Rui Borges, treinador do Sporting - Foto: Fernando Veludo/LUSA
Rui Borges, treinador do Sporting - Foto: Fernando Veludo/LUSA

O 2-0 que nunca chegou, mais um «ajuste» e liderança que pode ficar mais longe: tudo o que disse Rui Borges

Treinador dos leões lamentou a falta de eficácia da equipa para 'matar' o jogo, reconhecendo que faltou caprichar na definição. Sobre a expulsão de Gonçalo Inácio, vai ter de «ajustar». Podendo acabar a primeira volta a sete pontos do FC Porto, Rui Borges atirou: «no fim veremos o que conseguimos fazer»

- A oportunidade perdida do Luis Suárez aos 54 é um dos momentos que acabam por decidir esta partida?
- Na primeira parte controlámos o jogo. O Gil Vicente cresceu com contra-ataques, perdas de bola nossas, bolas paradas perto da nossa baliza. Conseguimos, ao longo do jogo, quebrar a pressão deles. Faltou-nos mais qualidade no último terço, às vezes num ou outro passe. Chegámos ao golo num ataque à profundidade, da qual podíamos ter tirado melhor proveito. Na segunda parte, entrámos muito bem, poderíamos ter feito o 2-0 e matar o jogo, mas depois deixámos partir o jogo, perdemos bolas fáceis, deixámos o Gil Vicente entrar em contra-ataque, onde são muito perigosos. Não fizemos o 2-0 e depois a expulsão condicionou. Tentámos ajustar alguma coisa com os jogadores que tínhamos em campo, mas nem tempo para isso tivemos. Sofremos o golo e os últimos minutos foram jogados mais com o coração do que com a cabeça.

- Gostou da qualidade de jogo da sua equipa?
- Tivemos 64% de posse de bola. Nós tivemos bola. Tivemos qualidade na primeira construção. Fomos avassaladores na reação à perda. Mas faltou-nos um bocadinho de mais qualidade no último terço, a definir, sobretudo na primeira. Na segunda parte, entrámos muito bem, fomos fortíssimos. Perdemos bolas que não tínhamos necessidade de perder. Tínhamos de instalar e desgastar mais o Gil Vicente e não os deixar entrar em contra-ataque como deixámos. Mas o perigo deles até foi mais em bolas paradas do que propriamente em jogo corrido. Depois claro que a expulsão condiciona, mas a equipa manteve qualidade, mesmo na construção. Faltou-nos foi melhorar a definição no último terço.

- Tem nove ausentes - sete lesionados e dois nas seleções. Sem estes jogadores ficou mais complicado?
- Isso não serve de desculpa, num jogo em que podíamos ter feito o 2-0 e não fomos capazes o fazer. Defrontámos uma equipa que está a fazer um grande campeonato, tem uma belíssima equipa. Acreditaram sempre até ao fim, no estádio deles. Depois a expulsão condicionou-nos um bocadinho e acabámos por sofrer o golo do empate, mas não me vou lamentar com as ausências. Claro que é importante ter toda a gente, para ter mais soluções, mas, dentro do que temos, a equipa bateu-se bem e teve qualidade.

- Com as ausências fica mais difícil gerir o jogo e tentar intervir… reconhece que isso o limita de alguma forma?
- Claro que se tiver toda a gente tenho mais soluções e formas estratégicas de ir controlando o jogo, mas não adianta pensar em quem não está. Já estou é a pensar no que tenho de fazer no jogo contra o vitória para a Taça da Liga. Vou ter de ajustar porque não temos centrais, mas a equipa vai manter qualidade, com toda a certeza.

- Se o FC Porto vencer o Santa Clara aumenta a distância para o Sporting para sete pontos. Como vê essa diferença?
- No ano passado, estivemos a oito pontos do segundo classificado e passámos para segundo. Falta muito campeonato. Estamos apenas focados naquilo que nós controlamos e naquilo que temos de fazer. O resto... depois no fim veremos o que conseguimos fazer em relação a essa diferença pontual.

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- Na primeira volta, o Sporting perdeu nove pontos, quatro dos quais na reta final dos jogos (contra SC Braga e Gil Vicente). Considera que as retas finais acabam por ser muito penalizadoras para a sua equipa?
- É o que é... são dois jogos específicos. Aqui hoje ficámos a jogar com dez e o Gil Vicente, com mérito, fez o empate, enquanto ainda estávamos à procura de nos organizarmos. E contra o SC Braga foi um lance muito próprio… um penálti… foi uma decisão do árbitro. Há seguir caminho, focar naquilo que controlamos e no que temos de fazer nesta segunda volta.

- Já teve oportunidade de ver o lance da expulsão do Gonçalo Inácio?
- Não, ainda não vi.

- Que soluções procurou dar para a equipa explorar mais o corredor esquerdo? A circulação mais rápida não dava para atrair para depois explorar o corredor contrário e ajudar o Sporting a criar mais oportunidades?
- Até conseguimos facilmente chegar aos corredores na zona intermédia. O mais importante era quebrar a primeira pressão deles e conseguirmos instalar-nos dentro do meio campo do Gil Vicente e obrigá-los a estar mais longe da nossa baliza. Mais do que a circulação rápida, deveríamos ter variado mais rápido, mas com bolas longas em vez de rasteiras a passar por vários jogadores. Isso faltou-nos mais na primeira parte, onde desgastámos a pressão com muita resistência e conseguimos instalar-nos mais à frente. Depois no último terço, a esquerda foi um bocadinho menos dinâmica do que o normal e sentimos isso. Mas dentro daquilo que era pedido, a equipa fez um bom jogo e teve ligada para aquilo que eram as tarefas. Há jogos em que não vamos ter sempre boas decisões. Não fizemos o 2-0 e saíamos penalizados.