Fariba Hashimi assinalou a estreia no Giro com esta foto e um emocionante post no Instagram. Foto Instragram
Fariba Hashimi assinalou a estreia no Giro com esta foto e um emocionante post no Instagram. Foto Instragram

«No meu país atiravam-me pedras quando andava de bicicleta, agora estou no Giro»

Fariba Hashimi é uma corredora profissional afegã de 23 anos, que veste a camisola da Vini Fantini–BePink. Já venceu quatro corridas UCI e está a participar na Volta a Itália contra todas as expetativas

Fariba Hashimi mostrou-se emocionada no arranque da Volta a Itália confessando que está a concretizar um sonho.

A ciclista afegã, de 23 anos, está a viver um dos momentos mais marcantes da sua carreira ao participar no Giro d’Italia Women 2026, representando a equipa italiana Vini Fantini–BePink, formação que apostou na campeã afegã para esta temporada. (ProCyclingStats)

Fariba Hashimi fugiu do Afeganistão atrás de um sonho
Fariba Hashimi fugiu do Afeganistão atrás de um sonho

Natural de Maīmanah, no Afeganistão, Hashimi tornou-se um símbolo de resistência e superação depois de ter fugido do país na sequência do regresso dos talibãs ao poder, que proibiram a prática desportiva feminina. A ciclista, que conquistou o título nacional afegão em 2022, chegou mesmo a representar o seu país nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 ao lado da irmã, Yulduz Hashimi.

Após a primeira etapa do Giro d’Italia Women, disputada entre Cesenatico e Ravenna, Fariba Hashimi ocupa a 132.ª posição da classificação geral, a 6m14s da líder Elisa Balsamo, da Lidl-Trek. A etapa inaugural terminou ao sprint e acabou por ficar marcada pela desclassificação de Lorena Wiebes, inicialmente vencedora, devido a uma irregularidade relacionada com o peso da bicicleta.

Nas redes sociais, a ciclista afegã partilhou uma mensagem emotiva para assinalar a concretização de um sonho que durante muitos anos pareceu impossível.

«Hoje, um sonho que eu pensava impossível tornou-se realidade. Venho do Afeganistão, um lugar onde, para muitas mulheres, sonhar já pode ser proibido», começou.

Hashimi recordou as dificuldades que enfrentou para poder praticar ciclismo no seu país.

«Quando andava de bicicleta, as pessoas atiravam-me pedras. Gritavam que eu era mulher, que não era permitido pedalar, que não era permitido sonhar, que não era permitido aprender. Mas cada palavra de ódio me tornou mais forte.»

A afegã destacou ainda o significado especial de estar presente numa das maiores corridas do calendário internacional.

«E hoje... estou no Giro d’Italia. Carrego comigo todas as lutas, todos os sacrifícios e todas as mulheres que ainda lutam pela sua liberdade e pelos seus sonhos.»

Na publicação, Fariba Hashimi agradeceu à família e à equipa pelo apoio ao longo do percurso que a trouxe até ao pelotão internacional.

«Estou profundamente grata à minha mãe, ao meu pai e à minha irmã, que nunca deixaram de acreditar em mim. Um obrigado especial à minha equipa BePink por acreditarem em mim, apoiarem-me e estarem ao meu lado nesta incrível jornada.”

A corredora concluiu deixando uma mensagem dirigida às jovens mulheres que continuam a enfrentar limitações semelhantes às que viveu.

“Eu pedalo não apenas por mim, mas por todas as raparigas que ainda ousam sonhar.”

Num Giro d’Italia que reúne algumas das maiores estrelas do ciclismo feminino mundial, a presença de Fariba Hashimi transcende os resultados desportivos. A sua participação representa uma vitória pessoal, mas também um poderoso símbolo de liberdade e de luta pelos direitos das mulheres.

A iniciar sessão com Google...