No seio de manto tricolor houve tanto azul e branco... (crónica)
As fortes intempéries que se fizeram sentir ao longo de todo o dia em território nacional também afetaram, claro, a zona da Amadora, e talvez tenha sido essa a razão para que a Reboleira não tivesse enchido — era essa a ideia da SAD, que decidiu franquear as entradas no Estádio José Gomes — para este encontro de extrema importância.
Mas se a chuva poucas tréguas deu durante o desafio (houve, inclusivamente, momentos em que a intensidade dos aguaceiros fazia lembrar aquelas noites de Inverno rigoroso), água foi coisa que as duas equipas não quiseram meter. Estava muita coisa em jogo para ambos os contendores, mas o sotaque teve tudo para ser minhoto e não lisboeta. Porque o Fama quis o proveito...
Os azuis e brancos puxaram dos galões de quem está no 5.º lugar da tabela classificativa — posição que pode dar acesso às pré-eliminatórias da UEFA Conference League na época 2026/2027 caso o Sporting vença a Taça de Portugal (se for o Torreense a conquistar a prova rainha, então será o emblema do Oeste a selar a participação internacional na temporada vindoura, entrando diretamente na fase de liga da UEFA Europa League) — e até ao intervalo contabilizaram algumas aproximações junto da baliza contrária.
Gil Dias (11' e 42'), Sorriso (19') e Mathias de Amorim (22' e 25') ousaram desbloquear o marcador, mas nenhum teve a inspiração necessária para colocar o conjunto orientado por Hugo Oliveira na frente. Nesta altura, a turma de Cristiano Bacci mantinha-se extremamente organizada defensivamente, mas Ianis Stoica não deu o melhor seguimento a uma excelente jogada de envolvimento (35').
A etapa complementar voltou a ser mais azul e branca, mas os artistas de Vila Nova mantiveram o desacerto na hora da finalização. E quando não era Renan Ribeiro — que defesas a remates de Justin de Haas (51') e Mathias de Amorim (63') —, era a falta de mira: Gustavo Sá (56'), Gil Dias (64') e Sorriso (75').
Pelo meio, Ianis Stoica (49') e Leandro Antonetti (77') mantiveram vivo o manto tricolor.
O mais escandaloso estava guardado para a reta final. Romeo Beney quis cruzar, mas fez a bola seguir na direção do poste. E, pouco depois, Mathias de Amorim ofereceu a felicidade a Umar Abubakar, mas o ponta de lança nigeriano, isolado, no interior da pequena área, atirou... por cima da barra!
O Estrela depende apenas de si para ficar na Liga, o Famalicão tem o 5.º lugar completamente na mão.
A melhor exibição com a camisola do Estrela da Amadora. O experiente guarda-redes brasileiro esteve absolutamente intransponível e o coletivo pode muito bem agradecer-lhe o ponto conquistado. Por entre as várias intervenções de grande nível que realizou, destaque para os voos que impediram os festejos a Sorriso (19'), Justin de Haas (51') e Mathias de Amorim (63'). Velhos são os trapos...
A pergunta que se impõe é: até onde pode chegar este menino? O internacional sub-21 português é um autêntico craque. Sem bola é de uma inteligência rara nos posicionamentos e nas saídas à pressão, em posse sabe sempre o que fazer e coloca a equipa a jogar com uma qualidade de passe notável. Além disso, tem chegada ao último terço e fez (quase) tudo para ser feliz. Só um super Renan o travou...
As notas dos jogadores do Estrela da Amadora:
Renan Ribeiro (8), Jefferson Encada (5), Luan Patrick (6), Stefan Lekovic (5), Bruno Langa (5), Alex Sola (6), Paulo Moreira (6), Abraham Marcus (5), Jovane Cabral (5), Ianis Stoica (6), Rodrigo Pinho (4), Leandro Antonetti (5), Kevin Jansson (—), Tom Moustier (—), Bernardo Schappo (—) e Max Scholze (—).
As notas dos jogadores do Famalicão:
Lazar Carevic (6), Gustavo Garcia (6), Léo Realpe (6), Justin de Haas (6), Rafa Soares (6), Tom van de Looi (7), Mathias de Amorim (8), Gil Dias (6), Gustavo Sá (7), Sorriso (6), Simon Elisor (5), Romeo Beney (5) e Umar Abubakar (3).
Cristiano Bacci (treinador do Estrela da Amadora):
Podermos depender de nós próprios [para a permanência] é uma coisa importante. Hoje [ontem] a equipa fez um grande jogo, diante de uma das melhores equipas da Liga. Estou a ver toda a malta ligada e vamos para o último jogo com tudo.
Hugo Oliveira (treinador do Famalicão):
A tabela, logo se verá o que será. Acho que o importante é dizer que foi mais um jogo extremamente personalizado de uma equipa madura. Viemos cá para ganhar e fomos fiéis a nós próprios. Fizemos o suficiente para sairmos com a vitória.
Notícia atualizada às 23h36