do País Basco, um dos três em Espanha que nunca desceu de divisão, a par de Barcelona e Real Madrid, continua a limitar a presença na equipa a jogadores nascidos ou formados no Grande País Basco, que inclui as comunidades autónomas do País Basco (com três províncias, Álava, Biscaia e Guipúscoa) e de Navarra mas também a região de Iparralde, em França, igualmente com três províncias.
É assim há 127 anos e assim vai continuar. Em 2023, um grupo de sócios do Athletic propôs que o lote de jogadores fosse alargado a descendentes de bascos, mesmo que já não tivessem sido nascidos ou formados futebolisticamente na região, mas a Direção rejeitou levar sequer a proposta a votação em assembleia geral, argumentando que a mudança da política não fora tema de campanha.
E no entanto, olhando hoje para a equipa que defrontará o Sporting, há pormenores que mostram um Athletic mais moderno, mesmo sem perder a identidade. O capitão, Iñaki Williams, é internacional ganês, ainda que tenha nascido em Bilbau. Foi o segundo jogador negro a representar a equipa principal, depois de Jonas Ramalho, filho de pai angolano e mãe basca, que desbravou caminho na época 2011/2012 (dois jogos, mas esteve no banco em Alvalade na primeira mão da meia-final da Liga Europa). Jonas faria apenas mais 11 jogos pela equipa principal, mas ficou na história do clube.
«Foi um bocado uma bomba um jogador com raízes negras jogar pelo Athletic ao fim de tantos anos, mas senti-me apoiado em todos os momentos. Parecia que a comunidade queria mesmo que me estreasse», recordou sobre a experiência Jonas Ramalho, que atuou durante várias épocas no Girona e joga atualmente no Charleroi, da Bélgica.
México e Marrocos
Iñaki Williams foi o primeiro negro a marcar um golo, o primeiro a ser capitão, chegou a ser internacional espanhol (sub-21 e ainda com um jogo pela equipa principal), mas naturalizou-se ganês (o país dos pais) em 2022, tendo defrontado Portugal no Mundial do Qatar. O irmão mais novo, Nico Williams, a grande estrela da equipa, também tem nacionalidade ganesa, embora jogue por Espanha.
Mas há mais: o guarda-redes suplente Álex Padilla é internacional sub-23 pelo México; o lateral-esquerdo Adama Boiro nasceu em Dakar e tem nacionalidade senegalesa, embora tenha vindo para o País Basco muito jovem; Yuri Berchiche, lateral-esquerdo, tem ascendência argelina; Selton Sánchez, médio, tem sangue brasileiro nas veias; e o avançado Sannadi, nascido em Vitória, já é internacional A marroquino. Tudo efeitos da imigração que o País Basco tem recebido, sobretudo nos últimos 30 anos – e os filhos desses imigrantes começam agora a chegar à equipa principal de futebol.
Mas o espírito continua bem vivo. «Nasci aqui, cresci aqui, tenho no sangue o que significa ser basco», assumiu Iñaki Williams, em 2019.
Estrela da companhia fica fora dos eleitos
BILBAU — Nico Williams, internacional espanhol e grande estrela do Athletic Bilbao, é baixa na partida de hoje frente ao Sporting. Ernesto Valverde, na conferência de imprensa de ontem tinha dado muitas pistas de que assim seria, num cenário confirmado ao final da tarde, quando foi divulgada a lista de 22 convocados. «Não creio que o Nico esteja, não o vejo em condições», assumiu o técnico dos bascos
Nico Williams está a lidar com uma pubalgia grave e o tratamento conservador não tem resultado. O extremo tem entrado e saído do onze, conforme as dores abrandam, mas o problema persiste e segundo o jornal Marca o jogador e os médicos já consideram o cenário de intervenção cirúrgica — que obrigaria a mínimo de dois meses de ausência —, para que o problema se resolva antes do Mundial. Nico fez apenas três dos sete jogos do Athletic na Champions desta época e falhou a vitória em Bérgamo, frente à Atalanta, na semana passada. No fim de semana, em Sevilha, jogou os últimos 33 minutos.
O central Aymeric Laporte também ficou de fora dos eleitos— «é complicado, apesar de já estar a treinar; mas é cedo...», avisou logo Valverde —, e o provável substituto, Vivian, também enfrenta problemas e não fará parte da ficha de jogo. Iñaki Williams está lesionado, deixando Berenguer como principal arma atacante. Mas a força do Athletic está provavelmente na baliza, ocupada por Unai Simón, titular da seleção espanhola.