Victor Froholdt - Foto: Catarina Morais/Kapta+
Victor Froholdt - Foto: Catarina Morais/Kapta+

Aqui fica a lição de Froholdt para todos

Médio dinamarquês, o melhor jogador da Liga, lamentou a A BOLA o pouco tempo útil de jogo em Portugal. Com talento e pulmão para mais, deve ser realmente frustrante estar sempre a parar

Victor Froholdt deu uma extensa entrevista a A BOLA e podemos agora garantir que o médio dinamarquês é capaz de estar sem correr durante algum tempo, embora desconfie que a realizou sentado por simpatia connosco.

Para os portistas, o mais importante a reter será a vontade de Froholdt continuar no FC Porto, mesmo que não possa prometer nada pois os mercados de transferências - até certo ponto, ou sobretudo após certo ponto de valores - não se controlam. É natural que a época do jovem de 20 anos chame a atenção daqueles tubarões que não pensam muito antes de gastar rios de dinheiro: foi o melhor jogador da Liga, correu para todo o lado e definiu as dinâmicas do novo campeão nacional.

E fê-lo claramente com a rápida do noção do clube onde se encontra, como é possível constatar pela forma como fala nesta entrevista sobre a união do grupo e sobre Jorge Costa. Ainda assim, conseguiu evitar temas difíceis como arbitragem, da qual os dragões se queixaram muito durante a época, e até defendeu a rivalidade positiva com o Sporting, garantindo que isso colocou as duas melhores equipas do campeonato a puxar uma pela outra. É tão simples admitir isto sem criar confusão, não é? Devia ser...

Há ainda, nestas declarações, um ponto que creio interessar a todos os que gostam de futebol em Portugal: Froholdt, que veio de uma liga ainda mais periférica, lamenta que o tempo útil de jogo seja tão baixo por cá. Para quem tem tamanho talento e pulmão, deve ser realmente frustrante estar sempre a ouvir o apito do árbitro ou o lamento do colega ou do adversário. Para captar mais Victores, isto devia preocupar todos. Só deixando velhos vícios de lado poderemos evoluir para uma Liga mais moderna.

Por falar em velhos vícios, a conferência de Florentino Pérez na terça-feira foi um perfeito exemplo de quem ficou para trás. Prepotência, machismo, algum delírio, disparos contra a imprensa e teorias da conspiração, com uma linguagem a roçar a incoerência: esteve tudo lá. O maior clube do mundo ficou preso no passado e enquanto vê o rival ser campeão vai para umas eleições em que só alguém muito rico pode concorrer. Há quem goste destes murros na mesa ou demonstrações de poder e há quem compre que a culpa é toda dos jornais. Já eu, como sou mulher e jornalista, não sei o suficiente sobre isto. Pelo menos ficou algum alívio: não é só cá que se fazem figuras muito tristes quando se perde.

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