Sorteio ditou leis: «FC Porto? Vamos com ambição»
— O Alverca tem crescidonos últimos anos e na época passada estabilizou na Liga. Que trabalho tem sido feito?
— Os novos donos da SAD entraram em janeiro de 2025, quando o clube estava na Liga 2, e eu entrei em funções em março. A equipa, liderada pelo Vasco Botelho da Costa, que já tinha trabalhado comigo no Estoril, estava na luta pela subida de divisão e a nossa interferência foi praticamente zero. Felizmente, fruto de um excelente trabalho da equipa técnica, dos jogadores e da administração, o Alverca subiu de divisão. Depois disso, e também devido à ligação com o Santa Clara, acabámos por perder muitos jogadores e tivemos de contruir um plantel novo. Criámos departamento de scouting extraordinariamente competente e em 60 dias contratámos 30 jogadores. A isso juntámos equipa técnica liderada pelo mister Custódio e o talento da equipa, das mais jovens da Europa, fez o resto.
— O que pode perspetivar-se do Alverca em 2026/27?
— A diferença para os chamados quatro grandes é grande, depois entra a segunda carruagem, onde estão Vitória de Guimarães, Gil Vicente, Famalicão e o Arouca, que também já começa a ter alguma estabilidade, e tudo o resto são equipas que vão lutar pela manutenção. Não é falta de ambição, até porque sou um eterno insatisfeito.
— Ditou o sorteio que o primeiro jogo seja contra o FC Porto, campeão nacional em título...
— Nas primeiras cinco jornadas jogamos com FC Porto, Sporting e SC Braga. Claro que preferia que fosse diferente, mas temos de jogar com todos... Vamos com a maior ambição possível, respeitando o campeão nacional.
— Pensar num Alverca a terminar o campeonato na primeira metade é demasiado arrojado?
— Assinava já por baixo [risos]. Acho que será possível, sim. Até porque vem aí a centralização dos direitos televisivos e ninguém quer descer de divisão, como é lógico. Temos de ter essa responsabilidade de olhar para hoje e para amanhã. A nossa ambição é trabalharmos todos os dias para sermos melhores.
— Como foi tomada a decisão de contratar Sérgio Ferreira, que estava nos sub-19 do FC Porto e que vai estrear-se na Liga?
— Já tinha trabalhado comigo, como adjunto do Carlos Carvalhal, no Olympiakos. Depois de outros projetos, quis ser treinador principal. Nós, estrutura, tivemos entrevistas com mais cinco treinadores...
— ... com quem?
— Posso dizer, acho que faz bem ao futebol. O Filipe Coelho, que está no Casa Pia, o Filipe Coelho, que está no Universitatea Craiova, o Vasco Matos, que está no Estoril, o Tiago Margarido, que está no Vitória de Guimarães, e o João Gião, que está no Nacional.
— Qual foi a base para a decisão?
— Tivemos conclusão na estrutura, mas a decisão é minha. A responsabilidade é totalmente minha. Mas confio cegamente nas pessoas que trabalham comigo. Acabámos por decidir por acharmos que o Sérgio Ferreira tem liderança muito grande e aura que me fascina, que é o treino. Estamos felizes e estaremos cá para o apoiar.
«Chegar a um clube grande? Vai acontecer...»
— Para quando o Pedro Alves na estrutura de um clube grande?
—Na minha vida as coisas foram sempre acontecendo naturalmente. Logicamente que sou ambicioso e que me fui preparando desde que terminei a carreira de jogador. Hoje, aos 43 anos, estou muito mais preparado do que estava quando iniciei no Estoril, em 2018. Tenho dois ou três exemplos na minha vida, um é o mister Luís Campos (PSG), que é dos melhores do mundo, ou até mesmo o melhor, o outro é o [Hugo] Viana, que fez o seu trajeto no Sporting e que hoje está no City. Há cerca de um mês, o mister Luís Campos dizia-me que o clube grande é liberdade com responsabilidade. E sou muito feliz no Alverca. Tenho muita liberdade e muita responsabilidade. Estou muito grato ao dono do Alverca e do Athletic [clube brasileiro que pertence ao grupo dos ribatejanos] por ter-me dado esta oportunidade neste projeto. Claro que não posso esconder que tenho ambição de chegar a uma equipa grande, mas quando lá chegar precisarei de ter tempo e liberdade para trabalhar com a equipa, porque não se ganha nada sozinho.
— Sente-se preparado?
—Vai acontecer naturalmente, vou trabalhar para isso. Mas se for para chegar lá por terceiras pessoas ou por interesses, prefiro ficar no meu cantinho, ficar a mostrar o meu trabalho. E quando dou entrevistas, uma por ano, normalmente, é para que as pessoas percebam o trabalho que é feito. Que as pessoas olhem para um Pedro Alves que faz bem ao futebol. Orgulho-me disso e da minha rica família, que sofre com a minha ausência.