Crónico campeão distrital não quer nada com o Campeonato de Portugal: «Não há condições»
O Mosteirense sagrou-se campeão da AF Portalegre pela quinta vez nos últimos dez anos. Em condições normais, subiria ao Campeonato de Portugal (CP), mas nunca o fez. Naquela freguesia, com 300 habitantes, não há condições para tal.
O emblema do distrito de Portalegre é o único campeão dos três distritos do Alentejo - a que se juntaram, neste ano, o Portel (Évora) e o Mineiro Aljustrelense (Beja) - que não vai assumir o Campeonato de Portugal, fundamentalmente, devido a um problema transversal à maioria dos clubes da região.
«Além da questão do campo, que não tem as medidas para participar num Campeonato de Portugal, também nos faltam condições financeiras. Somos uma equipa do interior, com pouco apoio financeiro para dar esse passo em frente, que acarreta sempre outros custos», admite, a A BOLA, o presidente do clube, Fernando Martins.
«É muito complicado as equipas do Alentejo, e do interior, conseguirem manter-se no CP, por não terem capacidade de investir. Quando sobem algumas até acabam por se endividar e pôr o futuro do clube em risco», acrescenta o dirigente, propondo, como solução a «criação de um campeonato intermédio, que não traga tantos custos para estas equipas do interior».
O momento alto do clube foi um jogo da Taça de Portugal contra o Nacional, em 2015, recorda Fernando Martins: «Nesse ano, fomos a equipa do Alentejo que chegou mais longe na prova. Perdemos na 3.ª eliminatória contra o Nacional que era treinado pelo Manuel Machado, tinha o Tiquinho Soares, os irmãos Aurélio [João Aurélio e Luis Aurélio], Salvador Agra... Foi um dia que vai ficar marcado na história do Mosteirense.»
Para o ano, o clube já sabe que não poderá repetir a façanha. Foi campeão, mas, uma vez que não sobe, não vai à Taça de Portugal. Só iria, caso ganhasse a Taça da AF Portalegre. No entanto, ficou pelo caminho no último fim-de-semana, ao ser eliminado nas meias-finais contra o Elvas B.
Quem também conversou com o nosso jornal foi o goleador da equipa, Tiago Espírito Santo. Tem oito anos de Mosteirense (com interrupções), mas confessa que este foi o campeonato mais «saboroso». De facto, motivos para isso não faltaram: «Fui o melhor marcador e assistente do campeonato, com 14 golos e nove assistências em doze jogos, e vivi o meu melhor momento aqui, ao atingir a marca de 100 golos pelo clube.»
«Para mim, o Mosteirense é família. Adoro as pessoas e nunca deixaram que faltasse nada. Posso dizer que não houve clube onde me sentisse tão bem como aqui», refere o avançado, de 30 anos, que chegou a atuar no CP, vestindo as camisolas do Elvas, Crato e Oleiros.